Scars: a biografia e o retorno comentados em entrevista

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Por Alexandre Veronesi, Fonte: Metal Commando
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O SCARS é uma banda de Thrash Metal fundada no longínquo ano de 1991, na região da Mooca, zona leste de São Paulo.

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Em 1994, o grupo lança seu primeiro registro, "Ultimate Encore", um split album com a co-participação das bandas Distraught e Zero Vision. O trabalho obteve boa repercussão por parte do público e mídia especializada, tendo o videoclipe de "World Decay" veiculado com frequência em programas da MTV e rádio. Nos 3 anos seguintes, a banda esteve na estrada divulgando seu som.

Após um longo hiato, em 2005 o SCARS volta com força total, disponibilizando aquele que, em minha opinião particular, é o seu melhor registro até o presente momento: "The Nether Hell", contendo 6 faixas que abordam, como tema central, a obra "Inferno", do poeta italiano Dante Alighieri. O CD foi um sucesso de vendas e downloads (disponibilizado no próprio site da banda), resultando em apresentações memoráveis, muitas delas ao lado de grandes ícones nacionais e internacionais do gênero.

Infelizmente, houve uma ruptura no line-up em 2007, restando apenas o guitarrista Alex Zeraib da formação anterior. Com novos integrantes, no ano seguinte, o grupo lança "Devilgod Alliance", full-length inspirado em obras literárias clássicas de Edgar Allan Poe, Goethe e William Shakespeare. Não houve tour de divulgação para este álbum, e algum tempo depois o conjunto se dissolveu novamente.

E para a satisfação geral, neste ano de 2018, o SCARS finalmente anuncia sua tão aguardada reunião, mais especificamente no dia 16/10. Da formação clássica, estão presentes Régis F. (vocal) e Alex Zeraib (guitarra). Completam o time: Edson "Teacher" Navarette (guitarra), Marcelo Mitché (baixo) e João Gobo (bateria, integrante na fase "Devilgod Alliance").
Entre os planos do quinteto está o lançamento de 2 sons inéditos e 2 modelos especiais de camiseta.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que o Metal Commando realizou com o vocalista Régis, onde ele nos dá todos os detalhes acerca do retorno da banda, e muito mais!

Olá Regis, é um grande prazer recebê-lo no Metal Commando!

Primeiramente, é claro, gostaria de saber como se deu a volta do SCARS. De quem partiu a ideia e como foi o processo até que isso se concretizasse?

Régis: Tudo começou com a criação da página tributo, em janeiro deste ano, e a criação do videoclip para música "Warfare", daí em diante, sem querer ou ter a menor pretensão, criamos um monstro rsrsrs. Tudo foi naturalmente, eu e o Alex conversamos e mantivemos contato, nasceu a campanha volta SCARS, e aí não seguramos mais, o lance todo aconteceu, foi uma decisão tomada em conjunto.

Como foi feita a escolha dos novos músicos que integram o line-up?

Régis: A nossa preocupação era ter pessoas ao nosso lado que fossem comprometidas, que também conhecessem a história do SCARS, e que, é claro, tocassem muito bem, pois isso é regra básica no SCARS devido a complexidade de nossas musicas. Então fomos buscar o João Gobo, o baterista que gravou o "Devilgod Alliance", o Ed Navarrette (guitarra solo) e o Marcelo Mitché (baixo). Estamos muito felizes por ter todos eles ao nosso lado.

Particularmente, sou um grande admirador do EP "The Nether Hell", pois foi através dele que conheci a banda. As novas músicas seguirão uma linha similar, em termos de sonoridade?

Régis: Sim, isso é evidente, mas acredito que essas músicas estão em um nível acima do EP, pois elas serão a trajetória final desta trilogia milenar. A própria "Armageddon" é um conceito diferente, pois ela terá elementos singulares em alguns momentos da música, sem falar que ela é rápida e agressiva, com um refrão muito marcante. Esperamos agradar o nosso público com essas novas ideias.

Explique um pouco sobre o conceito "dantesco" abordado em "The Nether Hell" e "Devilgod Alliance", que será encerrado agora em "Armageddon".

Régis: Como é de conhecimento geral, o "The Nether Hell" retrata a história da "Divina Comédia", de Dante Alighieri, e sua ida ao inferno, mostrando todos os sofrimentos e as condenações dos pecadores, conforme seus atos na Terra. O "Devilgod Alliance" fala da ruptura desta aliança e de tudo que aconteceu com a humanidade quando Lúcifer começou a seduzir e corromper os homens, levando o mundo ao caos. Já a "Armageddon" e a "Silent Force" vão falar do início de tudo isso que acabei de descrever, mas a grande sacada é que vamos falar da história que as religiões escondem de todos nós, a história secreta de Lúcifer, revelada através do mais puro ocultismo e sabedoria das idades, a TEOSOFIA.

