Ricardo Confessori - "O Ritual continua!"

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Ricardo Confessori - "O Ritual continua!"


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Depois de meses de informações desencontradas eis que o Shaaman acabou. Acabou como o conhecemos, com Andre, Luís, Hugo e Ricardo. Os três primeiros estão envolvidos na empreitada solo que leva o nome de Andre, além do envolvimento de Hugo e Luís no Henceforth. Ficou nítido que houve um racha entre os três citados e o baterista Ricardo Confessori. Agora temos um fato, Ricardo vai continuar com o Shaman (ele não usa o nome com dois "A") e está preparando material novo. Conversamos via email com o baterista e procuramos apresentar toda a gama de informações que ficaram no ar durante esses quase seis meses para ouvir sua versão.

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A primeira pergunta não poderia deixar de ser referente ao presente: o que você tem feito agora musicalmente falando? Algum projeto está sendo desenvolvido?

Ricardo Confessori - Tenho trabalhado bastante em novas composições em meu estúdio. São idéias que estarão no meu próximo trabalho, para o ano que vem, Tenho excursionado com meus workshops pelo Brasil, fui à Venezuela também, já são quase 30 que realizei só esse ano, e é incrível como cada vez mais o número de bateristas presentes cresce nos eventos. Estou sempre divulgando o Shaman e meu trabalho paralelamente. Como produtor estou produzindo três bandas no momento: Caballah (São Paulo) e Odisseiah (Manaus), que também estão gravando em meu estúdio, o Plug In, além do Satisfire, uma banda do Sul, de thrash metal, que começou a gravar em dezembro no Via Musique Studio.

Em um de seus comunicados aos fãs, você disse claramente que "o Ritual não acabou". Isso deixa em aberto um possível retorno do Shaman à ativa. Quem seriam os músicos envolvidos?

Ricardo Confessori - O retorno será inevitável. O Shaman foi tudo em que investi na minha vida. Sinto como se todas as bandas que passei tivessem sido um aprendizado para chegar até aqui. No Shaman foi onde, além de tocar batera, houve composições minhas, que desenvolvi sozinho e que se tornaram sucessos entre nossos fãs, e de fato, ouvi-los cantar mudou minha maneira de ver a música e a banda. É como se tivesse caído a ficha finalmente que estou totalmente sintonizado com a galera que escuta e que sei o que querem ouvir. Quanto aos novos integrantes, ainda não é o momento de anunciar, mas em breve o farei.

E afinal, porque houve essa separação envolvendo você de um lado e Andre, Hugo e Luís do outro?

Ricardo Confessori - Isso é uma coisa que você deve perguntar a eles. Até agora o que sei é que, do lado deles, simplesmente não havia mais o desejo de dividir o palco comigo, porém as verdadeiras razões, além daquelas tais como "o tempo desgastou a relação" nunca fiquei sabendo.

Ricardo, é impossível não tocar nesse ponto, não ter a ruptura musical do Shaman como foco da entrevista, afinal foram mais de seis meses sem notícias concretas, e as especulações surgiram aos borbotões na imprensa. Você não acha que isso tudo foi mal conduzido pela banda, que poderia divulgar algo e deixar a galera menos apreensiva?

Ricardo Confessori - Se dependesse de mim, sim, teria conduzido diferentemente a situação. Mas como já disse, demorou para "cair a minha ficha" por não pensar que houvesse razões suficientes para que nós não voltássemos após um curto tempo de férias.

Inicialmente divulgou-se que você poderia deixar a banda. Inclusive alguns shows foram especulados como sua despedida, com você chegando em separado dos outros. Claro que tudo são boatos, fatos, mas naquela época que precedia o final dos shows da "Reason Tour" como estava o clima dentro da banda?

Ricardo Confessori - O clima era de incerteza, é o que eu diria. Os boatos estavam rolando soltos, e eu só tentando achar respostas para as perguntas das pessoas, respostas essas que mesmo eu desconhecia. A um certo momento não havia mais comunicação entre nós, simplesmente fazíamos os shows. O lado bom é que foram pouquíssimos shows nesse clima, então eu não me sinto mal com isso.

Algo que é difícil compreender é esse processo abrupto. O Shaman surgiu, lançou seu primeiro CD, fez quase 150 shows, lançou um CD ao vivo, continuou fazendo shows, lançou o segundo CD, fez mais shows e acabou por separar-se. O que na sua opinião deu errado? Seria uma necessidade extrema de buscar a notoriedade e o sucesso que vocês já traziam por serem ex-membros do Angra?

Ricardo Confessori - Como eu disse antes, você deve fazer essa pergunta para Luis, Andre e Hugo. Na minha opinião a banda ainda poderia estar junta, mas não está! O sucesso nunca me moveu. Sempre busquei o desafio, superar meus limites, investir em relacionamentos duradouros, construir. Pular de galho em galho é mais fácil que manter uma coisa pra sempre, atravessar dificuldades e superá-las. Não consigo enxergar motivo para termos parado de tocar juntos. Tudo sempre foi feito de maneira igual pra todos. Ninguém tinha desvantagens nem vantagens. Todos opinavam igual, ou seja, era tudo perfeito. Mas agora eu acho que era como eu via a banda, e não os outros.

Muito se falou que você adoeceu durante a turnê e que queria mais tempo para relaxar e dedicar-se a projetos menos puxados. Até que ponto isto é verdade?

Ricardo Confessori - Sim , tive um problema com meu ouvido, mas isso nunca me impediu de fazer nada. Durante o começo da banda em 2000 até 2004, fui o administrador e fazia o corre-corre para o grupo, principalmente o burocrático. Depois disso resolvi que mais alguém deveria faze-lo, que eu já tinha feito minha parte, o empurrão inicial pra banda decolar.

