Jacula: eles faziam Black Metal em 1969, ou não passa de uma grande trollagem?
Por Bruce William
Fonte: Dangerous Mind
Postado em 28 de fevereiro de 2017
Já em 1969 e 1970 bandas como Coven, Black Widow, Lucifer's Friend, Iron Claw e outras conhecidas apenas pelos iniciados, além obviamente do lendário Black Sabbath, vinham trilhando a senda do ocultismo, algumas mais pesadas e satânicas, e outras nem tanto mas com uma boa pitada de oculto em seus trabalhos. E uma das mais misteriosas e lendárias destas é o Jacula italiano, considerado por alguns como um dos precursores do Black Metal, muito antes de Venom e seus contemporâneos. Lenda? Exagero? Acenda algumas velas negras, tome um longo gole de seu absinto preferido e vamos embarcar nesta absurda e misteriosa história, traduzida e adaptada de texto assinado por Ken McIntyre e publicado no Dangerous Mind.
Diz a lenda que em 1966, o então iniciante nas artes místicas Antonio Bartoccetti se mudou pra Milão onde conheceu um bruxo e médium chamado Franz Parthenzy. Eles passaram a se comunicar com espíritos das trevas que presentearam Antonio com uma visão musical tão sinistra e subversiva que levou três anos pra ele encontrar colaboradores corajosos o suficiente pra acompanhá-lo: o organista erudito britânico Charles Tiring (já sessentão na época) e a misteriosa vocalista/violinista e tecladista Fiamma Dello Spirito (nome verdadeiro: Doris Norton). E este trio - junto com o auxílio de Franz - registrou o "In Cauda Semper Stat Venenum" em 1969, que teria sido prensado em 333 cópias enviadas apenas para líderes de seitas misteriosas.
Uma história bem bizarra, não? Mas enfim, como soa o álbum? Nas palavras de McIntyre: "Digamos que é como se a banda de metal extremo suíça Hellhammer estivesse vagando no set de um filme de terror do Mario Bava. Ou talvez uma Dungeon Synth extrema (sub-gênero que une elementos diversos, desde ambient music até música medieval) mesclada com um órgão de igreja depressivo tocado de forma assustadora ao mesmo tempo em que monges loucos cantam, guitarras zunem, um violino corta a murmúria e os sussurros sem palavras confrontam e confundem tudo. E o mais assustador de tudo, levando em conta o ano em que foi criado, é a desumana, distorcida e selvagem guitarra que permeia a gravação, um opressivo libelo ruidoso recheando a atmosfera que segue sombria todo o tempo, principalmente na faixa mais pesada, a épica 'Triumphatus Sad'".
Compare abaixo "Triumphatus Sad", a faixa mais pesada do álbum do Jacula, com o trabalho do Hellhammer.
Este som causou muita discussão entre estudiosos de heavy metal, que juram ser impossível tal rifferama ter sido criada em 1969. Na verdade, no meio dos colecionadores acredita-se que Bartoccetti tenha gravado as guitarras nos anos noventa, pra criar o mito de que este seja o "primeiro álbum de metal obscuro". O relançamento feito pela gravadora Black Widow em 2001 não traz maiores detalhes, porém ele foi definitivamente mexido e restaurado das velhas fitas masters de 1969, então é de se esperar que, de fato, a guitarra satanista do jovem imitador do Tom G. Warrior tenha sido inserida posteriormente, e até hoje não se conhece a gravação original, Há também quem diga que o "In Cauda Semper" foi gravado, na verdade, três anos mais tarde. Novamente diz McIntyre: "Mas não importa, mesmo assim o trabalho é heavy e dark além da conta. Mesmo sem a distorção, o álbum conduz pra uma atmosfera tão fúnebre que você se sente como se estivesse rolando no limo das paredes de antigos castelos e inalando a fumaça de bruxas ardendo nas fogueiras."
Bartoccetti nunca esclareceu nada devidamente. Claro, é assim que as coisas místicas devem ser. A banda gravou outro disco em 1972, "Tardo Pede In Magiam Versus" e disbandou por quarenta anos, até que em 2011 lançou um novo disco "Pre Viam". Durante os anos de ausência, Bartoccetti registrou vários trabalhos de dark prog sob o nome Antonius Rex. Doris Norton também esteve ocupada, gravando discos de música eletrônica nos anos oitenta e noventa. Nada do que ambos fizeram chegou perto do trabalho assustador e tenebroso do primeiro disco, porém ninguém mais conseguiu esta proeza na época. Se O Abominável Dr. Phibes fosse real, ele estaria no Jacula.
Comente: Conhecia a banda? O que achou do som? Pode ter sido feito em 1969 mesmo?
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