É sabido por todos que você não mais fazia parte do grupo na época do "Devilgod Alliance". As músicas dessa fase se farão presentes nas apresentações ao vivo?

Régis: Vamos tocar com enorme prazer algumas músicas deste trabalho, com certeza a "Inner God Death" vai estar presente, pois fizemos um vídeo dela este ano e a resposta por parte do público foi muito boa. Tem também o cover do Overdose, que ficou uma versão sensacional, reconhecida e elogiada até mesmo pelos próprios membros da mesma.

Nos tempos áureos do SCARS, vocês tocaram ao lado de ícones como Destruction, Testament e Anthrax, além de outras apresentações memoráveis. Em sua opinião, qual foi o ápice da carreira da banda?

Régis: Com certeza na época do The Nether Hell, por tudo o que aconteceu, mas o SCARS no começo de sua carreira também fez coisas memoráveis, como tocar no saudoso Olímpia (algo que para uma banda em início de carreira era inimaginável), tocar no estádio do Pacaembú, tocar com Kreator e Krisiun na mesma noite, entre tantas outras coisas que poderia ficar citando aqui, sem deixar de falar da maior de todas, que foi a matéria no "Fantástico" no ano de 1994. Acredito que toda época teve sua real importância para o SCARS.

Qual foi o motivo da ruptura do grupo em 2007, restando apenas Alex Zeraib da formação original?

Régis: Fomos imaturos ao lidar com certas situações do cotidiano de uma banda. Lidar com o material humano e os relacionamentos entre os integrantes acredito que seja o maior desafio de qualquer banda, pois muitas vezes tomamos decisões das quais mais tarde podemos nos arrepender. Agora tudo é passado, o que importa é o hoje, e estamos aqui pra completarmos algo em que acreditamos, botamos fé e nossos corações acima de tudo.

Compartilhe conosco uma ou mais histórias engraçadas ou inusitadas que aconteceram nos anos de estrada com o SCARS.

Régis: Foram muitas, meu grande amigo rsrsrs, mas teve uma que me mijei de rir: quando estávamos indo para o Paraná, no ano de 1994, fazer 2 shows, nosso carro, uma Brasília marrom, deu pau e quebrou, fomos empurrar o carro e ele caiu em um barranco, aí fudeu de vez kkkkk. Foi sinistro, nós estávamos ferrados, mas nos matamos de tanto rir, pedimos ajuda a alguns moradores locais, eles nos ajudaram a desatolar o carro e consertar a bomba de gasolina. Seguimos em frente e os dois shows foram fodas.

Como você enxerga a cena Metal nacional nos dias de hoje? Em sua opinião, quais bandas "novas" se destacam no meio?

Régis: Estou feliz com a cena atual, bandas novas de qualidade e muitas outras voltando de uns anos pra cá, como é o nosso caso, e o do MUTILATOR também. Gosto muito do WARTHERIA, DEATHGEIST, MALEDETTOS e KARYTTAH, dessas novas bandas.

Quais os planos da banda para o futuro? Shows? Disco novo?

Régis: Estamos pensando no agora, vamos entrar em estúdio para gravar Armageddon e Silent Force no próximo dia 02 de novembro, dia sugestivo por sinal, é o dia dos mortos rsrsrs. A produção será assinada pelo produtor Vagner Meirinho, e shows somente em meados de Março ou Abril de 2019. Temos mais músicas prontas além dessas, e estamos compondo nesse exato momento mais 2 novos sons, não teremos pressa para um disco novo, pois prezamos por qualidade acima de tudo, não nos arriscamos em soltar nada que não esteja realmente muito foda, temos um processo de criação rigoroso que passa por muitas fases, ao qual damos o nome carinhoso de laboratório Thrash!!

Muito obrigado pela entrevista, Régis! Desejamos todo o sucesso ao SCARS nessa nova empreitada! Fique à vontade para deixar suas considerações finais.

Régis: Muito obrigado, Metal Commando e Alexandre Bertuzzi Veronesi, pela oportunidade e o privilégio de nos entrevistar, e abrir as portas para o SCARS. Esperamos com toda a humildade poder contribuir para a cena nacional, e deixar nossos fãs felizes com o nosso retorno. Forte abraço a todos, e nos vemos na estrada!




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