Overload: Cada vez mais consolidado na música alternativa
Resenha - Overload Music Fest (Carioca Club, São Paulo, 04/09/2016)
Por Diego Camara
Postado em 07 de setembro de 2016
E chegamos a terceira edição do Overload Music Fest. O que podemos dizer já de antemão deste festival que esta se consolidando na música alternativa? Sem dúvidas muito. Nesta, tivemos sem dúvidas a edição mais humilde com quatro bandas em uma única data, além da mudança de local para o Carioca Club. O festival desta vez também foi um pouco mais "mainstream" do que os anteriores, e não contou com nenhuma novidade daquelas que você diz: "tinha certeza que nunca veria um show desta banda no Brasil", o que mostra um pouco da mudança de paradigma do festival.
Apesar de parecer uma fuga do conceito inicial do festival, não podemos nos esquecer que a produtora planeja em outubro (daqui pouco mais de um mês) o Epic Metal Fest, um festival que vai trazer algumas destas bandas mais alternativas. Além disso, muitas vezes como neste caso, menos é realmente mais. Foram quatro shows de extrema qualidade, com um áudio muito bom e sem problemas técnicos, o que é extremamente louvável para uma produção pequena que tem que equipar quatro shows extremamente diferentes, com suas peculiaridades técnicas e com estilos bastante diferentes. Confira abaixo os principais highlights do festival e as fotos de Fernando Yokota.
VINCENT CAVANAGH
O vocalista do Anathema foi o responsável por abrir os shows. A apresentação começou em ponto - marca registrada de todos os shows do festival - e o público compareceu cedo para ver o show - algo muito inteligente da produtora ao fazer a ordem dos shows. Ele veio para um show acústico, apenas ele e seu violão, e utilizou os sistemas para gravar batidas e bases das músicas, o que deixou o show muito bom. O som da casa estava perfeito desde o início, e não foi difícil para o público cair nas graças de Cavanagh.
Seu setlist foi formado unicamente por uma série de sucessos do Anathema. Algumas versões não foram muito boas, como de "Untouchable", mas francamente algumas ficaram tão boas ou até melhores (aí é da opinião de cada um) do que as versões originais da banda. "Fragile Dreams" soou fantástica, "Thin Air" caiu como uma luva e foi muito bem escolhida para uma versão acústica. "Angelica" foi emocionante e encantadora, e tocou o coração dos fãs da banda. No final, antes de fechar seu show, agradeceu ao público e disse que espera em breve fazer mais shows com o Anathema pelo Brasil. Iremos ficar esperando!
Setlist Vincent Cavanagh:
Fragile Dreams
Deep
Untouchable, Part 1
Thin Air
Angelica
Eternity Part I
Distant Satellites
LABIRINTO
Primeiro contato que tive com estes caras foi na edição de 2014 do Overload. Foi um show muito bom, mas parece que estes caras andaram trabalhando duro nestes últimos dois anos. Vieram divulgar seu novo álbum "Gehenna", lançado no começo deste mês. E que som, uma apresentação assombrosa e terrificante. Estes caras tocam sobre algo que mistura o ambiente - não é difícil ter imagens na cabeça sobre o mar, sobre o ártico quando se ouve um som destes - com o próprio fim do mundo. Colocar setlist aqui é um contrassenso, estas músicas não precisam de nomes nem de palavras para se descreverem. Elas se auto-descrevem caso a pessoa esteja aberta a pensar sobbre elas.
O Labirinto é sem dúvidas uma banda que não existe par no Brasil, e existem pouquíssimos pares no exterior. Quando ouvi uma das músicas - e claro que não vou lembrar o nome dela - me soou quase como uma continuação de "Pelagial", do The Ocean (que já soa como uma continuação do "Leviathan", do Mastodon). O som destes caras continua e progride, evolui e supera. Em outra, a banda flerta com God is an Astronaut, mas sem perder seu estilo nem tentar copiar ninguém. O Labirinto é um dos pingos de originalidade num oceano de coisas iguais do metal nacional. Ouçam por si mesmos, e se espantem.
Setlist Labirinto:
Mal Sacré
Aung Suu
Enoch/Qumram
Avernus
Aludra
Alamūt
ALCEST
Em seguida veio o Alcest para sua apresentação. O show anterior da banda no Brasil, também realizado no Overload de 2014, foi marcado por problemas técnicos e por um áudio pouco satisfatório - além de um grande atraso. Não foi o que vimos aqui. A banda abriu seu show na hora e com um set do álbum "Écailles de Lune", que foi tocado na íntegra no palco do Carioca. O som da guitarra sobressaiu com vontade no início do show, e a qualidade da banda falou mais alto. A apresentação foi aplaudida pelo público com vontade. Dou destaque aqui para "Percées", com uma linda linha de baixo e um ritmo muito bem cadenciado, e para a ambientação sombria de "Sur l’océan".
Completando o set, a banda trouxe alguns dos seus outros sucessos, ainda melhores que o set de "Écailles". Gostei muito da potência da banda em "Souvenirs", com um belíssimo wall of sound que arregaçou e encheu a casa com o som da banda. Também achei linda a emoção do público na execução de "Délivrance", que fechou o show. Aqui o destaque fica para o som das guitarras, onde a banda se superou e fez uma das mais belas apresentações do festival.
Setlist Alcest:
Écailles de lune - Part 1
Écailles de lune - Part 2
Percées de lumière
Abysses
Solar Song
Sur l'océan couleur de fer
Autre temps
Les Iris
Souvenirs d'un autre monde
Là où naissent les couleurs nouvelles
Délivrance
KATATONIA
Para fechar a noite - e muitas horas de festival - o Katatonia também subiu ao palco na hora marcada. Já de primeira, a banda espantou o público e o levantou, sem perder o ânimo em momento algum do show - mostrando que eles eram realmente a banda principal e a mais esperada pelo público. À bela intro de piano seguiram belíssimas músicas, com um som perfeito. "Last Song" mostrou que Renkse estava afiado, e sua performance foi fantástica durante todo o espetáculo. "Deliberation", uma das melhores da banda, veio em seguita com sua música arrastada e as ótimas guitarras.
Fazia 5 anos que a banda não retornava ao Brasil, e parece que os fãs ficaram com isso entalado e puderam dar mostra de todo o amor pelos suecos. Foi fantástico ver o público cantar com vontade o refrão de vários dos sucessos da banda, de participar do show. Com uma nova formação, também pudemos ver pela primeira vez a participação dos novos membros da banda, o guitarrista Roger Ojersson e o baterista Daniel Moilanen. Seguros e firmes, eles mostraram ótima qualidade e foram perfeitos dentro do conjunto.
O show contou com um bis e uma apresentação bastante longa - posso estar enganado, mas foi a apresentação mais longa da história do Overload Music Fest - que soou como um presente de retorno da banda ao país depois de tanto tempo. Um show para ficar na história, sem dúvidas.
Setlist Katatonia:
Last Song Before the Fade
Deliberation
Serein
Dead Letters
Liberation
Day and Then the Shade
Teargas
Criminals
The Longest Year
Soil's Song
The Racing Heart
Nephilim
Onward Into Battle
Evidence
Old Heart Falls
Leaders
Hypnone
Buildings
In the White
Forsaker
Bis:
My Twin
Lethean
July

















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