Traveling Wilburys: A história da fantástica banda

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Por Edson Medeiros, Fonte: Acid Experience
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O Traveling Wilburys foi um supergrupo formado por George Harrison, Jeff Lynne, Roy Orbison, Bob Dylan e Tom Petty em 1988.

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Lançaram apenas um disco com sua formação original, já que em dezembro do mesmo ano Roy Orbison sofreria um ataque cardíaco fatal em Nashville. Gravaram seu segundo e derradeiro trabalho no ano seguinte, especialmente produzido em homenagem ao amigo recém-falecido.

DE VOLTA AOS NEGÓCIOS, VELHOS AMIGOS

Com o lançamento do álbum Cloud Nine no final de 1987, o ex-beatle George Harrison se recolocava no mercado fonográfico após um hiato de 5 anos sem lançar material inédito.

Tentando promover o lançamento, os executivos da sua gravadora pediram que ele gravasse uma canção inédita para ser lançada como lado-B do single de “This Is Love” (uma das melhores faixas de Cloud Nine).

Depois de alguns dias em Los Angeles sem conseguir criar algo relevante, foi aconselhado por seu amigo Jeff Lynne – membro do ELO e produtor casual – a ligar para Bob Dylan pedindo emprestado o estúdio localizado em sua residência na Califórnia.

Amigo de longa data dos Beatles, Dylan aceitou de imediato. Deixando claro que Harrison poderia passar o tempo que quisesse em seu estúdio.
George então pediu que Jeff Lynne o encontrasse na casa de Dylan para produzir a nova canção (Jeff também havia produzido Cloud Nine), como estava trabalhando com Roy Orbison naquele momento, perguntou se não poderia leva-lo com ele. A resposta foi positiva, e não poderia ser diferente, afinal, o velho Roy sempre foi uma espécie de ídolo para George e os demais Beatles, que o veneravam como um verdadeiro mestre do rock & roll dos anos 50.

No caminho até o estúdio lembrou que não trazia nenhuma de suas guitarras, e decidiu passar na casa de Tom Petty (líder dos Heartbreakers) e pegar uma que havia esquecido lá em uma noite que visitará o amigo para beber e jogar conversa fora. Quando Petty ouviu para onde o ex-beatle estava indo e quem estaria lá, perguntou de imediato se poderia acompanha-lo – não poderia perder o encontro de todas essas estrelas.

MANUSEIE COM CUIDADO...

Chegando ao estúdio de Dylan, todos se reuniram e enquanto conversavam a letra de uma nova música foi surgindo quase que naturalmente, cada um deles ia completando a frase do outro, e tudo foi crescendo em torno do refrão “handle with care...” (port.: algo como “manuseie com cuidado”), frase que George leu em uma caixa jogada num canto do estúdio.

Com a canção pronta e devidamente gravada com a ajuda de seus amigos, George e Jeff a levaram até os executivos da Warner que viram um grande potencial comercial nela. No final das contas, em consenso, optaram por incluir “Breath Away from Heaven” como lado-B de “This Is Love”, porque tinham planos muito maiores para “Handle with Care”.

OS WILBURYS VIAJANTES

Empolgado com a possibilidade de fazer novamente parte de uma banda, George conseguiu descolar junto à gravadora um contrato para um novo grupo e foi persuadir seus companheiros a participarem. Claro que todos aceitaram! Talvez o mais difícil de convencer tenha sido Dylan que passava por uma fase pouco criativa, lançando alguns de seus álbuns menos inspirados. Graças a sua amizade com o ex-beatle, Tom Petty não poderia recusar participar. Roy Orbison viu ai uma possibilidade de reerguer sua carreira que já não vinha bem há muito tempo, enquanto que para Jeff Lynne pesaram o fato de poder produzir uma grande banda e o recente hiato do Electric Light Orchestra.

Só faltava mesmo um nome, lembrando-se de uma piada corriqueira durante as sessões de Cloud Nine, George sugeriu The Trembling Wilburys. Jeff repensou e cravou que The Traveling Wilburys seria um novo mais interessante.

A partir daí também surgiu a ideia de todos usarem pseudônimos e assumirem o papel de uma família de músicos itinerantes, os próprios Wilburys.

Desta forma George passou a se chamar “Nelson Wilbury”, Jeff Lynne “Otis Wilbury”, Roy Orbison “Lefty Wilbury”, Tom Petty “Charlie T. Wilbury Jr.” e Dylan “Lucky Wilbury”.

