Concreto: o EP com Vinny Appice em entrevista ao 80 Minutos

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Por Mário Pescada, Fonte: 80 Minutos
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O site 80 Minutos conduziu uma entrevista com Marcelo Loss, baixista e vocalista do CONCRETO, batalhadora banda mineira de hard rock.

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O papo foi sobre os 20 anos do primeiro lançamento da banda, a situação política no país, os shows na gringa e claro, sobre o EP "Lama" (2018) que teve nas baquetas nada mais, nada menos do que Vinny Appice (BLACK SABBATH, DIO e muitos outros)!

A entrevista foi feita por Mário Pescada e pode ser conferida abaixo:

MP: Oi Marcelo! Primeiro, obrigado pelo bate papo com o 80 Minutos. Esse ano a banda comemora 20 anos do lançamento do primeiro disco, "A Calma da Alma" (1998). Li que vocês estão preparando uma festa de comemoração com planos de tocarem o disco na íntegra. Como andam esses preparativos?

ML: Pois é! Estamos tendo muito trabalho com isso... (rsrs). Precisamos reaprender músicas que não tocávamos há anos, mas tem sido uma viagem no tempo. Faremos um show em homenagem aos 20 anos do álbum tocando as músicas na íntegra.

MP: Um ponto que a banda se manteve fiel nesses 20 anos de estrada é o fato de cantar em português. Isso veio naturalmente ou foi uma forma da banda se diferenciar das demais?

ML: Veio naturalmente. É a forma que temos para nos expressar, compor nossas músicas e falar dos assuntos que nos interessam. Desde o primeiro álbum sempre temos uma ou outra faixa em inglês, mas nossa opção sempre foi pela língua portuguesa. E o interessante é que mesmo cantando na nossa língua, já fizemos shows várias vezes nos EUA e recentemente na Europa e Reino Unido. A língua não é uma barreira.

MP: A banda investe no lançamento de EP`s, um formato pouco comum aqui no Brasil, mas ainda muito utilizado na gringa. O que faz a banda apostar nesse formato?

ML: A forma como as pessoas consomem a música atualmente mudou. Com o avanço das tecnologias, a galera escuta as músicas no telefone, no pc e tudo é muito rápido. Os EP's e singles são uma forma de manter a banda em evidência e sempre atualizada. O fã de hoje quer novidades, que saber o que a banda está fazendo agora. Claro que não nos esquecemos dos fãs de outras gerações que, como nós ainda curtimos ouvir o álbum inteiro, ler o encarte, ver as fotos. Por isso temos planos de transformar os dois últimos EP's ("Bruto" 2015 e "Lama" 2018) em um full álbum em formato físico.

MP: Falando em EP, esse ano a banda lançou "Lama" (2018), sucessor de outo EP, "Bruto" (2015). O EP foi gravado pelo Alan Wallace (EMINENCE) em Belo Horizonte e depois mixado e masterizado pelo Stephen DeAcutis (New Jersey/EUA). Como foi o processo de gravação e como foi trabalhar com o Stephen, experiente produtor que já trabalhou com nomes como NUCLEAR ASSAULT, OVERKILL e CYNDI LAUPER?

ML: O Alan Wallace (EMINENCE) é um parceiro e amigo de longa data. Ficamos muito satisfeitos com o resultado que conseguimos no estúdio dele. No caso do "Bruto" a mixagem ficou a cargo do Tue Madsen, um dinamarquês apresentado pelo Alan e que já trabalhou com muita gente boa, como Rob Halford (JUDAS PRIEST). Já o Stephen foi uma indicação do próprio Vinny Appice, que gravou as bateras do EP "Lama". Em ambos os casos ficamos muito felizes com o som das músicas!

MP: O título "Lama" foi escolhido para simbolizar a situação do país com toda essa corrupção e a tragédia de Mariana (MG) naquele acidente do rompimento da barragem de rejeitos de mineração que devastou o distrito de Bento Rodrigues. Como mineiros, a gente está familiarizado com mineradoras por todo Estado, mas esse acidente nos fez pensar muito sobre nossa relação com essas empresas. Queria saber de você como esse acidente impactou a banda e qual a perspectiva da banda hoje com o país.

ML: Esse acidente foi vergonhoso! É um tapa na cara do país. As mineradoras sempre agem da mesma forma, usam e abusam do meio ambiente e das pessoas por onde passam, e quando a fonte seca, simplesmente mudam pra outros cantos, como uma praga de gafanhotos. Não se preocupam muito em contribuir para que a comunidade aprenda a ser autossustentável, para sobreviver quando o minério acabar. Também não se preocupam tanto com os eventuais acidentes, que são mais do que previsíveis, mesmo quando deles resultam mortes e vidas inteiras destruídas.

A verdade é que estamos bem desanimados com os rumos do nosso país. Lama pra todo lado, intolerância e radicalismos... Mas não podemos desistir. Resistir e lutar sempre!

MP: O EP "Lama" contou nada mais, nada menos com a participação de Vinny Appice (BLACK SABBATH, DIO e muitos outros) nas baquetas das 4 faixas. Eu estava no workshop de bateria dele aqui em Belo Horizonte em 2015 e posso afirmar que além de um baita baterista, o cara foi muito carismático e atencioso com as pessoas. Como que foi conhecer pessoalmente o cara que comandou as baquetas do grande BLACK SABBATH?

ML: Ter Vinny Appice conduzindo as baquetas das músicas da banda é uma honra gigantesca e um sonho realizado. Sempre fomos fãs do cara. O vinil do HEAVEN AND HELL ao vivo, com Dio, Vinny, Iommi e Geezer rolava até quase furar. Sabíamos cada nota daquele solo do Vinny. Aquele show com ele em BH vai ficar marcado pra sempre em nossas vidas. É dessas coisas que fazem todo esforço valer a pena...

Confira o restante dessa entrevista no site do 80 Minutos em:
https://80minutos.com.br/interview.php?interview=18




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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias.

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