Krisiun: detonando mais uma vez em show esgotado em SP

Resenha - Krisiun (Centro Cultural da Juventude, São Paulo, 24/11/2013)

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Por Diego Camara
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O que dizer quando uma das melhores bandas de heavy metal nacional da atualidade resolve fazer um espetáculo gratuito para os seus fãs? E quando ainda essa banda tem o prazer de trazer o seu som para a periferia da cidade? Pois o KRISIUN resolveu levar ao distante bairro da Vila Nova Cachoeirinha o som mais pesado que aquelas terras já viram. Em um fim de tarde regado ao melhor do metal extremo, a banda contou com a rapaziada no NERVO CHAOS e do MARRERO pra deixar o dia ainda mais completo.

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O local não era dos maiores, e nem mesmo dos melhores para realizar um show do gênero. Na porta do CCJ muita gente ficou aguardando na fila, torcendo para conseguir ali algum último ingresso, mesmo enquanto a primeira banda entrava no palco. Infelizmente muitos acabaram ficando de fora, pois o pequeno teatro não tinha capacidade para todos os fãs do Krisiun que vieram de longe para curtir o show. Não é bom ver gente do lado de fora que veio de tão longe, mas é difícil não ver com olhar positivo o quanto o metal nacional ainda pode mover seu público.

MARRERO

A primeira banda a entrar no palco foi o MARRERO. Trazendo um som extremamente pesado e bastante cadenciado, ao melhor estilo do heavy metal clássico, a banda realmente mostrou toda a sua técnica. Sem se deixar levar pelo nervosismo, a banda tocou um repertório repleto de suas músicas autorais, todas cantadas em alto e bem português, e arrancou aplausos dos fãs que se deixaram levar pelas ótimas melodias da guitarra de Estevan Sinkovitz. Para finalizar o show, a banda ainda detonou com um cover sombrio da era-Ozzy do BLACK SABBATH, que fez os que estavam presentes no show da banda se lembrar do espetáculo de outubro. Foram 30 minutos muito bem gastos, que valeram pra marcar uma banda que começando agora ainda pode nos surpreender bastante.

NERVO CHAOS

Difícil tecer comentários acerca do Nervo Chaos, de sua qualidade e especialmente do cult following que os segue por aí. Com 17 anos de carreira e um currículo impecável para o metal mais underground, o Nervo Chaos fez valer mais uma vez sua brutalidade. Entraram no palco exatamente as 17h30m, e não se perderam apesar do microfone estar desligado no início da primeira música. Ao contrário, os fãs e a banda não se deixaram intimidar, e estes foram os 30 minutos mais alucinantes que aquele teatro já tinha visto. Resultado disso foi a roda que se abriu no centro do palco e como vários fãs correram para tomar parte da festa.

O público incansável só deixou ainda mais animada a banda. Tocando repertório que visitou os diversos momentos da banda, do primeiro ao último disco, a banda já fez valer os ingressos. Isso foi constatado pelos gritos ávidos do público, que clamou pela banda no final do show.

KRISIUN

Foram precisos mais 30 minutos de espera para que o artista principal da noite subisse no baixíssimo palco do anfiteatro do CCJ. Com pedidos de calma da produção ao público, que não queria confusão e problemas no show – o palco baixo, o espaço pequeno e uma plateia cheia de fãs poderia ser um problema. Graças à colaboração dos fãs, porém, nada de especial ocorreu e o show pode ser realizado sem nenhum percalço.

A banda abriu o show com um ritmo alucinante já desde a primeira música, puxada pelas baquetas de Max Kolesne. A armação não poderia ser diferente na frente do palco, com uma roda gigantesca que colocou o público pra bater cabeça. Um verdadeiro arregaço!

“É um grande prazer estar de volta em São Paulo!”, disse Alex Camargo arrancando aplausos dos fãs. Sempre com a mesma simpatia de sempre, Alex não poupou mais uma vez elogios aos fãs durante todo o show. Afinal a promessa, mais uma vez de que “vamos detonar essa porra!”, sempre parece ser muito mais que fato cumprido.

Entre uma música e outra, regada pelos ótimos solos de guitarra, extremamente rápidos e precisos de Moyses Kolesne, Alex tecia seus elogios. “Sem os fãs, nenhuma banda é porra nenhuma!”, e aplausos levantavam o teatro.

Porém, se a banda consegue nas suas individualidades ser grande destaque, é nas composições de que o Krisiun não é apenas um grupo de ótimos músicos, mas uma verdadeira banda. Impulsionados por músicas como “Combustion Inferno” e “Conquerors of Armageddon”, a banda dominou a primeira parte do show e já fez valer o ingresso.

A segunda, inclusive, cantando as “hipocrisias da religião”, como disse com prazer Alex Camargo, foi uma das queridinhas do público, com a impressionante roda ganhando requintes de perfeição para os fãs do metal extremo. O empurra-empurra era o movimento no centro da pista.

A sequência final ainda não poderia ser melhor. Do barulho alucinante de “Blood of Lions”, com o solo cadenciado de guitarra, passando por “Kings of the Killing”, que trouxe uma verdadeira metralhadora no som da bateria, da música a um solo desconcertante que valeu aplausos de cada um dos espectadores do show. Não é por pouco que Max é um dos maiores bateristas do metal extremo da atualidade.

Para finalizar, a banda tocou a mais que esperada “Black Force Domain”. Uma música crua, ao melhor estilo do metal das antigas, foi o sucesso pedido pelos fãs durante todo o show. O belíssimo solo de guitarra fechou o show com chave de ouro, ou pelo menos foi isso o que os fãs pensaram quando saltaram para cima do palco para confraternizar com a banda.

Os pedidos para que os fãs descessem não foram muito bem atendidos por todos, o que causou um pequeno momento de confusão na frente do palco. Nada que causasse problemas e impedisse que a banda tocasse o último sucesso da noite, o cover de “No Class” do MOTORHEAD que é parte constante dos shows da banda, em uma versão death metal de extremo bom gosto.

Finalizado o show, era difícil não ficar meio desnorteado com a pancada que o Krisiun deu no CCJ. Sem dúvidas o show mais extremo que já foi visto por aquelas bandas. Esperamos que mais shows venham aos palcos da periferia, para levar o heavy metal mais e mais longe.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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