Nervosa: o detalhe que fez a banda decolar no início, na visão de Marcello Pompeu
Por Igor Miranda
Fonte: Colisão Podcast
Postado em 22 de junho de 2021
Marcello Pompeu, vocalista do Korzus e produtor musical, refletiu sobre os primeiros passos da Nervosa em entrevista ao Colisão Podcast. O músico produziu a primeira demo da banda, "2012" (2012), além do álbum de estreia, "Victim of Yourself" (2014).
Antes de se consolidar com a guitarrista Prika Amaral, a vocalista e baixista Fernanda Lira e a baterista Fernanda Terra, a Nervosa teve uma série de integrantes e formatos. No início, de acordo com Pompeu, a banda chegou a atuar como quarteto, tendo uma segunda guitarrista - Karen Ramos, hoje integrante do Volkana.
O frontman do Korzus disse que conheceu a Nervosa antes mesmo da chegada de Fernanda Lira - a banda foi fundada em 2010 e a frontwoman entrou em 2011. Ele chegou a ser convidado para produzir as primeiras músicas do grupo, mas sugeriu que elas ainda não investissem em estúdio.
"A Fernanda (Lira) foi quem me apresentou a banda, mas tive contato antes com a Fernanda Terra e com a Prika, quando ainda era outra baixista e outra cantora. Do papo que elas me contaram, falei: 'não vamos gravar agora, não gasta dinheiro agora com estúdio'. A vocalista, cada vez que ia ensaiar, cantava a mesma música com uma voz diferente", disse.
Algum tempo depois, Marcello Pompeu voltou a ter contato com a Nervosa - agora, por intermédio de Fernanda Lira. "Fui ver a Nervosa de novo quando a Fernanda Lira estava na banda. Ela me entrevistou para o Whiplash e me mostrou um vídeo delas na Expomusic", declarou.
Embora o vídeo apresentado não trouxesse a banda nas melhores condições, o produtor disse ter enxergado potencial no projeto. "Estava tudo zoado, era um quarteto, uma confusão, o som do vídeo não estava bom... mas eu bati o olho e aí vem o produtor: senti a levada e as vi com outras roupas, coisas diferentes. Olhei e perguntei se elas já tinham produtor. Ela respondeu: 'Pompssss...' Falei que achava que aquela banda já havia vindo aqui, a Fernanda Terra e a Prika, então sugeri que desse um toque para elas, pois agora me interessava. Na outra semana, me procuraram", contou.
Pompeu trabalhou junto da banda na pré-produção de suas primeiras músicas, mas orientou que a formação tivesse apenas uma guitarrista. Para ele, foi a redução na formação, apostando em uma guitarra só, que fez a banda decolar.
"Elas escolheram as músicas que iriam gravar, fizemos uma pré-produção onde mexemos em todas as músicas - tiramos as coisas que eram demais, que não se executava bem. Limamos a segunda guitarrista - eu que basicamente limei. Não quero comentar esse caso. Mas foi por isso que elas resolveram ficar em trio", declarou.
Por fim, ele concluiu: "Hoje, elas não são mais trio, pois viraram duas bandas, tudo quarteto, mas agora tem um porquê. É uma banda estabilizada, com história, montou um estilo. A Fernanda com a Crypta também tem todo o cartaz artístico que ela fez com o Nervosa, o que dá possibilidade de buscar voos maiores. Hoje, beleza, mas naquela época, com certeza, se tivesse a outra menina na banda e fosse forçado a trabalhar com ela, não iria dar o impacto. Era uma âncora que a banda não iria sair do lugar. Falei para elas tirarem a menina, porque iria puxar a âncora, aí o barco vai".
O trecho da entrevista em que Marcello Pompeu fala sobre a Nervosa pode ser assistido a seguir.
A entrevista completa está disponível abaixo.
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