Armored Saint

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Por Haggen Kennedy

Como todos sabem, os anos oitenta receberam o nome de "The Metal Years" pela grande quantidade de bandas heavy metal que surgiam todos os dias por todos os lados do globo.

O movimento NWOBHM só veio a confirmar que aqueles anos da década de oitenta seriam o começo de todo um estilo de vida que certamente se manterá para sempre. O Armored Saint, apesar de não ser inglês, pode muito bem ser incluído na lista de grupos que se encaixaram perfeitamente no movimento que pregava muito metal, aço, guerras e sangue.

Oriundo da cena metal de Los Angeles, o Armored Saint teve como primeiros membros o vocalista John Bush, os guitarristas David Prichard e Phil Sandoval, o baixista Joey Vera e Gonzo na bateria. Foi após terem se apresentado quase exaustivamente no circuito do começo de 80 por LA que finalmente conseguiram um pequeno contrato com a Metal Blade Records, e assim gravaram o primeiro disco da carreira no exato ano de 1983. Bem, na verdade, o disco foi um EP de nome "Armored Saint", mesmo. Apesar de só possuir três músicas, o público metaller do local teve sua atenção chamada para o grande potencial da banda, que se sentiu na obrigação de aumentar o número de apresentações em função de que conseguissem maior influência na cena metálica da cidade.

No ano seguinte, podia-se dizer que o grupo já tinha tudo para decolar. Infelizmente, não aconteceu. Não se sabe ao certo porque razão os músicos da banda decidiram assinar com a Chrysalis Records, selo pequeno que não poderia lançá-los ao mercado metal mundial. Mesmo assim, deram o melhor de si e mandaram ver no próximo disco que teria o nome de "March of the Saint". Foi aí que a banda finalmente saiu do underground para encarar uma cena um pouco maior. Ainda que não tivessem conseguido de cara reconhecimento mundial, já tinham ao menos projetado o nome da banda a um público mais abrangente, finalmente saindo dos Estados Unidos.

Foi com o "March of the Saint" que a banda deixou clara sua intenção em tratar de temas fielmente épicos e relativos à grande Idade Média. A começar pela própria capa do disco, muito bonita, que mostrava cinco guerreiros enfileirados em frente a um castelo que repousava no cume de uma montanha esverdeada por suas matas intocadas pelo progresso do homem. Dali viria grande parte da influência das bandas que hoje se usam de temas como Escócia e guerras da Idade Média para escrever seus discos. Um lugar de destaque é ocupado pelo Grave Digger que, apesar de não ser uma banda nova, não tem muito tempo que se usa destes assuntos em seus discos.

Em 1985, após uma breve turnê, lançaram outro álbum de nome "Delirious Nomad" ainda pela Chrysalis. Este é considerado o pior lançamento do Armored Saint. Parecia que a banda tinha perdido o interesse pela célebre Idade Média e investiram mais em torno de temas variados, ao contrário da fórmula usada no disco antecessor.

Como o disco não fora bem aceito tanto pelos fãs como pela crítica especializada, resolveram voltar atrás e lançaram "Raising Fear" em 1987, considerado um puta disco de metal com grande aceitação dos fãs em geral. Apesar de não ser um álbum conceptual, pode-se encontrar verdadeiras pérolas do heavy metal tradicional como "Chemical Euphoria", "Isolation", "Frozen Will" e a faixa título. Neste disco, Phil Sandoval não está mais na banda, o que levou os membros do grupo a gravarem as músicas com apenas uma guitarra, pois não quiseram colocar um substituto em seu lugar em detrimento de acharem que isso poderia distorcer o modo como queriam soar.

Bem, uma extensa turnê de quase dois anos é feita após o lançamento do álbum, onde a banda se apresenta em vários países da América do Norte e Europa tocando em quarteto mesmo, com apenas uma guitarra. Nessa época, entretanto, a banda apresenta alguns problemas com sua gravadora, a Chrysalis Records, e decidem voltar para a Metal Blade, gravadora que tinha lançado o primeiro single do grupo. De qualquer modo, desta última turnê sairia o álbum "Saints Will Conquer", em 1989, que prova ser um autêntico espetáculo metal. Muita energia e garra são freqüentemente sentidas em todas as 7 faixas ao vivo deste maravilhoso disco. Aliás, esse disco conta ainda com uma oitava faixa nunca antes lançada pela banda chamada "No Reason To Live".

Depois do lançamento do disco ao vivo, a banda enfrentou vários problemas, sendo que um deles foi a perda por falecimento do guitarrista Dave Prichard, que formara a banda e lá permaneceu até seus últimos momentos. Nessa época, todos no grupo chegaram a enfrentar vários problemas pessoas e similares deixando um vácuo de imensos três anos sem nenhuma novidade. Por grande pressão dos fãs e até da gravadora, em 1991 eles se reúnem e, por incrível que pareça, apesar da morte do antigo guitarrista, lançam uma das maiores obras primas do metal tradicional de todos os tempos, o super "Symbol Of Salvation". Para as guitarras, chamaram Jeff Duncan que completou o quinteto. "Quinteto? Não era um quarteto?". Pois é, a outra surpresa é que Phil Sandoval juntara novamente forças com o Armored Saint – que, na verdade, era sua casa – e mandou ver no novo álbum. Apesar do mesmo "Symbol of Salvation" não poder contar com o nome de Dave na line-up, o mesmo ainda conseguiu gravar o primeiro solo de "Tainted Past", que é uma das melhores músicas do disco.

A bem da verdade, o disco todo é simplesmente fantástico. Desde a primeira faixa, "Reign Of Fire" até a última "Spineless", vai tudo às mil maravilhas. O problema é que, infelizmente, depois do sucesso absoluto deste disco, a banda resolve se separar. John Bush vai seguir carreira no Anthrax e Joey Vera vai para a banda progressiva Fates Warning, fazendo com que a banda encerre suas atividades.

O tempo passou, mas os discos inesquecíveis que a banda gravou foram deixados como legado para a geração que viria. Aliás, muito provavelmente, foi por esta nova geração que não conheceu o Armored Saint na ativa que o grupo resolveu voltar para estraçalhar novamente o ouvido dos menos atentos com seu heavy metal de qualidade. Recentemente, a mesma line-up do "Symbol of Salvation" reuniu-se novamente para decidir sobre o futuro do Armored. Começaram, então, a compor material para um provável novo disco, mas o mundo ainda permanece na espera do novo petardo do grupo.

Resta cruzar os dedos e torcer para que o próximo disco seja tão ou mais maravilhoso que seu antecessor.


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