A lendária banda de progressivo que passou 22 anos sem tocar seu maior clássico
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de outubro de 2026
Mesmo quem nunca se aventurou pelo rock progressivo provavelmente já ouviu "21st Century Schizoid Man". Lançada em 1969 como faixa de abertura de "In the Court of the Crimson King", disco de estreia do King Crimson, a canção ganhou nova geração de ouvintes em 2010, quando Kanye West a sampleou em "Power". São mais de sete minutos que alternam o peso do prog com trechos ruidosos de inspiração jazzística, influenciados pela Duke Ellington Orchestra, como lembra a revista britânica Far Out.

Por cima de tudo estão os riffs de Robert Fripp, apontados como precursores do heavy metal. Em 1974, o guitarrista explicou à revista Guitar Player como construiu os solos: "É tudo palhetado para baixo e para cima. A base da técnica é atacar para baixo no tempo forte e para cima no contratempo. Depois, é preciso aprender a inverter isso. Em geral, uso a palhetada para baixo no tempo forte, exceto quando quero acentuar uma frase de um jeito específico ou criar certa tensão confundindo os acentos. Nesse caso, posso começar uma passagem com a palhetada para cima."
A letra também ajudou a manter a música atual. Escrita em meio à Guerra do Vietnã, ela critica os políticos que conduziam o conflito, e o "homem esquizoide do século 21" do título seria Spiro Agnew, vice-presidente de Richard Nixon. Num show em 1969, Fripp dedicou a canção, em tom irônico, a "uma personalidade política americana que todos conhecemos e amamos profundamente". Ao longo das décadas, a faixa foi regravada por nomes como Ozzy Osbourne, Fuzz, banda de Ty Segall, e Black Midi.
Por isso surpreende que o grupo tenha deixado seu cartão de visitas de lado. Apenas cinco anos após o lançamento, a música foi aposentada dos shows, com uma despedida no Central Park, em Nova York, em 1974. Com as sucessivas trocas de formação, os integrantes passaram a sentir que ela já não os representava, e o hiato só terminou em 1996. Antes disso, os pedidos da plateia viraram piada interna, como contou à Rolling Stone o guitarrista Adrian Belew, que entrou na banda em 1981:
"Desde o começo, onde quer que fôssemos no mundo, havia alguém gritando: 'Toca "Schizoid Man"! Toca "Schizoid Man"!'. Aquilo chegou a ser quase frustrante para nós, porque não queríamos fazer isso, e eu me lembro, em especial, de que o Robert não tocaria a música naquela época. Então virou uma piada dentro da banda: 'Se vocês não tocam "21st Century Schizoid Man", como podem se chamar King Crimson?'."
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