Guns N' Roses: como o sucesso destruiu a banda em pouco tempo

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Por RUTH BLATT da revista Forbes

Começar uma nova colaboração pode ser empolgante. Você anseia conhecer a nova pessoa e explorar a possibilidade de realizarem um grande trabalho juntos. Mas há muitos riscos para se navegar? Vocês dois vão se dar bem? Vocês estão contribuindo com aptidões complementares para o lance? Vocês lidam sinceramente um com outros em questões importantes? Vocês vão se apoiar um no outro para bolarem ideias melhores juntos do que teriam individualmente? Uma vez que tais questões sejam respondidas afirmativamente e uma relação colaborativa esteja a caminho, daí então a pergunta muda: como é que você sustenta a relação? A questão de sustentar a equipe certa, ao invés de formar a equipe certa, é importante porque ao manter o time no lugar, você economia nos custos iniciais e nos riscos associados com montar outra equipe. E você capitaliza na confiança e na firmeza que vocês construíram ao longo do tempo.

Mas o que une as pessoas não é necessariamente o que as mantém juntas, de acordo com um estudo recente da publicação The Administrative Science Quarterly dos professores Linus Dahlander da ESMT European School of Management and Technology e Daniel McFarland da Stanford University. Usando dados de colaborações de pesquisas da Universidade de Stanford coletados ao longo de 15 anos, eles determinaram a questão do que mantém equipes juntas. Eles descobriram que quanto mais profunda e multifacetada for a relação entre colaboradores, mais provável é que as pessoas continuem trabalhando juntas. Um achado surpreendente foi que o sucesso, medido pela frequência na qual o trabalho foi citado por outros, não teve o mesmo efeito.

Por que as pessoas continuam trabalhando juntas mesmo quando os resultados não justificam isso? “Porque”, escrevem os autores do estudo,” as pessoas tendem a ater-se aos laços que formaram, dê no que der, especialmente laços mais fortes que estejam em vários níveis e cubram vários tipos de associações.” É por isso que a construção de equipes fora do local de trabalho é mais eficiente do que ligações feitas por redes de conhecidos para reforçar um time. Isso leva a um conhecimento mais profundo da outra pessoa – como elas respondem sob stress, com o que ela se importa, como é o senso de humor dela. Esse conhecimento maior torna-se útil quando, à medida que a equipe trabalha, você precisa lidar com uma situação incerta. E a camaradagem se transforma em uma cola que mantém o time junto quando os tempos ficam difíceis.

O outro lado dessa descoberta é que um bom resultado não garante a repetição de colaborações se a relação sofrer ao longo do caminho. Isso pode acontecer se você estiver trabalhando tantas horas com alguém que você sente que precisa de uma folga dela quando você não está no trabalho. Com o tempo, sua interação passa a ocorrer somente no trabalho, e a conexão interpessoal fica mais fraca. Quanto mais tempo vocês forem bem-sucedidos juntos, mais vocês se afastam como amigos.

Minha pesquisa sobre bandas de rock como equipes criativas sugere que muitas bandas de rock entram em decadência tão logo façam sucesso pela mesma razão. As pessoas não se dão conta que o sucesso fissura relacionamentos. No começo da carreira de uma banda, os membros passam por situações extremamente difíceis juntos – o equivalente dos treinamentos corporativos em retiros na selva. Eles se espremem em minivans, dormem em cima de amplificadores ou em chãos sujos, e se alimentam de sanduíches de pasta de amendoim e geleia.

Turnês escorchantes são para as bandas o equivalente de ‘equidade de transpiração’, o árduo trabalho mental e físico não remunerado que os empreendedores investem em seus negócios nascentes. A equidade do suor é uma fonte particularmente poderosa de comprometimento quando a equipe está começando porque ela não pode ser justificada em termos de dinheiro ganho pelo trabalho, já que não há nenhum.

Pegue o Guns N’ Roses. Em junho de 1985, a recém-formada banda fez uma viagem de carro desastrosa de Los Angeles a Seattle. O carro deles quebrou no meio da noite. Eles só tinham trinta e sete dólares no bolso, mas decidiram chegar a Seattle de qualquer maneira. Eles andaram e pediram carona por 1600 kilômetros, comendo cebolas cruas que pegaram de uma lavoura, e sobreviveram ás custas da generosidade [e, considerando o aspecto deles, na coragem] de completos estranhos. Apenas 15 pessoas foram ao show deles e eles receberam meros 100 dólares dos 150 prometidos. Mas a ‘primeira turnê ’do Guns N’ Roses não foi um fracasso. Tal como o baixista do Guns N’ Roses DUFF MCKAGAN escreveu em suas memórias, “It’s So Easy [And Other Lies]”, a malfadada primeira turnê da banda dele deixou bem claro que “o Guns N’ Roses não era mais UMA banda, mas A banda – NOSSA banda.” Consequentemente, ele estava disposto a sofrer pobreza e desabrigo nos meses que levariam à gravação e lançamento de “Appetite For Destruction”.

E então “Appetite For Destuction” tornou-se o álbum de estreia mais vendido até então e o Guns N’ Roses tornara-se a maior banda do mundo. A banda começou a se distanciar. Em seu livro, Duff Mckagan descreveu a desastrosa temporada em Chicago durante a qual eles começaram a escrever o sucessor de “Appetite”. O vocalista Axl Rose chegou com duas semanas de atraso, entrou em uma briga com uma moça que eles tinham conhecido, e destruiu o apartamento deles. O guitarrista Izzy Stradlin chegou logo após sair de um período de desintoxicação, viu a zona, e foi embora, efetivamente desligando-se do processo criativo. O baterista Steven Adler começou a queixar-se de Rose para os outros membros da banda. “A dura realidade é que aquela mentalidade ‘nós contra o mundo’ tinha se dissipado”, concluiu McKagan. Quando a tour seguinte começou, Adler havia sido substituído e o resto dos membros da banda mal se falavam ou se viam, exceto no palco. Hoje em dia, da formação original do Guns N’ Roses, só sobrou W. Axl Rose.

Ironicamente, enquanto o fracasso e o desastre fortaleceram o Guns N’ Roses nascente, o sucesso acabou por destruí-lo. O sucesso é o que todas as equipes procuram. Mas elas estão preparadas para seus danos? Tal como sabemos de separações desagradáveis da maioria das equipes fundadoras de um empreendimento, a resposta geralmente é não.

O livro de McKagan está atualmente sendo transformado em um documentário de longa-metragem.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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