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Jimi Hendrix: os dez riffs que abalaram o mundo

Dias atrás, em um desses momentos de alta indagação filosófica – ou seja, sem nada para fazer – estava pensando o seguinte: até onde eu sei, MOZART nunca vendeu uma música pelo ITunes, SHAKESPEARE nunca lançou um e-book pela Amazon, MONET nunca divulgou suas exposições pelo Facebook – viveram em uma época sem marketing, distribuição, internet, gravadores caseiros ou mesmo luz elétrica- e fizeram toda a diferença, mesmo tendo se passado séculos de suas humanas existências nesse planeta.

O fato é que, apesar de vivermos em uma época efêmera - repleta de novidades de hoje, que se tornarão obsoletas na próxima quarta-feira - algumas obras e seus respectivos criadores ficarão vagando por aí eternamente. Quando usamos o termo “clássico” estamos tentando traduzir a idéia de atemporalidade e de transcendência: isso faz que com que PLATÃO ou os BEATLES permaneçam pairando no campo das idéias, intocáveis e etéreos.

Nessa nobre e rara categoria, JIMI HENDRIX fez de tudo e mais um pouco e cravou seu nome no Trono de Salomão do rock ´n roll. Alguns vieram antes, muitos depois, mas HENDRIX permanece como um divisor de águas, um monolito que referencia toda experiência estrambólica de JOE SATRIANI até o mais tosco guitarrista de garagem. Se o conhecimento de fundamentos fez de PELÉ o atleta do século, as mãos lisérgicas do mestre esculpiram um busto de bronze no campo dos riffs e solos de guitarra.

Apenas por um exercício de servidão e reverência, postei abaixo os dez riffs de HENDRIX que historicamente contribuíram nesse contexto, sem nenhum tipo de ordem de preferência. É válido lembrar que a partir de CLAPTON, RICHARDS e HENDRIX, os riffs tomaram o lugar de direito como fios condutores de canções, ou seja, se tornaram mais do que breves referenciais dentro de uma composição. Ainda, não me ocupei do teor das músicas abaixo, tampouco seus solos – apenas dessa partícula essencial que as alçou ao patamar de clássicos:

“Foxy Lady”: nada mais simples do que um riff alternando corda grave e “double stops”- cordas tocada juntas simultaneamente certo? Errado, se fosse fácil eu teria inventado. Destaque para microfonia no interlúdio da música que dá um tremendo clima de preparação para o riff.

“Fire”: figurinha fácil em jam sessions, seu riff em oitavas paralelas veio na bagagem de HENDRIX no mesmo disco voador em que ele chegou a Terra.

“Purple Haze”: o riff capital do rock n´ roll, sustentado no “acorde Hendrix”- mi com sétima a nona maior – que o guitarrista tomou emprestado do jazz e jamais devolveu.

“The Wind Cries Mary”: riffs cromáticos - sem o intervalo de um tom inteiro - se tornaram comuns DEPOIS desse - mágico!

“Little Wing”: exemplo de “canção riff” e, a exemplo da intro de “Stairway To Heaven”, o sonho de todo iniciante na guitarra.

“Castlle Made of Sand”: cru igual a sushi é feito em cima de uma penta menor, ao melhor estilo que FRUSCIANTE adotaria vinte anos depois.

“Highway Chile”: feito em bends simultâneos em duas cordas, esse riff foi surrupiado e consta no espólio da NWOBHM.

“Voodoo Child”: se alguém ainda não sabe, o wah-wah não teria um vigésimo da popularidade que tem se não fosse HENDRIX- simbolizado nesse riff que SLASH e ZAKK WYLDE emulam em metade das composições que fazem.

“Crosstown Traffic”: gosta de RED HOT? Já ouviu esse riff? Escute e entenderás o que estou dizendo.

“Burning of the Midnight Lamp”: psicodélico até a tampa, fez a alegria de todo mundo dessa praia, de GRATEFUL DEAD a JEFFERSON AIRPLANE.


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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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