Nightwish: Por que a Anette foi tão criticada pelos fãs?
Por Edgar Oliveira
Postado em 14 de dezembro de 2015
Muitos disseram que após a saída conturbada da Tarja em 2005 o Nightwish não se reergueria. Eis que o grupo contrata uma vocalista totalmente diferente da vocalista anterior, com uma voz mais voltada para o pop, mas com muita versatilidade. Anette Olzon foi alvo de críticas dos fãs da bandas, que afirmavam que seu estilo não combinava com o som mais pesado da banda.
O sucessor do "Once" (2004) intitulado "Dark Passion Play" foi o projeto mais ambicioso da banda até então, sendo o primeiro álbum do Nightwish gravado com a Orquestra Filarmônica de Londres no famoso Estúdio Abbey Road, e até então o álbum mais caro já produzido por uma banda filandesa.
O Dark Passion Play calou a boca de muitos fãs que imaginavam que o Nightwish viria com um som mais "pop" por conta da recém contratada vocalista. Porém, sem sombra de dúvidas, o DDP é um dos álbuns mais pesados da banda. Comercialmente falando, o DDP vendeu mais de 1,5 milhões de cópias, sendo quatro vezes platina apenas na Finlândia. Se tornou o álbum mais vendido do grupo, e lançou o Nightwish ainda mais ao mainstream, porém sem perder a qualidade. Deve-se destacar nesse trabalho os bons vocais da Anette, que ainda estavam contidos, porém se esforçou ao máximo para se adequar a obra; e as excelentes composições do Tuomas, com destaque para a obra prima da banda: "The Poet and The Pendulum". Uma música apoteótica, com 14 minutos de duração e divida em atos, como em uma peça.
E em 2011 o Nightwish lançou a sua obra prima: o Imaginaerum, que bateu o recorde do seu antecessor como álbum mais vendido em menos tempo na Finlândia. Ao fim de dezembro, após um mês nas lojas, Imaginaerum foi declarado o álbum mais vendido na Finlândia em 2011, com mais de cem mil cópias comercializadas, além de ter ganho certificados de vendas em vários outros países.
O Imaginaerum é o ápice da criatividade do Tuomas, do instrumental da banda e dos vocais da Anette. Sendo um álbum conceitual, ele ainda rendeu um filme inspirado em cada música presente no álbum. E enquanto no DDP o grande mérito fica com a ambição do Tuomas, no Imaginaerum o mérito fica com a Anette. A sueca entrega aos fãs da banda uma interpretação digna em cada uma das onze músicas que ela canta, com destaques para: "Slow Love Slow", uma canção de jazz, e a música mais experimental da banda; "Scaretale" a qual ela praticamente incorpora uma bruxa; e "Turn Loose the Mermaids" que evidencia o quanto seu timbre é lindo e que a sua escolha como vocalista do Nightwish foi um acerto.
Depois do sucesso de público e crítica do Imaginaerum, a Anette Olzon foi demitida, o que chocou até os fãs mais extremistas da banda (os viúvos da Tarja), que já estavam se identificando com a vocalista. Do mesmo modo que a Tarja foi demitida, no auge da carreira do Nightwish, a Anette também foi e com apenas dois álbuns lançados. Uma pena para os fãs da banda, que não puderam desfrutar ainda mais dos frutos que a banda plantou juntamente com a Anette.
Como todos já sabem, a cantora que substituiu a Anette foi a Floor Jansen. E ficou com ela e com os outros membros da banda o cargo de elevar ainda mais o patamar da banda depois do que foi conseguido com a Anette. Bem, o Endless Forms Most Beautiful não chega nem perto da qualidade do álbum anterior, porém, mesmo assim, espero que com um álbum futuro a banda faça novamente um álbum de encher os olhos como os que foram alcançados com a Anette, e também com a vocalista Tarja Turumen.
A única coisa que não entendo entre os fãs do Nightwish é: Por que só elevar a Tarja a um grande patamar, se igualmente a Anette fez um trabalho muito consistente e bonito na banda?
Lógico que cada fase tem a sua particularidade, porém com a Anette é inegável que Nightwish atingiu seu ápice comercial com o DDP e seu auge criativo com o Imaginaerum. E não entendo o porquê da Anette ter sido, sem dúvidas a cantora mais criticada que passou pela banda, sendo que com ela o Nightwish fez dois excelentes álbuns.
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