Metallica: a paixão sem limites dos brasileiros pelo ícone thrash
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 18 de março de 2014
Dentre todas as bandas do Thrash Metal oitentista – em especial as do quadrangular comercialmente apelidado de ‘Big 4’ – o METALLICA, graças a uma eficaz estratégia e planejamento de carreira sempre presentes na trajetória da banda, foi a que soube se sedimentar no gosto coletivo do público brasileiro com antecedência, tornando-se uma quase unanimidade do segmento ainda underground que acompanhava o movimento musical naquele tempo.
A vinda do grupo ao Brasil ainda em 1989 [quando não se apresentou em nenhum outro país da América do Sul] já transparecia o status de relevância que a banda vinha obtendo, e se naquela turnê ainda não havia cobertura por parte da grande mídia, os músicos tiveram o que talvez tenha sido seu primeiro contato com o estrelato: num episódio que se tornou parte da história do Metal no país, uma visita do frontman JAMES HETFIELD ao outrora âmago do comércio de Metal da capital paulista – a WOODSTOCK DISCOS – a animação dos fãs da banda chegou a patamares de Beatlemania, causando um tumulto no centro da cidade que surpreendeu [e apavorou!] ao guitarrista, e sua saída estratégica fez-se necessária para que um incidente mais sério não ocorresse.
Aquilo marcou a fincada da bandeira da banda no território brasileiro, chegando antes do MEGADETH [que só viria em 1991], do ANTHRAX [1993] e do SLAYER [1994]. Desde então, a relação do público do país só se intensificou, e o que antes se restringia ao foco da Rock Brigade [RIP], do Caderno 2 e de poucos parágrafos da Bizz [RIP] agora é transmitido para todo o planeta e em rede nacional de televisão.
Com a volta do Metallica ao continente Sul-americano essa semana com a turnê ‘By Request’, o capítulo oficial brasileiro do Fã-Clube da banda, o BRAZILIAN MILITIA, aliou-se ao Manifesto Rock Bar em São Paulo, de propriedade do empresário argentino SILVANO BRANCATI – ele próprio um apaixonado pela banda – para o primeiro METALLICA DAY brasileiro.
O ‘Dia do Metallica’ foi proclamado originalmente em março de 1999 pelo prefeito de São Francisco, cidade que o grupo escolheu para viver e traçar sua ascensão ao Olimpo da música. A iniciativa de celebrar a data é uma iniciativa do Brazilian Militia e do Manifesto com o apoio da gravadora que representa o grupo no país, a Universal. O dia será marcado por um evento no Manifesto no dia 21 de Março, quando três bandas tributo à locomotiva Thrash revisitarão parte do catálogo da banda, cada uma com um set list e uma proposta diferente. A Universal sorteará prêmios aos presentes. Também prestigia a festa a Editora Ediouro. Com a colaboração do Fã-clube oficial, a facção brasileira sorteará camisetas, merchandise exclusivo, revistas importadas, palhetas e adesivos.
O Brazilian Militia nasceu em 2011, quando um grupo de 15 patrícios foi contemplado com acesso ao festival de quatro shows de comemoração dos 30 anos de atividades do grupo em São Francisco. Esses fãs criaram uma comunidade no Facebook para trocarem informações sobre a viagem. Alguns integrantes desse esforço foram ao México e Canadá para testemunhar a turnê ‘Full Arsenal’, que daria origem ao filme 3D ‘Metallica Through The Never’. Na capital mexicana, eles confabularam com o capítulo local – o ‘Mexitallica’- e propuseram-se a fundar uma representação do MetClub no Brasil, intuito para o qual receberam autorização da banda no dia 14 de Setembro de 2012. Nascia ali o BRAZILIAN MILITIA LOCAL CHAPTER.
O Militia [como é chamado pelos membros] é administrado pelo jornalista THIAGO MOURA, que não mede esforços para assistir a seu grupo favorito, e seguirá o Metallica por toda a América do Sul após a apresentação em São Paulo. Necessariamente, só podem participar do Brazilian Militia pessoas que já sejam cadastradas junto ao MetClub estadunidense, o que lhes confere o direito de concorrer a ‘meet and greets’ com a banda [com os quais Moura já foi contemplado - vide fotos abaixo].
