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O Suprassumo dos Subestimados: Rolando Castello Junior

Por Luiz Carlos Barata Cichetto
Fonte: Barata Cichetto
Em 29/09/12

Há tempos atrás, quando comecei a publicar minhas listas no Whiplash.net, listas estas que despertaram a ira dos fanáticos a ponto de receber até mesmo ameaças veladas, tenho pensando sobre mostrar artistas e bandas que mereceriam ser melhor conhecidas pelo grande publico, mas que não o são por razões das mais diversas, hediondas e até criminosas possíveis. Sim até criminosas, pois os critérios usados pela mídia e pelas máfias das gravadoras e editoras de música são dos mais perversos e violentos, destacando apenas aqueles cujos retornos financeiros são imediatos e garantidos. E nada como um cantor ou cantora bonitinho e ordinário, sem nenhum talento e devidamente remontados e remanufaturados em estúdio. Uma carinha bonitinha, uma bunda gostosa e dane-se se há talento artístico ou não.

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Aparentemente a máxima do sucesso "estar no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas" nunca se aplica aos verdadeiros artistas, particularmente que tocam Rock no Brasil. O chamado "Pop Rock", essa escrotisse inventada pelas gravadoras com o intuito de trajar de Rock bandas e artistas que nada tem a ver, parece ser a única coisa aceita.

A mentalidade brasileira, mesmo mais de 50 anos do Rock ter chegado ao Brasil ainda o trata como "estrangeirismo" estabelecendo uma linha de atuação absurda que admite o Rock que é feito no exterior e chega aqui de todas as formas, mas não os artistas daqui. Velhos e caquéticos medalhões, que nem brilham tanto ou não brilham mais, são tratados como verdadeiras majestades não apenas pela mídia, mas pelo próprio público e pelos "artistas" da terra. Enquanto artistas do Rock internacional, milionários são tratados com pompa, gala e reverência e colocados em castelos; os daqui são tratados como párias e a pontapés. Enquanto artistas americanos e ingleses e de toda parte do mundo ganham fortunas enriquecendo ainda mais, os daqui ganham misérias e migalhas. Enquanto os "gringos" lotam arenas a preços exorbitantes, os "nativos" não recebem publico, nem a preços irrisórios. Uma demonstração clara de estamos ainda sob a égide do jugo, vivendo eternamente a condição de colonizados.

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E para não perder o costume, estou criando uma outra lista. Mas a ideia agora é traçar o perfil de um artista em cada artigo, para que possa ser demonstrado de forma mais apurada o trabalho de cada um. Foi difícil criar esta lista, pois não queria deixar de lado ninguém que merecesse estar nela. Ser injusto com "Ídolos", não me deixa com a consciência pesada, mas com pessoas que já por si só estão sendo injustiças pelas circunstâncias, me deixaria com a consciência pesando toneladas.

Rolando Castello Júnior

Recentemente, Rolando Castello Junior foi eleito por uma revista argentina como "O Mais Grande Baterista do Mundo". Na matéria, Rolando é comparado aos grandes bateristas de Rock do Mundo, como John Bonhan e Keith Moon, ambos falecidos. E de fato, se fosse ele americano ou inglês estaria com seu lugar assegurado em qualquer lista dos melhores, cantado e ovacionado e merecedor de lugar de destaque em qualquer "Hall of Fame". Mas como estamos no Brasil, pátria das chuteiras e das injustiças culturais...

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Crédito da Foto: Site Oficial de Rolando Castello Junior (Autor da Foto: Lyrian Oliveira)
Crédito da Foto: Site Oficial de Rolando Castello Junior (Autor da Foto: Lyrian Oliveira)

Desde o inicio de carreira, ainda nos primeiros anos da década de 1970, com passagens por bandas no México (Parada Suprimida, Tarantula e Three Souls In My Mind), que ele se destaca, por sua técnica impar de tocar o instrumento. Em 1974, "Junior", foi o baterista do primeiro disco do "Made In Brazil", o lendário "disco da banana". Em 1977 foi para a Argentina onde formou com o mestre da guitarra Norberto Pappo Napolitano uma das mais emblemáticas bandas portenhas, o "Aeroblus", até hoje reverenciada e homenageada por todos os roqueiros do país de Maradona. E esse fato, aliado ao reconhecimento dos argentinos ao talento do baterista, fazem dele um ídolo.

