Holger: última apresentação antes do Pop Montréal
Por Tronco Produções
Fonte: Tronco Produções
Postado em 09 de setembro de 2009
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O Holger se prepara para sair do Brasil pela segunda vez.
Em Março, a banda se apresentou no festival South By Southwest, em Austin (TX) e conquistou os corações de muita gente, inclusive de membros do Mae Shi, que assistiram ao show da banda na primeira fila.
Com toda essa simpatia, conseguiram também um lugarzinho nos corações de Matt Johnson e de Kim Schifino, ou apenas Matt & Kim, que foram headliners da primeira Popload Gig, festa onde o Holger se apresentou em Junho deste ano.
E é com eles que o Holger toca no final de Setembro, no Club Lambi, em um show que fará parte do Pop Montréal, renomado festival canadense, que este ano terá nomes como Dinosaur Jr. e Butthole Surfers.
Antes de embarcarem para Montréal, o Holger faz sua última apresentação em São Paulo, no Tapas Club, com direito a muitas surpresas!
Depois deste show, o Holger entra em estúdio para finalizar o seu novo EP, "No Brakes". Ou seja, aproveitem agora, porque vai demorar um pouquinho para podermos assistir a outro show da banda.
Holger concorre a duas categorias no VMB 2009: Aposta MTV e Rock Alternativo.
Serviço:
Última apresentação do Holger em São Paulo, antes do Pop Montréal / Discotecagem: DJ Kurc
Data: 22 de setembro
Local: Tapas Club (Rua Augusta, 1246 - Centro)
Horário: 22h
Preço: R$ 10
Links úteis
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RELEASE - HOLGER
Se tem uma banda que conheço bem, é o Holger. Conheço desde antes de existir, na verdade. Conheço alguns dos caras desde moleques. Quer dizer, moleques eles ainda são, então deveria dizer que os conheço desde mais moleques.
No distante começo deste milênio eu fazia parte de uma banda chamada Vurla. Buscávamos um som complexo, calcado no post-rock e pautado pelo experimentalismo, improviso e no amor pelo krautrock. E conhecemos três garotos, que nos seus 16 anos, através de uma banda chamada projeto:, também queriam fazer post-rock. É claro que achamos aquilo lindo e meio que os adotamos. Os três garotos eram o Pedro, o Pata e o Arthur. Mais tarde a banda deles cresceu em integrantes e contou até com a Irina, que hoje toca no Garotas Suecas. E depois acabou.
Bandas acabam e nascem outras. Por um tempo eles bricaram de folk improvisado com o That’s All Folks, que fazia gravações em playgrounds e lançou as bases do que hoje é o Holger. Foi assim que começou a nascer o que seria o Green Valley EP. Lembro do dia do show do Akron/Family, em que o Pata me fez ouvir no seu iPod – ele sempre faz isso – as demos de sua nova banda, Holger on The Hills. "Brand New T-shirt", com cara de hit, já tava lá. Felizmente, a parte da colina no nome da banda logo foi descartada.
Por um tempo a banda tocou como um sexteto: além dos três integrantes originais do projeto:, contava com o Rolla, o Tché e o Haddad, que saiu fora antes das gravações do Green Valley – o nome, vale lembrar, veio da cachaça Vale Verde, favorita dos caras e aprovada por gente como Will Oldham e Dan Deacon em rituais de degustação coletiva no bar Genésio.
Apesar de ser um belo disco, o Green Valley, ainda calcado nas influências e nas composições do projeto anterior, é um cartão de visitas pálido ante as apresentações ao vivo. Essas são imprevisíveis. A única constante é o sorriso na cara de cada um dos integrantes, que costumam tocar com dedicação de primeiro show da vida em qualquer lugar que estejam, seja para meia dúzia de pessoas numa biboca no interior de São Paulo, seja abrindo para o No Age e o Matt & Kim na Popload Gig. Gosto de brincar que eles são uma boy band for real. Assim como no modelo clássico de boy band, cada um dos integrantes encarna, no palco e na vida real, um personagem: o Pata é o maluquinho, o Pedro é o sedutor, o Arthur é o intelectual, o Rolla é o cool, e o Tché é o meninão. A única diferença é que pra isso não rola esforço. Eles são isso mesmo.
Na edição de 2009 do festival texano South by Southwest, eles mostraram bem o quanto eles podem ser uma banda diferente a cada show – e isso é muito bom. Em uma apresentação, no meio da tarde, trabalharam como um relógio em um show contido para seus padrões, o que já foi suficiente para empolgar o público que não os conhecia. Em outra, em uma festa com open bar de madrugada, o caos foi tamanho que um momento não sai da minha memória: enquanto o Arthur tentava fazer sentido em uma bateria que se desintegrava, o Pata, com a boca sangrando enquanto era enforcado por um dos integrantes da banda americana Mae Shi, tocava guitarra deitado no chão no meio do público, e os outros três formavam um único amontoado de corpos, instrumentos e cabos.
É engraçado como, assim como seus ídolos Flaming Lips, eles acertam em cheio ao errar o alvo em que miraram. Nas músicas novas, reflexo do ouvido sem preconceito dos caras – coisa rara no meio indie -, notoriamente se inspiram nas guitarras e batuques do afro beat de Fela Kuti, em gerações diferentes do pop eletrônico (New Order, Max Tundra, Passion Pit), na esquizofrenia pop de nomes como Mae Shi e Islands, e nos atuais desconstruidores do indie rock (Animal Collective, Dirty Projectors), sem deixar de lado a paixão pelo indie rock digamos clássico do Wilco, Pavement e companhia. O resultado, no entanto, longe de ser genérico, soa aparentado com o de notórios exploradores de territórios pouco óbvios, como Talking Heads, Dexy’s Midnight Runners e Modest Mouse. E, melhor de tudo, é tão pessoal e natural quanto o trabalho dessas bandas. Acho que já chega de falar do Holger,agora que em um parágrafo fiz a alegria da jornalistada do cut & paste.
Bom, em No Brakes, faixa título do novo EP eles vão te perguntar: "Você nos seguiria?". Os mais espertos já estão atrás deles faz uma cara. Vai também, acho difícil se arrepender.
Dagoberto Donato, julho de 2009.
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