Cogumelo Discos: a usina do metal brasileiro
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 30 de março de 2013
Objeto de culto entre os fãs de metal ao redor do globo, as gravadoras Megaforce e Metal Blade foram as responsáveis pela semeadura do metal extremo em meados dos anos 80. Se hoje são aclamadas e reconhecidas pelo lançamento de bandas como METALLICA, ANTHRAX, EXCITER, SLAYER entre inúmeras outras, seu início foi árido, sem perspectivas claras e se impuseram graças ao pioneirismo- e até certo ponto, da falta de juízo- de seus fundadores JON e MARSHA ZAZULA e BRIAN SLAGEL.
Agora, se na "terra das oportunidades" a coisa toda já era difícil e quase artesanal, o que dizer de uma iniciativa nos mesmos moldes, praticamente na mesma época, em um tempo em que infra estrutura, equipamentos, técnicos de som competentes e outros elementos indispensáveis à produção e realização de shows eram algo quase utópico por aqui- pior, tudo isso somado à distância do eixo Rio-São Paulo? Se hoje a internet nos proporciona saber as últimas novidades do metal iraniano, que tal uma ilha com acesso restrito à discos estrangeiros, informações de fanzines feitos a mão no fundo de casa e a total falta de tradição do rock n´roll brasileiro no cenário mundial?
Assim como seus inconsequentes pares americanos, a COGUMELO DISCOS nasceu em 1980, como uma loja em Belo Horizonte e, ao contrário do que se possa pensar, não trabalhava de olho no mercado do metal- mesmo porque isso praticamente não existia na época. Na falta de um catalisador como a Galeria do Rock em São Paulo, fãs de metal começaram a se reunir na loja que, gradativamente passou a absorver a estética dos frequentadores; daí para a gravação e lançamento de discos bastou aval do então balconista VLADMIR KORG (CHAKAL) para a proprietária PATTI para que fosse dado o start na produção maciça, cujo chute inicial foi nada menos que o "Split" OVERDOSE / SEPULTURA o cult "Bestial Devastation/Século XX", hoje item de colecionador. Depois disso vieram SARCÓFAGO, SEXTRASH, THE MIST, VULCANO e mais um sem número de bandas vitais para a cena brasileira.
Em entrevista ao portal Uai, em 2012, após trinta e dois anos de existência , o atual proprietário JOÃO EDUARDO FARIA, sintetizou a dinâmica dos negócios: "Quando a gente produz um disco, já sabe que vai trocá-lo por outros com gravadoras de outros estados e países. Esse material é vendido aqui também. Existe um esquema de intercâmbio e parceria muito forte no mundo do heavy metal que não sei se existe em outros segmentos. Essa rede ajuda a vender produtos e mantém a cena forte. Além disso, o heavy metal, como estilo, nunca passou". Alguém tem dúvida?
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