Iron Maiden: O porquê das críticas aos últimos álbuns da banda

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Por Fabio Reis
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Tenho acompanhado a avalanche de críticas que os últimos álbuns do Iron Maiden vem recebendo de alguns fãs e parte da imprensa especializada. Estas críticas, na maior parte das vezes, chegam acompanhadas de uma série de defesas e justificativas quase sempre pífias, que tentam condicionar os últimos quatro trabalhos do grupo como sendo de excelência incontestável e fazer com que a opinião de quem não concorda pareça ser algo sem o menor sentido. Resolvi dissertar sobre o porquê de considerar muitas destas críticas bem justas e pontuais.

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Primeiro deixo claro, são ruins os registros? Não! De forma alguma, porém...

Se voltarmos no tempo em que discos como "The Number Of The Beast", "Piece Of Mind" e "Powerslave" foram lançados, percebemos que mesmo com os grandes clássicos dos anos 80, todos de bandas icônicas e surgindo um após o outro, os álbuns do Maiden sempre figuravam entre os melhores do ano, aliás, com total justiça, eram excelentes e mereceram todos os elogios que obtiveram.

De volta ao presente, a história não se repete de forma alguma. A defesa dos xiitas baseia-se em fatos como os de que os músicos estão mais velhos, que os tempos são outros, a banda amadureceu, a velha Donzela não precisa mais provar nada e etc. Todos estes argumentos tem lá seu fundo de verdade, porém caem por terra a partir do momento que analisarmos tudo o que vem sendo lançado atualmente e não apenas o que o Maiden apresenta.

Digo isso com convicção, afinal se os tempos são outros pro Iron Maiden, são outros para as outras bandas também. Se ficar mais velho, participar de uma época diferente e ser um grupo consagrado ao ponto de não ter que provar nada a ninguém, significa lançar discos que não são condizentes a qualidade dos músicos envolvidos e tão pouco se assemelham aos grandes clássicos do passado, todas as outras bandas veteranas deveriam estar passando pelo mesmo tipo de problema e lançando álbuns discutíveis. Só que não é o que vem acontecendo e nomes como Saxon, Accept, Satan, Grave Digger, Raven, Riot e tantos outros (citando apenas as bandas de Metal tradicional), vem nos apresentando obras de alto nível, que até me arrisco a dizer que se equiparam com discos clássicos do passado.

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Pra quem for da opinião de que a década de 80 foi mágica, a mais produtiva e jamais será superada e que por isso, jamais devemos fazer comparações com o atual momento, o que devemos considerar e parar pra pensar, é que muitos ícones continuam produzindo discos excepcionais e o Maiden há tempos não emplaca um GRANDE ÁLBUM, daqueles unanimes e incontestáveis, que ao menos possa ser comparado com o que de melhor vem sendo lançado nos dias atuais. Isso seria o mínimo. Até mesmo o Motorhead, com todos os problemas com o estado de saúde de Lemmy, gravou um disco muito acima das expectativas este ano.

Não espero que a banda lance algo no nível de um "Seventh Son Of A Seventh Son" novamente, mas sim que ao menos consigam figurar entre os melhores da atualidade. Que me desculpem, sou fã do Iron Maiden há muitos anos, mas acham mesmo que a banda seria gigantesca como é, se desde o começo de sua trajetória lançasse álbuns como "A Matter Of Life And Death" e "The Final Frontier"? Não! Não seria.

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Em 2015, os fãs mais aficionados de Heavy Metal, os que ficam atentos aos lançamentos do estilo, viram surgir trabalhos fabulosos e de grupos novos, "From Beyond" (Enforcer), "The Ravenant King" (Visigoth), "Desecrator" (Ambush), "Curse Of The Damned" (Night Demon) e "Comeback" (Leather Heart), são apenas uma pequena gama de discos magistrais do ano, seria até covardia comparar com a mais nova empreitada da Donzela, o divisor de opiniões "The Book Of Souls". E digo covardia em muitos aspectos, começando pelo fato de que o Iron Maiden é gigantesco e a sua carreira possui diversas pérolas e itens indispensáveis para o gênero, no conjunto da obra é inquestionável sua maior relevância, porém se pegarmos os últimos trabalhos, que são os que estão em questão aqui, qualquer um dos citados acima coloca em cheque o quesito qualidade dos atuais registros da banda, quesito este que é tão defendido por fãs mais novos ou pelos xiitas, que acharão lindo e maravilhoso até mesmo se resolverem gravar o Bruce cantando no chuveiro.

A grande verdade é que o Iron Maiden sentou em cima da fama e passou a repetir incessantemente uma fórmula pra lá de manjada e que não vem sendo bem aceita pela maioria dos fãs. Logo, as críticas são fundamentadas sim! O grupo sempre figurou entre a elite do Metal por seus discos de alto nível e padrão elevado, com a sonoridade que apresentam hoje, não mantém tal posição pelo que produzem e sim, se beneficiam do status alcançado em épocas distantes.

Pra finalizar, não vejo mal nenhum em se gostar muito dos registros mais recentes, tudo é uma questão de gosto, porém sou contra o fanatismo cego e ao posicionamento que grande parte dos fãs adquiriram, onde pela banda ter alcançado o status que alcançou, está acima do bem e do mal e não pode receber críticas. Pode sim. Meu posicionamento a respeito de qualquer grupo de Heavy Metal grande, é o de que seu legado será eterno, sendo assim, respeito e reconheço o passado glorioso, porém julgo cada álbum novo lançado como o de uma banda iniciante. Não tenho nenhum problema em aceitar que um grupo que gosto muito e fez parte de toda a minha trajetória na música, vive um momento abaixo de seu potencial. Não consigo escutar um trabalho digno de nota 6 e avaliá-lo como 9 apenas pelo nome estampado na capa e pelo que já fizeram antes.

Temos que entender, que muito acima de qualquer grupo está o gênero musical, portanto se uma banda ao qual sou fã não vem me agradando ultimamente, outras irão. Continuarei sendo fã, mas sendo justo e olhando com atenção para tudo o que o Metal vem apresentando, sem jamais ficar preso a um disco mediano e tentando me convencer de que ele é bom. Ninguém vive uma boa fase eterna, encontrar justificativas e desculpas para aceitar e avaliar álbuns de forma tendenciosa e colocando a paixão acima da razão, fatalmente te fará ter análises erronias e distorcidas. Fica a dica.




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Sobre Fabio Reis

Paulista, 32 anos, Editor do Blog Mundo Metal, fã de Rock Clássico e Diversos subgêneros do Metal. Banda favorita: Megadeth. Conheceu o Rock ainda quando criança por intermédio dos pais (amantes de Beatles) e com 11 anos já ia na galeria do Rock comprar seus primeiros LP's, desde sempre fez do Metal seu estilo de vida e até os dias de hoje essa paixão pela música só aumenta.

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