Me lembro de um trecho de entrevista do então formado Shaman aonde Luís dizia que "se o Angra durou 10 anos, nós duraremos mais de 20". Quem errou? Todos erraram ou apenas algumas pessoas não souberam manter a banda unida?

Ricardo Confessori - Posso dizer que fiz tudo que pude para chegarmos até aqui, ou melhor, fiz mais do que pude. Agora é tocar a bola pra frente, existem muito músicos talentosos no Brasil, idealistas e, como já disse, o Ritual Continua...

Finalizando essa parte da entrevista, como está seu relacionamento com os outros membros? As supostas brigas "físicas" entre você e os outros membros chegaram a acontecer?

Ricardo Confessori - A ultima vez que briguei fisicamente com alguém foi há mais de 25 anos, no ginásio. Tudo isso são boatos tolos. Estamos nos falando, resolvendo nossas pendências, e espero que futuramente possamos tomar uma cerveja.

Vamos agora falar do futuro. Seus ex-companheiros estão trabalhando num CD da carreira solo do vocalista Andre Matos. Em que você acha que pode resultar tal projeto, musicalmente falando?

Ricardo Confessori - Pode resultar numa boa banda, depende de quanto eles trabalharem pra isso.

Esta mesma banda solo fez um show "surpresa" no Live N Louder Rock Fest 2006. As músicas novas mostraram um conteúdo muito similar ao que o Shaman praticou em "Reason". Quais seriam então as diferenças musicais entre vocês e como você pretende desenvolver a sonoridade de seu novo projeto?

Ricardo Confessori - Estou fazendo o que sempre fiz, mas nada de "Reason" daqui pra frente, pois esse CD conteve muitas composições do Hugo que não me agradaram, e deram essa cara meio "moderninha" e "ADIDAS", e não pretendo repetir isso. Daqui pra frente será metal ,com as minhas influências na batera, com swing, idéias que sempre me destacaram tanto no Angra como no Shaman. É isso que a galera pode esperar, metal na veia, debulho de guitarra, de batera, de vocal...

Já há músicas compostas? Como elas estão soando? Há datas para lançamentos ou shows definidos?

Ricardo Confessori - Sim, estamos trabalhando para finalizar tudo e lançar no ano que vem, no 1º semestre.

Entrando no ponto pessoal da questão, como você está se sentindo agora? Sente que a decisão foi acertada? Até que ponto a tão falada amizade entre os membros do Shaman foi afetada?

Ricardo Confessori - Na verdade isso não importa mais, tenho novos companheiros e a amizade está rolando entre a gente, o que me deixa feliz. Com um clima legal, as músicas saem facilmente, e tudo fica mais fácil

Curiosamente se você reformar o Shaman teremos três bandas com uma proposta sonora bem parecida: o heavy tradicional e pesado; o Angra (que lançou novo CD recentemente), o suposto Shaman com nova formação e a banda solo de Andre Matos. Não soa estranho e contraditório, já que o motivo que levou às rupturas foi estritamente musical?

Ricardo Confessori - Nunca foi estritamente musical, e isso foi exaustivamente dito nas duas separações. Há espaço para todas as bandas, quanto mais bandas existirem, mais o movimento cresce e mais pessoas ouvem falar e começam a gostar. Isso é bom para a cena, e pode acreditar, a cena metal no Brasil cresce a cada dia por causa disso, por todas essas portas que Angra e Shaman abriram no Brasil, você sabe do que estou falando.

Você tem feito poucos workshops este ano. Existem planos para tal?

Ricardo Confessori - Não na verdade é o contrário, fiz mais de 20, você deve estar mal informado (NOTA: Ele está absolutamente certo, falha deste que vos escreve). No meu site você pode conferir as datas e ver fotos. Vou continuar fazendo, agora estou com um novo patrocínio de bateria, que é a Premier, e estou divulgando bem essa marca, além dos meus outros patrocinadores, que os interessados podem conhecer também no meu site.

E sua saúde? Como você anda fisicamente? Fala-se de que você estava perdendo rendimento em sua performance devido a tais problemas. Como você analisa tais informações?

Ricardo Confessori - Minha saúde vai bem obrigado. Não sei de onde vêm essas informações, então não as analiso! Só posso dizer que estou nadando dois mil metros três vezes por semana, acho que isso não é mal, é? Minha pegada continua forte, ainda não apelei pros "triggrers" na batera, isso quer dizer que apesar de estar chegando a "quarentão", estou em melhor forma do que nunca!

O que podemos esperar do Ricardo Confessori no futuro? Você sempre teve um lado compositor, e agora pode expandi-lo com uma nova banda.

Sempre estive expandindo esse meu lado, em qualquer situação. A prática faz você melhorar e a inspiração também é muito importante. Tenho vivido ótimos momentos e por isso não tem faltado inspiração. No meu novo trabalho estou voltando às minhas origens na batera, criando baterias como as de antigamente, na fase Angra. São muitas surpresas, e eu pretendo revolucionar de novo com esse novo CD. Pra mim ele tem que se tornar uma referência para bateristas, assim como o "Holy Land" (Angra) foi, e estou trabalhando duro para isso.

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Ricardo, muito obrigado pela entrevista, e desculpe o excesso de perguntas sobre um assunto que eu julgo ser delicado e ao mesmo tempo desconfortável para você. Fica salientado que o objetivo da entrevista foi esclarecer vários pontos que os fãs vêm perguntando constantemente, e não fazer fofoca ou intrigas. Este espaço final é seu.

Quero agradecer ao Whiplash e dizer a todos os fãs do Shaman que o Ritual continua........ não se esqueçam!

Site Oficial: http://www.ricardoconfessori.com

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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