MP3: A história do formato até a popularização

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Por P. F. Neiklot
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Tudo começou há mais tempo do que muitos imaginam. Foi em meados da década de 80, quando uma empresa alemã se predispôs à árdua tarefa de criar uma compactação de áudio usando baixas taxas de compressão, baseando-se na manipulação da escuta humana.

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Depois de três anos de desenvolvimento, a Fraunhofer IIS-A registrou a patente em 1989, na Alemanha. Em 1992, o formato foi aceito pela International Standards Organization (ISO, ou Organização Internacional de Padrões) e integrado ao Moving Picture Experts Group (MPEG), o padrão para compressão de vídeo, áudio e sistemas.

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Em janeiro de 1995, o Moving Pictures Experts Group Audio Layer III, ou simplesmente MP3, foi patenteado nos Estados Unidos e dois anos depois a Fraunhofer procurou alguns produtores de software independentes e milhares de encoders (rippers, ex.: audiograbber) e decoders (players, ex.: winamp) foram aparecendo. E sendo que, como a Fraunhofer detinha a patente do algorítmo, qualquer empresa que quisesse produzir seus programas baseando-se no MP3, teriam que conseguir licença junto à própria.

Em 1997, Tomislav Uzelac, da AMP (Advanced Multimedia Products), criou o primeiro "Tocador de MP3" e o batizou de AMP.

Logo em seguida, dois estudantes universitários americanos, Justin Frankel e Dmitry Boldyrev, pegaram a AMP Engine usada no AMP Player, adicionaram uma interface para windows e criaram o conhecidíssimo "Winamp."

Quando o Winamp foi oferecido gratuitamente na Internet, a loucura do MP3 começou. No começo de 1999, algumas gravadoras disponibilizaram músicas na Internet antes de seu lançamento nas lojas, o que estimulou a criação de incontáveis ferramentas para codificar e decodificar MP3.

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Os mecanismos de busca facilitavam a procura de qualquer música específica. Não havia programas de compartilhamento de arquivos, como o Napster, até então. MP3s eram encontradas por toda a parte na Internet e nenhuma gravadora pensou no estrago que isso causaria anos depois.

Então surge o "Napster."

Quando o Napster apareceu na Internet, em 1999, tornou-se possível qualquer pessoa, com qualquer tipo de conexão, achar qualquer música e baixá-la em poucos minutos. Conectando múltiplos usuários entre si, Napster criou uma comunidade virtual que cresce sem parar até hoje.

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O Napster com certeza será lembrado mais do que qualquer outro Software de MP3 que já foi feito. E isso tem uma razão óbvia, pois além de ter sido o primeiro, também tornou-se o mais famoso por um simples motivo: a ganância de algumas pessoas.

As MP3 eram trocadas livremente sem que ninguém fizesse nenhuma objeção, até que uma gravadora, unida à algumas bandas, dentre elas o Metallica, resolve tentar acabar com a festa musical na Internet.

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Depois de muitos "Fuck You" ditos por Hetfield e companhia para os fãs que queriam ouvir a música deles de graça, o resultado não poderia ter sido outro: as MP3 popularizaram-se mais ainda, e enquanto a batalha do Napster corria na justiça, outros milhares de programas, exatamente como ele, foram criados.

A troca de arquivos online continua desenfreadamente e não vai parar tão cedo. Não que eu apóie a quebra dos direitos autorais, mas tentar acabar estes formatos é absurdo. Não vejo nada demais em ter meus CD originais todos gravados em MP3 no meu PC, todos nós temos que concordar que é muito mais prático.

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Sempre comprei CDs originais, mesmo no clímax da festa musical. Todos que têm condições de acessar a Internet, supostamente têm condições de comprar um CD original e muitas das pessoas que eu conheco, agiram exatamente como eu: baixavam o CD na Internet e caso gostassem compravam o original, mesmo não concordando com o preço absurdo deles.

Depois do rebuliço causado pelas gravadoras e suas bandas aliadas, O MP3 tornou-se parte do dia-dia de muitos Internautas. E muita gente soube aproveitar-se disso, como é o caso da Rio, que fabricou os primeiros MP3 Players Portáteis. A Fasttrack desenvolveu um sistema, conhecido com peer-to-peer (pessoa para pessoa) que possibilita a troca não só de MP3, e sim jogos, filmes e software piratas.

A indústria fonográfica, ao invés de ter criado todo esse escândalo, poderia ter se aproveitado do formato. Há inúmeras possibilidades, como por exemplo, o lançamento de novas bandas ou novos estilos musicais.

Eu particularmente, comecei a gostar do estilo de música que gosto hoje (Heavy Metal) depois de um amigo enviar-me uma MP3 de ninguém menos que o Metallica. Aí depois conheci outras bandas mais sérias e que adequam-se mais ao estilo, e em um intervalo de menos de três anos comprei muitos CDs, e digo muitos mesmo. Se por acaso meu amigo não tivesse me enviado aquela MP3 do Metallica eu poderia não ser fissurado por música hoje. Isso é uma coisa a se pensar.

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