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Enquanto isso no Brasil... Rolando que foi um dos fundadores da "Patrulha do Espaço" juntamente com Arnaldo Baptista, segue carregando o legado da banda nas costas por 35 anos, tendo gravado com a "Patrulha" cerca de 20 discos, além de participação em discos de outras bandas e artistas do Rock "Nacional". Segue em frente, tocando e ainda acreditando no Rock, como poucos.

Dono de uma técnica insuperável no instrumento, Rolando é referenciado pela maior parte dos grandes bateristas brasileiros como Paulo Tomás do Baranga, Paulo Zinner, ex Golpe de Estado e dezenas de outros. Sua forma de tocar é inconfundível e única, frutos de uma genialidade nata aliada a fatores de superação física. Embora não goste de falar sobre o assunto, Rolando teve poliomielite na infância que deixou fortes sequelas, que decerto colaboraram com sua forma de usar o instrumento.

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Há um tempo atrás, li uma matéria sobre medicina em que um ortopedista dizia que a genialidade de Garrincha se devia a um "defeito físico" nas pernas que mudava todo o seu centro de gravidade e que isso, aliado à sua genialidade genética o transformara num gênio. Um gênio sufocado por Pelé e seu Marketing Pessoal melhor construído. Não vejo uma comparação melhor do que a existente entre Rolando e Garrincha, pois enquanto Pelé é um milionário, Garrincha morreu pobre. A esperteza e ganância da mídia fazem ídolos a seu bel interesse e, por mais genial que um ser possa ser, ele jamais desfrutará dos justos patamares de glória caso não se "venda", de alguma forma, a seus interesses mesquinhos.

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E assim, por estes e outros obscuros motivos, o trabalho de Rolando Castello Junior permanece desconhecido da maior parte do publico, mesmo dentro do publico de Rock, que normalmente rende glórias aos grandes bateristas da história do Rock e desconhece que aqui mesmo existe um músico, vivo e produtivo e que ainda coloca nos ares sua banda, com muito esforço e dedicação a um Rock que, tal como o restante da Cultura nacional é cega, surda e muda.

E, usando ainda a comparação com o futebol, atualmente se rende loas a "cabeças-de-bagre" (usando um jargão futebolístico), como os "neymares" e se acredita (porque a mídia assim o impôs) que Pelé foi o maior craque de todos os tempos. Mas se esquece ou não se conhece a genialidade de Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha. E se rende homenagens a tocadores de bateria e fazedores de barulho como (Huuuuum, deixa pra lá!...) e desconhecem o talento, e porque não dizer a genialidade, de Rolando Castello Júnior.

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Ah, os argentinos acham que foi Maradona o maior, mas sempre lembram que Rolando Castello Junior é o "Mais Grande Baterista do Mundo". Futebolisticamente falando podem estar errados, mas com certeza, entendem de Rock melhor do que "nosostros".

Discografia Completa:
(Em Ordem Decrescente)

