Viking Metal: origens folclóricas pagãs como temática

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Por Rodrigo Branco, Fonte: Blog do Rodrigo Branco, Press-Release
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Festival underground em São Paulo marca a consolidação de um novo cenário no meio Rock brasileiro, o Folk Metal é uma realidade e atrai cada vez mais fãs aos eventos com bandas nacionais e shows internacionais do estilo.

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IAN ANDERSON, cantor, compositor e multi-instrumentista do JETHRO TULL é uma figura peculiar no mundo do Rock. O músico escocês, que está vindo mais uma vez tocar no Brasil, em maio, criou um estilo que se tornou único, inconfundível.

Anderson é o que podemos chamar de ancestral de uma vertente do Rock/Heavy Metal que está no auge atualmente, a que mistura temas medievais, celtas, vikings, com instrumentos típicos do passado, evocando deuses antigos, cultos pagãos, em meio ao peso das guitarras.

Esta vertente, ou subgênero, quase sempre classificado como Folk Metal, por explorar temas folclóricos de tais povos europeus, também recebe títulos como Celtic Metal, Viking Metal, Pagan Metal, entre outros, de acordo com características específicas encontradas em cada um dos grupos, que podem ser relacionadas à temática das letras, ao estilo sonoro, visual, ou todas elas reunidas e as vezes misturando influências de diferentes culturas.

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Esta volta às raízes musicais vem dos anos 60, com o surgimento do Rock Progressivo e suas aspirações eruditas, sejam musicais ou literárias. Bandas como YES, GENESIS, GENTLE GIANT, EMERSON, LAKE & PALMER, foram beber em fontes clássicas, dando à sua música nuances medievais, barrocas, com belos dedilhados de violão e temas que nos remetiam diretamente ao passado, como se ouvissemos a trilha sonora de um filme épico de batalhas. Vale lembrar ainda de grupos com maior influência de Folk Rock, tais como RENAISSANCE, FAIRPORT CONVANTION E THE PENTANGLE. No Jehtro Tull, Anderson nos deu sonoridades de floresta, de natureza e taverna, se tornando ele próprio o menestrel, o bardo, contador de histórias, com sua voz anasalada que também lembra um duende.

Se hoje estão em evidência temas nórdicos, saudações aos deuses Odin, Thor, Tyr, nomes como Asgard, Midgard, Ragnarök povoam os títulos das letras, não se pode esquecer que o Jethro Tull já falava em Cold Wind to Valhalla em 1975. Outra influência que vem desta época e ajudou a criar a nova vertente foram os contos de J.R.R.Tolkien, os quais estas e outras bandas adoravam citar, tais como o LED ZEPPELIN, RUSH E MARILLION. Vale aqui lembrar também que toda a obra do escritor inglês é inspirava na cultura e mitologias celta e germânica.

No Metal propriamente dito, os americanos do MANOWAR foram pioneiros nas letras sobre guerreiros e evocação aos deuses nórdicos, ainda que o som do grupo não variasse tanto do tradicional Heavy Metal. Já o sueco BATHORY pode ser chamado de avô do Viking Metal, uma vez que a banda praticava um tradicional Black Metal nos anos 80 e foi aos poucos deixando de lado a temática satânica para entrar de cabeça nos temas pagãos escandinavos, no início da década seguinte, assim como a sonoridade do grupo foi sendo lapidada por esta influência.

Porém, quem fez a fusão definitiva dos estilos e pode ser considerada a primeira banda definitivamente de Folk Metal, são os ingleses do SKYCLAD. Formado em 1990, o grupo mergulhou fundo nos temas celtas, apoiados por flautas e violinos, com clara influência de... Jethro Tull, lógico.

Em meados da década de 90, com relançamentos da obra de Tolkien em todo o mundo, inclusive em português, uma nova onda de interesse por temas relacionados tomou conta do mundo, HELLOWEEN e principalmente BLIND GUARDIAN, sofreram influência, ajudando a impulsionar grupos como o italiano RHAPSODY, que surgiu fazendo Power Metal temático, recheado de referências típicas de jogos de RPG, castelos, dragões, espadas e guerreiros. Tendência que ganhou ainda mais força com o sucesso dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis, alguns anos depois.

