Regis Tadeu: "The Queen Is Dead" continua sublime após 30 anos
Por Bruce William
Fonte: Yahoo!
Postado em 20 de junho de 2016
Regis Tadeu falou sobre os trinta anos de "The Queen Is Dead", álbum lançado pelo The Smiths em 1986, e que se tornou um clássico no decorrer dos anos, confira o texto completo no link abaixo e alguns trechos mais a seguir:
Você talvez não se lembre por ser muito jovem, mas houve uma época em que a sensibilidade da alma de um ser humano era lindamente retratada em canções não menos que sublimes. Não havia nada desse chororô bunda mole que existe nos dias atuais, em que o sofrimento amoroso, por exemplo, é retratado em letras feitas para que débeis mentais entendam a mensagem sem precisar usar a massa de carne embolorada que têm no espaço entre as orelhas. Foi uma época em que a poesia era uma das ferramentas mais poderosas para fazer uma canção penetrar em nossa alma e nos cortar por dentro…
Não tem como não pensar nisto quando sabemos que um dos álbuns mais belos fez aniversário de lançamento. Embora eu não seja afeito à nostalgia, não consigo deixar de pensar em The Queen is Dead como um ícone da cultura pop incrustado na discografia de uma banda tão marcante quanto controversa para quem já tinha passado da adolescência nos anos 80.
Os Smiths conseguiam extrair o que de pior um dito "roqueiro" podia oferecer em termos de preconceito e contradição. O ‘brucutu’ que dizia que "Smiths é som de bichinha" era o mesmo que na década anterior chorava quando ouvia canções as canções que Elton John escrevia para seus namorados ocultos. O mesmo zé-ruela que se incomodava com a postura afeminada de Morrissey era o mesmo que sorria e chacoalhava o esqueleto toda vez que assistia a vídeos de Freddie Mercury em cima de um palco. Meus amigos mesmo não acreditavam quando eu demonstrava que ouvia com a mesma paixão e intensidade ao Show No Mercy, do Slayer, ao Atlantic Crossing, do Rod Stewart, a uma sinfonia de Beethoven e a qualquer um dos ótimos álbuns que os Smiths gravaram em sua curta carreira. Para uns, era coisa de maluco. Não para mim.
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