Pain Of Salvation: Complexidade musical e maestria em POA
Resenha - Pain of Salvation (Teatro do CIEE, Porto Alegre, 29/09/2012)
Por Leo Jamess
Postado em 02 de outubro de 2012
Por volta das 20h05, a WISCHCRAFTT entrou em cena, no palco do Teatro do CIEE, para aquecer o público para o show principal. Mesmo com problemas técnicos e o som aquém da apresentação, o grupo formado por Sergio Quintana (vocal e guitarra), Mauricio Weimar (bateria), Fabian Steinert (guitarra) e Marcel Van der Zwam (baixo), mandou seu recado de maneira honesta e direta, sem perder o foco. A banda, que passou um bom tempo em stand by, retornou aos palcos em 2012 e está finalizando seu segundo álbum, que se chamará "The Law of Love", com lançamento previsto para janeiro de 2013. O set-list trouxe músicas do novo trabalho, assim como algumas do primeiro disco, o homônimo "Wishcraftt". O quarteto demonstrou segurança e habilidade técnica em um show bem ensaiado, além de uma sonoridade crua com influências de bandas da velha guarda como METALLICA e SLAYER. O peso das afinações baixas dos ícones modernos SYSTEM OF A DOWN, MASTODON e MACHINE HEAD também marcaram presença. O destaque da apresentação foi a música "Fora", primeira composição em português da banda, que arrancou o maior número de aplausos do público presente, que recebeu muito bem o som dos caras do início ao fim.
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Fotos do show por Liny Oliveira (http://www.flickr.com/linyrocks)
Mais fotos podem ser vistas no link abaixo:
Já era quase 21h e o público ainda chegava ao local, e ao som de "Let the Sunshine In" (de GALT MCADERMOT & TOM PIERSON, da trilha sonora do filme Hair) se aglomeravam entre as poltronas (o teatro tem poltronas fixas) para chegar o mais perto possível dos seus ídolos. O evento financiado pelos próprios fãs através do crowdfunding da Vamoo (www.vamoo.in), em parceria com a Abstratti Produtora, foi ponto determinante para que a noite fosse especial.
Às 21h10 o vocalista, guitarrista e fundador do PAIN OF SALVATION, Daniel Gildenlöw, tomou o palco para cantar a música "Road Salt", do disco e da tour que levam o mesmo nome, só e de pés descalços. Simplesmente um início emocionante e à altura do grande espetáculo que estava por vir. Logo de cara foi possível perceber que a escolha do local foi a mais acertada possível, pois Daniel canta absurdamente bem e todas as nuances de dinâmica puderam ser ouvidas e sentidas, devido à acústica do teatro, que fez toda a diferença em relação ao show do ano passado aqui na capital gaúcha.

Já com o restante da banda a postos, os excelentes músicos Léo Margarit (bateria), Daniel Karlsson (teclado), Gustaf Hielm (baixo) e Ragnar Zolberg (vocal e guitarra), Daniel apresenta o PAIN OF SALVATION e dá segmento ao show agradecendo ao público com sonoro "obrigado", em português mesmo. A primeira parte do set-list trouxe músicas dos mais recentes álbuns "Road Salt One" (2010) e "Road Salt Two" (2011), incluindo a faixa-título do EP "Linoleum", assim como a intrigante "Diffidentia", do aclamado "Be" (2004), com destaque para a linha de teclado que dá o clima melancólico à música. Por falar em clima, é impressionante como o PAIN OF SALVATIO transita por diversos ambientes, desde os mais densos e soturnos aos mais intensos e agressivos, sem que isso seja chato ou repetitivo, uma característica muito bem trabalhada e arquitetada por eles, que faz com que o show seja uma verdadeira "viagem musical", como diz Daniel ao convidar os fãs para esta jornada.
Na sequência, Gildenlöw brincou com o público dizendo que não gosta muito de violões e apresentou as ótimas "1979" e "To The Shoreline", que trazem a tona as influências folk do grupo com lindas melodias e vocais bem harmonizados, outro ponto forte do PAIN OF SALVATION. Em seguida, as músicas "Used", "In the Flesh", "Ashes" e "Morning on Earth", que iniciam o álbum "The Perfect Element Part I" (2000), fizeram com que o público fosse à loucura. Nessa altura, ainda executaram a faixa "Reconciliation", também do mesmo disco, que foi o que definitivamente abriu os ouvidos do mundo para o que estes suecos tinham a dizer. Encerrando a segunda metade do concerto, "Iter Impius" foi mais uma do álbum "Be" (2004) a ser executada, seguida de "Stress", do "Entropia" (1999), e da dobradinha "Undertow" (cantada por Ragnar Zolberg, o mais novo integrante) e "Beyond the Pale", do "Remedy Lane" (2002). A última precedeu o encore e mais uma vez mostrou que o PAIN OF SALVATION é criativo até na hora de sair do palco, pois todos os músicos deixaram o palco de maneira inusitada, saindo um a um sem se despedir, com se estivessem em transe.

Em transe mesmo estava a galera que bradou "Pain!, Pain!, Pain!" a plenos pulmões, fazendo com que a banda retornasse ao palco com mais gás. Daniel perguntaou ao público: "Do You want more?", com o mesmo bom humor exibido ao longo do set. "Sisters" e "No Way", do "Road Salt One" (2010), foram as escolhidas para a despedida e deixaram o público ainda que satisfeitos, com vontade de ver e ouvir muito mais! A nova formação do PAIN OF SALVATION demonstrou muito entrosamento e vontade em cima do palco, em exata 1h55 de espetáculo. O bom humor de Daniel Gildenlöw e simpatia de todo o grupo contornaram toda a noite, de maneira ímpar e surpreendente. Mais uma vez, deixaram os fãs porto-alegrenses extasiados com a sua complexidade musical e maestria.
Set-lists:
Wishcraftt:
01. Love is the Law
02. Living Beasts
03. Black Jack
04. Fora
05. Smile in the face of Death
06. Dark Dawn
07. Straight Through my mind
08. Easy Anger
Pain of Salvation:
01. Road Salt
02. Softly She Cries
03. Linoleum
04. Diffidentia
05. 1979
06. To The Shoreline
07. Used
08. In the Flesh
09. Ashes
10. Morning on Earth
11. Reconciliation
12. Iter Impius
13. Stress
14. Undertow
15. Beyond the Pale
16. No Way
17. Sisters

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