No Brasil, a curitibana DRAGONHEART seguiu por caminhos parecidos, lançando excelentes trabalhos com inspiração medieval, assim como outros grupos começaram a investir em temáticas folclóricas. O grande destaque surgiu com o TUATHA DE DANANN, cujo trabalho traz claras referências a Jethro Tull e Skyclad, seus antecessores naturais. A qualidade do trabalho do grupo mineiro logo se destacou e eles despontaram, em meados da década passada, como o próximo grande nome do Metal no Brasil, com shows lotados por aqui e destaque internacional, porém, como costuma acontecer com freqüência por estas terras, o grupo passou por problemas internos, culminando na saída recente do vocalista Bruno Maia, espécie de Ian Anderson do Tuatha, que agora concentra suas forças no projeto BRAIA, o qual começou ainda na época em que estava na banda.

Assim, vimos a popularização de grupos cada vez mais especializados em seus temas, seja medieval, celta, viking ou uma mistura deles. Da leveza do LUAR NA LUBRE, grupo de Folk tradicional formado na década de 80, ao peso do AMON AMARTH. Este último, começou como Death Metal (ainda se definem assim), mas suas letras com o tempo passaram a ser 100% sobre temas vikings, sendo que o nome da banda também vem da obra de Tolkien. A banda sueca foi uma das primeiras no estilo a fazer show no Brasil, em 2009. Antes, já havíamos visto o pioneiro Martin Walkyer, criador do Skyclad, que fez um show memorável em SP, devidamente comentado no seguinte link do blog - Guerreiros, espadas, fadas e duendes.

No ano passado dois acontecimentos consolidaram uma nova cena em São Paulo, o surpreendente sucesso do show da banda finlandesa KORPIKLAANI, um dos maiores nomes do Folk Metal mundial, assim como a realização do primeiro evento totalmente voltado ao tema, o THORHAMMERFEST, que também recebeu centenas de fãs do estilo, reunindo não apenas bandas, mas investindo em decoração e bebidas típicas, como o hidromel que era consumido pelos vikings, assim como encenação de lutas por um grupo especializado em reconstituições históricas, com armaduras, elmos, escudos, espadas e roupas da época.

A partir de então, outros eventos do gênero passaram a acontecer, evidenciando uma moda que será passageira, como todas as outras, mas que fortalece aos grupos e gera novas oportunidades. Em 2011, já tivemos o grupo suíço ELUVEITIE, que fez um ótimo show, lotado, em SP, e foi destaque em grandes veículos de mídia, jornais e televisão. Para o mês de maio teremos show de outra grande banda finlandesa, o FINNTROLL. Também circula a informação que existem negociações adiantadas para novos shows do Korpiklaani no final do ano.

Outro destaque acontece neste final de semana quando teremos a segunda edição do pioneiro Thorhammerfest, que este ano cresce, trazendo o grupo alemão WALDWIND, além das bandas brasileiras DELENDA ARCANA, BARBARIAN WARRIORS IN SEARCH OF WISDOM e IRON WOODS. O evento ocorre no Manifesto Bar, no domingo, 20/02, às 18 horas.

Além dos já citados, alguns nomes destacados no cenário nacional são: Olam Ein Sof, Taberna Folk, Skaldic Soul, Hugin Munin, Miastenia, Mithological Cold Towers, Folklord, Opus Tenabrae, Lóchrann, Tiwaz.

Já entre os nomes internacionais: Tyr, In Extremo, Otyg, Thyrfing, Cruachan, Suidakra, Manegarm, Moonsorrow, Falkenback, Ensiferum, Glitertind, Corvus Corax, Odroerir, Elvenking, Heidevolk, Blackmore’s Night e muitos outros.

HAIL!

Mais infos em:
http://www.myspace.com/thorhammerfest




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