Sob a batuta dele, o capítulo organiza eventos diversos visando unir os admiradores da banda californiana, frequentemente tendo o Manifesto de cenário. À ocasião do Rock In Rio 2013, a assembleia deu-se no Calabouço Rock Bar, no bairro carioca da Tijuca. Os abnegados asseclas também já marcaram presença nas duas edições do festival Orion Music And More [2012 e 2013], no Rock In Rio Lisboa, no Rock Am Ring alemão, além dos já citados concertos no México, Canadá e a grandiosa temporada no Fillmore Theatre.
Outro correligionário de destaque do Militia é o mineiro MARCOS QUEIROZ, um dos maiores colecionadores de Metallica do mundo, aliciado pelo som da banda desde 1997 [curiosamente, quando, com o lançamento de ‘ReLoad’, achavam que o grupo estava alienando seus fãs, enquanto na verdade, angariavam outros tantos]. Queiroz possui uma coleção única no Brasil, com quase 1000 registros audiovideográficos, além de uma imensidão de merchandise e memorabilia, dentre a qual um fragmento da estátua de Doris. Queiroz já esteve em treze shows da banda, e foi contemplado com um convite do MetClub para assistir ao ensaio da turnê do álbum ‘Death Magnetic’ em 2008, contudo não conseguiu obter visto de entrada nos EUA a tempo. Uma vez devidamente credenciado pelo consulado daquele país, Queiroz embarcou e matou o que lhe matava: assistiu a três performances na Califórnia, esteve em todo o percurso do grupo no Brasil em 2010, bateu ponto no Rock In Rio 2011, esgotou sua cota de sorte para essa encarnação com três shows no Fillmore, foi testemunha ocular do primeiro Orion Music [onde ele assistiu ao show de dentro do lendário ‘snakepit’] e voltou ao megalômano festival de Roberto Medina ano passado. Ele já se programou para ver cinco shows na América do Sul nas próximas semanas.
‘Mineiro’, ele negocia bastante antes de adquirir qualquer item para seu acervo pessoal, mas não se furta de aplicar a filosofia ‘mais vale um gosto do que um conto’ quando quer: já chegou a gastar dez mil reais em uma única viagem aos EUA para ver a banda, e cada um dos cobiçados ‘knobs’ produzidos pelo grupo lhes custou 500 reais [ele tem cinco, sendo dois deles autografados]. Abaixo, algumas fotos da bela audiovideomemorabilioteca dele.
O Brazilian Militia também dissipa a equivocada noção do populacho que esse tipo de agremiação seria integrado única e exclusivamente por office boys da periferia trajando camisetas pretas fubentas: quase metade dos sectários é do sexo feminino. E não falamos aqui de mulheres de bigode ou com cabelos pintados por coloristas graduados no Instituto Benjamin Constant do Rio de Janeiro.
Uma delas é a fisioterapeuta das Minas Gerais FERNANDA B. FERREIRA. Devota do quaternário desde 1987, quando ouviu o álbum ‘Ride The Lightning’ por intermédio de um amigo, ela pertence ao hall dos que não se intimidam diante dos altos custos que envolvem ver as apresentações do Metallica com produção completa [aquelas que nunca chegam ao Brasil...], e, com os recursos de avançada engenharia financeira, já esteve em onze concertos de Ulrich ET AL, sendo seis em território doméstico e cinco nos EUA [dois no Orion Music e três no Fillmore Theatre].
Fernanda também co-organizou – e integrará- o comboio do Brazilian Militia que peregrinará pela América do Sul nos shows de São Paulo, Assunção, Santiago e mais dois em Buenos Aires. Ferrenha prosélita, seu patamar de comprometimento com a evangelização do ‘Bang The Head That Doesn’t Bang’ é tamanho que, para ir aos shows de comemoração do primeiro trintênio da banda [para os quais embarcou sem garantia alguma de ingresso] recorreu a uma tia para as passagens e endividou-se escorchantemente com instituições financeiras. Ela é uma das partidárias mais ativas do capítulo patrício, e seu único arrependimento é não ter desobedecido aos pais em 1993, quando estes a proibiram de ir aos recitais do quarteto em São Paulo.
O Brazilian Militia possui um perfil oficial no Facebook que já conta com mais de 3 mil ‘Likes’, e pode ser acessado na URL abaixo ou contatado pelo email [email protected].
http://www.facebook.com/brazilianmilitia
O primeiro ‘Metallica Day’ brasileiro ocorre nesta sexta-feira, no Manifesto Bar, a partir das 21 horas.
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