2012 - Patrulha do Espaço - Dormindo em Cama de Pregos - Indie
2007 - Patrulha do Espaço - Capturados ao Vivo no CCSP - Voice Music
2006 - Aeroblus - Aeroblus (Digipack) - Universal
2006 - René Seabra - As Cores de Maria - Lâmpada Records
2005 - Brasil Papaya - Esperanza - Beluga
2004 - Patrulha do Espaço - Missão na Área 13 - Indie
2003 - Patrulha do Espaço - Sim São Paulo - Baratos Afins
2003 - Patrulha do Espaço - Compacto - Indie
2003 - Patrulha do Espaço - Demo Sul - Braço Direito Records
2002 - Patrulha do Espaço - Dossiê Volume 4 - Indie
2001 - Patrulha do Espaço - Música Para Reciclar
2000 - Patrulha do Espaço - Chronophagia - Indie
1999 - Made in Brazil - Made in Brazil - BMG
1998 - Relespública - E o Rock’n’Roll Brasil!? - Indie
1998 - Patrulha do Espaço - Dossiê Volume 3 - Baratos Afins
1998 - Patrulha do Espaço - Dossiê Volume 2 - Baratos Afins
1997 - Patrulha do Espaço - Dossiê Volume 1 - Temptation
1997 - Aeroblus - Libre Acceso / Aeroblus - Polydor
1995 - Made in Brazil - Acervo - RCA
1994 - Patrulha do Espaço - Primus Inter Pares - Aqualung
1993 - Beijo AA Força - Coletânea - Tinitus
1993 - Aeroblus - Aeroblus - Phillips
1993 - Quantum - Quantum - Record Runner
1993 - Beijo AA Força - Beijo AA Força - Tinitus
1992 – Pappo - El Riff - Trípoli Records
1990 - Cemitério de Elefantes - Coletânea - Vinil Urbano
1989 - Maria Angélica - Outsider - Vinil Urbano
1989 - Arnaldo e Patrulha do Espaço - Elo Perdido - Vinil Urbano
1988 – Arnaldo e Patrulha do Espaço - Faremos uma Noitada Excelente - Vinil Urbano
1986 - Inox - Inox - CBS / Epic
1985 - Patrulha do Espaço - Patrulha 85 - Baratos Afins
1983 - Mario Garcia - Sr. Cisne - Indie
1983 - Quantum - Quantum - Café
1983 - Patrulha do Espaço - Patrulha do Espaço 4 - Baratos Afins
1982 - Patrulha do Espaço - Patrulha do Espaço - Baratos Afins
1981 - Patrulha do Espaço - Patrulha do Espaço - Seta / Ariola
1980 - Patrulha do Espaço - Patrulha do Espaço - Halley
1979 - Billy Bond - Billy Bond and The Jets - Sazan
1977 - Aeroblus - Aeroblus - Phillips
1975 - Made in Brazil - Coletânea - RCA
1974 - Made in Brazil - Made in Brazil - RCA

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Internet:
http://www.rolandorock.com
http://www.patrulhadoespaco.com.br
http://www.aeroblusoficial.com.ar

Vídeos:


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Sobre Luiz Carlos Barata Cichetto

Sou Barata, nascido Luiz Carlos, no dia do Anti-Natal, do ano da Graça do nascimento de Madonna, Michael Jackson, Bruce Dickinson, Cazuza e Tim Burton. Sou poeta, escritor, produtor e apresentador de Webradio, produtor de eventos e procuro pagar as contas trabalhando com criação de sites. Crescí escutando Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin. Participei da geração mimeógrafo nos anos 1970, mas quando chegaram os filhos, deixei de ser poeta e fui tentar ser homem, o que no entender de Bukowiski é bem mais difícil. Escrevo poemas desde que comecei a criar pêlos.... nas mãos. Trabalhei como office-boy, bancário, projetista de brinquedos e analista de qualidade. No final do século XX, acordei certo dia de sonhos intranquilos e, transformado em um ser kafkiano, criei um projeto cultural na Internet nos moldes dos antigos panfletos mimeográficos. Mesmo antes de meu processo de metamorfose, nunca deixei de cometer poemas, contos e crônicas. E embora tenha passado dos três dígitos o numero de textos escritos, nunca ganhei um prêmio literário. Fui apaixonado por Varda de Perdidos no Espaço, Janis Joplin, Grace Slick e Sonja Kristina; casei quatro vezes e tenho dois filhos, Raul e Ian. Atualmente sou também editor, costureiro e colador de livros, num projeto de editora artesanal.

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