Adrian Belew: fazendo mágica em sua primeira apresentação em SP
Resenha - Adrian Belew Power Trio (Carioca Club, São Paulo, 27/11/2016)
Por Diego Camara
Postado em 03 de dezembro de 2016
Adrian Belew se resume em uma palavra: um gênio. Mestre da guitarra, virtuoso de mão cheia e mago do som com seu experimentalismo inusitado que consegue transformar a guitarra em outros 332 instrumentos (e contando). Em sua primeira apresentação por estas bandas, era difícil saber o que se poderia esperar da apresentação. Claro, a positividade era latente e ninguém esperava pouco deste cara, que no meu ver compôs a formação mais técnica e impecável do King Crimson, que obviamente não obteve o mesmo sucesso das formações clássicas da década de 70, mas era uma formação sem pontas soltas, onde todos os músicos eram reconhecidos por seu talento extremo.
O público foi chegando timidamente, em sua grande maioria bem na hora de começar o show. Quando deu o horário, o público na casa era bastante razoável – mas poderia claramente ser melhor para um músico do gabarito de Belew. A apresentação começou com 15 minutos de atraso. Belew abriu seu show com "The Momur", música de seu primeiro álbum solo "Lone Rhino". Bastante galgada no rock clássico, a voz de Belew continua impressionantemente perfeita após mais de 30 anos.
Em sequência, tocaram "Big Electric Cat", do mesmo álbum. Apresentação impressionante de Belew, que mostrou toda a sua virtuosidade na guitarra. Do ótimo solo para as brincadeiras com a guitarra, fez o público rir com suas caretas e sua performance maluca. Encaixou esta com "Men in Helicopters" e "The Lone Rhinoceros", mostrando-se incansável em levantar o público, que aplaudia cada uma das performances.
Mas nem só de sua carreira solo viveu o show. Foram precisas poucas notas para que o público fosse a loucura com a abertura de "Dinosaur", que acompanharam com vontade, cantando junto com Belew. A música foi seguida pela mais cadenciada "One Time", puxada muito bem pelo baixo de Julie Slick, ao melhor estilo Tony Levin. Fechando a sequência, Belew trouxe "Three of a Perfect Pair" em outra grande performance, aplaudida efusivamente pelos fãs da banda. A melhor do primeiro set, porém, foi "Frame by Frame", cantada em sua íntegra pelo público presente. Fechando o primeiro set, os músicos mostraram toda sua técnica em uma sequência de improvisos encaixada em "Beat Box Guitar" – que por si só já parece um enorme improviso gravado. Um verdadeiro show de virtuosidade.
Virtuosidade, inclusive, é uma das palavras-chave deste show. O trio é de excelência, claramente escolhido a dedo por Belew. Tobias Ralph é um excelente baterista, mostrou grande técnica ao tocar os clássicos do King Crimson, e nos solos e na improvisação mostrou bastante perícia para levantar o público. Julie Slick tem uma pegada bastante especial, além de um ânimo e liberdade no palco que encantaram o público.
No segundo set, a banda voltou ainda mais animada. Abriu a apresentação com "Heartbeat" e fez o público se emocionar com a lindíssima "Walking on Air", ambas da carreira de Belew no King Crimson. "Ampersand", uma das mais bem recepcionadas da carreira solo do músico, veio em seguida e contou com uma performance estonteante de Tobias Ralph. Outros ótimos destaques ficaram para "Neurotica", com destaque para Belew e sua guitarra-sirene, e "Futurevision".
No bis, o público se animou logo que as primeiras notas de "Indiscipline" saíram do baixo de Julie Slick. Enquanto Belew não entrava no palco, Ralph sacou um excelente solo de bateria, que se prolongou bastante ainda após a chegada do mestre ao palco. A banda mostrou novamente grande sinergia, e encantou o público com a performance de uma das melhores músicas da fase Belew no King Crimson.
Em resumo da obra, a apresentação foi memorável, digna do grande rock progressivo da carreira de Belew e do King Crimson. O público até surpreendeu positivamente, pois esperava um público menor do que o apresentado, dado que a carreira solo de Belew não é tão conhecida por estas bandas brasileiras. No final, a apresentação foi excelente, o público foi ótimo e a Overload fez mais uma vez um excelente trabalho. Quem sabe não podemos sonhar com um King Crimson no Brasil em 2017?
Banda:
Adrian Belew – Guitarra, vocal e mágica
Julie Slick – Baixo
Tobias Ralph – Bateria
Set 1:
1. The Momur
2. Big Electric Cat
3. Men in Helicopters
4. The Lone Rhinoceros
5. Dinosaur (cover do King Crimson)
6. One Time (cover do King Crimson)
7. Three of a Perfect Pair (cover do King Crimson)
8. b
9. Frame by Frame (cover do King Crimson)
10. Beat Box Guitar
Set 2:
11. Heartbeat (cover do King Crimson)
12. Walking on Air (cover do King Crimson)
13. Ampersand
14. Young Lions
15. Neurotica (cover do King Crimson)
16. Of Bow and Drum
17. b3
18. Futurevision
19. e
Bis:
20. Indiscipline (cover do King Crimson)


















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