AS GRAVAÇÕES

Foi assim, de maneira quase que ocasional que nasceu o Traveling Wilburys. Um supergrupo que tinha tudo para dar errado, – não devido à qualidade de seus músicos e sim ao ego das estrelas envolvidas – mas não deu. Na verdade, deu muito certo, mesmo!

Durante as sessões que se sucederam entre abril e maio de 1988, a amizade entre os cinco só aumentou, contribuindo significativamente para a leveza e simplicidade das canções registradas naquele período. O elo verdadeiro desta amizade e da união do grupo sempre foi o espirito descontraído de George, que estava sempre brincando, ajudando a manter o clima sempre bom e permitindo que todos pudessem contribuir para as canções, sem que houvesse o mesmo tipo de atritos que em seus últimos anos com os Beatles.

As bases do primeiro álbum do grupo foram registradas no Lucky Studios, na casa de Dylan, e posteriormente foram adicionados overdubs no Dave Stewart Studios e no estúdio residencial de George na Inglaterra, o FPSHOT.

Além das cinco estrelas, ainda participaram das gravações convidados como: Jim Keltner (bateria), Jim Horn (saxofone), Ray Cooper e Ian Wallace (percussão).

THE TRAVELING WILBURYS, VOL.1


A estreia dos Wilburys em vinil foi um verdadeiro sucesso, recebeu criticas positivas e foi muito bem recebido, tanto pelos fãs do novo grupo quanto ouvintes antigos dos Beatles, Dylan, Heartbreakers, etc.

O álbum foi relativamente bem nas paradas, atingindo o 3º lugar nos EUA e posteriormente recebendo com honras o certificado de platina triplo por sua alta vendagem desde então.

O álbum em si, intitulado apenas Vol.1, é uma mistura interessante de gêneros como o folk e o heartland rock, com um brilho especial daquele rock and roll básico dos anos 50.

Apesar de todas as faixas serem creditadas ao grupo, fica claro quem realmente as escreveu, Harrison trás o hit “Handle with Care” com sua eterna doçura, o contry de “End of the Line” que encerra o disco de maneira brilhante e “Heading for the Light”, que é de longe a faixa que mais lembra seus trabalhos antigos.

Dylan contribuiu com a divertida “Dirty World” – que teve sua letra finalizada com ajuda de todos –, a melancólica “Congratulations” que poderia muito bem estar em Blood on the Tracks e a ironicamente dylanesca “Tweeter and the Monkey Man”.

Ainda temos a semi-latina “Last Night” e a embriagante “Margarita” de Tom Petty, e Jeff Lynne com o rockabilly de “Rattled” e a balada poderosa de “Not Alone Any More”.

Roy Orbison apesar de não contribuir com nenhuma composição própria teve importância fundamental durante as gravações, nelas realizou algumas das melhores performances vocais de sua carreira, como declararia tempos depois Tom Petty: – “Os vocais de Roy estavam demais naquelas sessões, quando ele começava a cantar todos nós ficávamos boquiabertos. Afinal, ele era um de nossos ídolos máximos! Claro que todos também admirávamos Bob, mas com Roy era diferente.”

O álbum como um todo funciona muito bem, é um daqueles discos que merece ser ouvido faixa por faixa, porque não tem um único ponto baixo. Suas texturas vocais e harmonias também foram muito bem trabalhadas pelo quinteto.

O ROCKEIRO DO INFORTÚNIO

O álbum saiu na segunda metade de outubro de 1988, e enquanto eles ainda comemoravam o sucesso inesperado uma triste noticia pegou a todos de surpresa: Roy Orbison estava morto.

O velho Orbison faleceu em sua residência vitima de um ataque cardíaco em dezembro do mesmo ano, menos de dois meses após o lançamento de Vol.1.

Durante toda sua vida, “The Big O” – como era conhecido – sofreu com uma falta de sorte assustadora que o fez ser classificado por muitos como um “rockeiro maldito”. Para falar a verdade, não carregou este estigma à toa, porque depois de sua explosão com a Sun Records e uma carreira de sucesso nas décadas de 50 e 60 sua vida foi se arruinando, pouco a pouco.

Sua carreira foi se estagnando nas décadas que se seguiram, para piorar além de perder a primeira esposa num trágico acidente de motocicleta no final dos anos 60, ainda perdeu dois dos três filhos durante um incêndio em sua casa.

