MP3: A história do formato até a popularização
Por P. F. Neiklot
Postado em 17 de abril de 2002
Tudo começou há mais tempo do que muitos imaginam. Foi em meados da década de 80, quando uma empresa alemã se predispôs à árdua tarefa de criar uma compactação de áudio usando baixas taxas de compressão, baseando-se na manipulação da escuta humana.
Depois de três anos de desenvolvimento, a Fraunhofer IIS-A registrou a patente em 1989, na Alemanha. Em 1992, o formato foi aceito pela International Standards Organization (ISO, ou Organização Internacional de Padrões) e integrado ao Moving Picture Experts Group (MPEG), o padrão para compressão de vídeo, áudio e sistemas.
Em janeiro de 1995, o Moving Pictures Experts Group Audio Layer III, ou simplesmente MP3, foi patenteado nos Estados Unidos e dois anos depois a Fraunhofer procurou alguns produtores de software independentes e milhares de encoders (rippers, ex.: audiograbber) e decoders (players, ex.: winamp) foram aparecendo. E sendo que, como a Fraunhofer detinha a patente do algorítmo, qualquer empresa que quisesse produzir seus programas baseando-se no MP3, teriam que conseguir licença junto à própria.
Em 1997, Tomislav Uzelac, da AMP (Advanced Multimedia Products), criou o primeiro "Tocador de MP3" e o batizou de AMP.
Logo em seguida, dois estudantes universitários americanos, Justin Frankel e Dmitry Boldyrev, pegaram a AMP Engine usada no AMP Player, adicionaram uma interface para windows e criaram o conhecidíssimo "Winamp."
Quando o Winamp foi oferecido gratuitamente na Internet, a loucura do MP3 começou. No começo de 1999, algumas gravadoras disponibilizaram músicas na Internet antes de seu lançamento nas lojas, o que estimulou a criação de incontáveis ferramentas para codificar e decodificar MP3.
Os mecanismos de busca facilitavam a procura de qualquer música específica. Não havia programas de compartilhamento de arquivos, como o Napster, até então. MP3s eram encontradas por toda a parte na Internet e nenhuma gravadora pensou no estrago que isso causaria anos depois.
Então surge o "Napster."
Quando o Napster apareceu na Internet, em 1999, tornou-se possível qualquer pessoa, com qualquer tipo de conexão, achar qualquer música e baixá-la em poucos minutos. Conectando múltiplos usuários entre si, Napster criou uma comunidade virtual que cresce sem parar até hoje.
O Napster com certeza será lembrado mais do que qualquer outro Software de MP3 que já foi feito. E isso tem uma razão óbvia, pois além de ter sido o primeiro, também tornou-se o mais famoso por um simples motivo: a ganância de algumas pessoas.
As MP3 eram trocadas livremente sem que ninguém fizesse nenhuma objeção, até que uma gravadora, unida à algumas bandas, dentre elas o Metallica, resolve tentar acabar com a festa musical na Internet.
Depois de muitos "Fuck You" ditos por Hetfield e companhia para os fãs que queriam ouvir a música deles de graça, o resultado não poderia ter sido outro: as MP3 popularizaram-se mais ainda, e enquanto a batalha do Napster corria na justiça, outros milhares de programas, exatamente como ele, foram criados.
A troca de arquivos online continua desenfreadamente e não vai parar tão cedo. Não que eu apóie a quebra dos direitos autorais, mas tentar acabar estes formatos é absurdo. Não vejo nada demais em ter meus CD originais todos gravados em MP3 no meu PC, todos nós temos que concordar que é muito mais prático.
Sempre comprei CDs originais, mesmo no clímax da festa musical. Todos que têm condições de acessar a Internet, supostamente têm condições de comprar um CD original e muitas das pessoas que eu conheco, agiram exatamente como eu: baixavam o CD na Internet e caso gostassem compravam o original, mesmo não concordando com o preço absurdo deles.
Depois do rebuliço causado pelas gravadoras e suas bandas aliadas, O MP3 tornou-se parte do dia-dia de muitos Internautas. E muita gente soube aproveitar-se disso, como é o caso da Rio, que fabricou os primeiros MP3 Players Portáteis. A Fasttrack desenvolveu um sistema, conhecido com peer-to-peer (pessoa para pessoa) que possibilita a troca não só de MP3, e sim jogos, filmes e software piratas.
A indústria fonográfica, ao invés de ter criado todo esse escândalo, poderia ter se aproveitado do formato. Há inúmeras possibilidades, como por exemplo, o lançamento de novas bandas ou novos estilos musicais.
Eu particularmente, comecei a gostar do estilo de música que gosto hoje (Heavy Metal) depois de um amigo enviar-me uma MP3 de ninguém menos que o Metallica. Aí depois conheci outras bandas mais sérias e que adequam-se mais ao estilo, e em um intervalo de menos de três anos comprei muitos CDs, e digo muitos mesmo. Se por acaso meu amigo não tivesse me enviado aquela MP3 do Metallica eu poderia não ser fissurado por música hoje. Isso é uma coisa a se pensar.
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