Tarja Turunen: Simpatia finlandesa em pessoa no show do Rio
Resenha - Tarja Turunen (Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 13/03/2011)
Por Rodrigo Simas
Postado em 15 de março de 2011
Na noite do domingo, 13 de março, boa parte do Rio de Janeiro ainda estava em clima de carnaval. Menos na Fundição Progresso, onde TARJA TURUNEN apresentava as músicas do último álbum, "What Lies Beneath". A frase é bem exata: o show é bem calcado no último trabalho, com suas músicas correspondedo mais de 70% do setlist. Mas com um lugar cativo para o NIGHTWISH.
Texto: Marcelo Tavela
Fotos: Rodrigo Simas
Se no CD o último trabalho da finlandesa parece morno em alguns momentos, essa impressão é demolida logo na abertura, com "Dark Star". Principalmente porque Tarja soube escolher muito bem a banda que a acompanha, misturando competentes músicos de diferentes estilos e tradições. O primeiro acorde que vem do palco sai do violoncelo grave do apocalyptico Max Lilja. No outro extremo do palco, Mike Terrana espanca a bateria, equilibrando técnicas e firulas na medida certa. Entre eles, o guitarrista argentino Julián Barrett, um dos mais desconhecidos do grupo junto ao tecladista Christian Kretschmar, é uma grata surpresa, inclusive refazendo ao vivo trechos que foram originalmente gravados por JOE SATRIANI na música "Falling Awake". E Doug Wimbish, que poderia parecer deslocado longe do groove do LIVING COLOUR, se mostra completamente em casa.
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Voltando à estrela do show, Tarja é a simpatia finlandesa em pessoa. A soprano sorri o tempo inteiro, conversa em português com a plateia, ganha rosas e outros presentes do público, tudo sem, em momento algum, deixar sua técnica perfeita em segundo plano. A cantora fica a vontade tanto em músicas com levadas mais lentas, como "I Feel Immortal" e "My Little Phoenix", tanto em mais rápidas como a já citada "Falling Awake" – que Tarja anuncia como sua preferida do disco novo – e "Little Lies". E sabe usar as armas que têm: ela troca de figurino em quatro momentos da apresentação, alternando vestidos longos com modelitos mais reveladores.
Mas Tarja também sabe quando sair de cena e dar espaço para os demais, deixando Terrana mostrar toda a sua técnica em um solo que termina com uma citação ao tema de Guilherme Tell – a cavalgada da música fica ainda mais irônica com a crina moicana balançando na cabeça do baterista. Após toda a banda entrar na onda e fazer uma jam, surge a primeira música do NIGHTWISH da noite: "The End of All Rope", que soa bem integrada às demais canções apresentadas, mostrando que a carreira da cantora evolui sem esconder as raízes.
Em seguida, Tarja encaixa um set acústico com cinco músicas, em que a cantora também toca teclado. Quando a parte desplugada do show já está quase cansando, os músicos retomam os instrumentos elétricos e lançam mais pauladas como "Crimson Deep". Na volta para o bis, mais uma jam com direito até a trechos de "Living on a Prayer", do BON JOVI. E Tarja usa um truque manjado, mas que funciona: tocar a primeira faixa pra valer do novo álbum, "Until My Last Breath", como última do show.
Se há de se ressaltar algo de negativo, fica a ausência de "Wishmaster", presente nas demais apresentações que a cantora está fazendo na América Latina. E, se o ano só começa mesmo após o carnaval, o show de Tarja serve como presságio para boas apresentações em 2011.
Abertura – Antes da apresentação de Tarja, coube ao TIERRAMYSTICA a missão de aquecer o público. A banda foi bem sucedida na tarefa, mostrando em 50 minutos a sua fusão de heavy metal com música latina. A proposta é interessante, mas faltou ao grupo efetivamente cumpri-la, integrando mais a flautas andinas com as guitarras metralhadas. Isto foi conseguido em "Winds of Hope", mas na maior parte das músicas a latinidade ficava só na introdução.
Também tiveram que lidar com um vilão ingrato: o som dos oito músicos no palco ficava completamente misturado na aparelhagem da Fundição. O charango, instrumento andino semelhante ao ukelelê, simplesmente não foi ouvido durante todo o show.
Setlist TARJA TURUNEN:
1- Dark Star
2- My Little Phoenix
3- I Feel Immortal
4- In For A Kill
5- Falling Awake
6- I Walk Alone
7- Solo de bateria + Jam da banda
8- Little lies
9- Underneath
10- End of All Hope
11- Higher Than Hope/We Are/Minor Heaven/Archives of Lost Dreams (set acústico)
12- Ciaran’s Well
13- Crimson Deep
Bis
14- Where Were You Last Night/Heaven is a Place on Earth/Living on a Prayer
15- Die Alive
16- Until My Last Breath












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