Agora quando finalmente estava retomando sua carreira e tendo alguma visibilidade ao lado dos Wilburys, foi vitima do destino. Morreu durante a gravação de seu próximo álbum solo, que contava com participações de Harrison, Lynne e Petty. O LP chamado Mystery Girl, foi finalizado por Jeff Lynne e a viúva de Orbison com ajuda de amigos, e lançado no inicio de 1989, sendo muito aclamado pela critica.

INTERLÚDIO E VOLTA AS ATIVIDADES

A repentina morte de Orbison forçou a parada precoce dos Wilburys, todos sabiam que não poderiam seguir sem ele. Não seria mais a mesma coisa sem um dos elos da corrente que os unia pela amizade e pela música.

Cada um seguiu com sua respectiva carreira, Petty começou a registrar seu primeiro disco solo, Jeff Lynne seguiu seu trabalho como produtor contribuindo para inúmeros artistas, Dylan voltou às boas com sua carreira-solo ao lançar o bom Oh Mercy, e George manteve-se ocupado trabalhando em sua primeira compilação.

Passado algum tempo, George voltou a contatar os outros Wilburys perguntando se não gostariam de se reunir uma ultima vez em estúdio para registrar o que seria sua definitiva despedida. Depois de meses de entrave – alguns estavam em turnê e outros ocupados com trabalhos pessoais – finalmente conseguiram arrumar tempo de se encontrar para acertar tudo. Primeiro decidiram trocar seus antigos pseudônimos: agora George era “Spike Wilbury”, Jeff Lynne “Clayton Wilbury”, Petty se chamava “Muddy Wilbury” e Bob Dylan “Boo Wilbury”.

Por sugestão de George decidiram chamar seu segundo disco de Vol.3, segundo ele uma brincadeira para confundir colecionadores fanáticos de vinil e a própria mídia.

THE TRAVELING WILBURYS, VOL. 3


Passaram um período entre abril e maio de 1990 trabalhando em estúdio, contando com basicamente o mesmo time de músicos de apoio, agora reforçado pelo guitarrista norte-irlandês Gary Moore, que também assumiu um apelido, sendo creditado como “Ken Wilbury”.

Com as gravações terminadas, o álbum foi lançado em 29 de outubro sendo novamente bem recebido pela critica, mesmo sem alcançar números tão expressivos quanto seu antecessor – ficou só na 11º posição nos EUA e em 14º no Reino Unido.

Em termos de qualidade, apesar de não conter canções tão expressivas quanto Vol.1, não deixou nada a desejar. Contém a mesma mistura de gêneros vista anteriormente, mas agora trazendo uma base com mais rock e melodias elétricas em evidência.

Notadamente quem mais contribuiu para as composições foi Bob Dylan que começava a viver novamente uma grande fase em sua carreira. Entre todas as boas faixas do álbum merecem destaque: a pesada “She’s My Baby”, “Inside Out” que faz uma pequena menção aos Beatles, “7 Deadly Sins” com sua harmonia vocal ao estilo dos Beach Boys, o slide matador de George em “Poor House” – tema perfeito para qualquer quadrilha –, e a dançante e divertida “Wilbury Twist”.

PARA A ETERNIDADE


Por manter o excepcional nível de qualidade Vol.3 foi uma homenagem póstuma adequada para Orbison e também um ótimo último disco dos Traveling Wilburys.

Com o termino do grupo, muito foi especulado a respeito de uma possível reunião com uma nova formação por vários anos, até que em 29 de novembro de 2001 a força motriz do grupo, George Harrison, veio a falecer em decorrência de câncer, terminando de vez com qualquer possibilidade de retorno do grupo.

Curiosamente, George foi o segundo beatle e também o segundo wilbury a falecer – Lennon e Orbison foram respectivamente os primeiros.

O guitarrista deixou este mundo em que tanto contribuiu para a música em sua casa, de forma amena, cercado de amigos e da família, ao som da citara de seu eterno tutor Ravi Shankar.

Assim como seus amigos John Lennon e Roy Orbison, o crescido beatle e amadurecido wilbury George, entrou para a eternidade. E nunca será esquecido. Nem seus parceiros Wilburys.

N/R.: Este modesto texto é uma pequena forma de homenagear dois dos maiores ícones do Rock/Pop mundial, ambos possuem uma importância musical inestimável para o mundo, e mais especificamente, para este este redator que teve a liberdade de tomar um pouco de seu tempo caro leitor! Abraços.

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