Kiko Loureiro: no Brasil, desvalorização da cultura ficou ainda pior com Bolsonaro
Por Igor Miranda
Postado em 15 de outubro de 2021
O guitarrista Kiko Loureiro compartilhou algumas reflexões sobre a importância da arte e da cultura no Brasil e no mundo. Em entrevista à edição 117 da revista online Guitarload, disponível para leitura gratuita na internet, o músico apontou que o segmento foi ainda mais desvalorizado com a gestão federal atual, sob o comando do presidente Jair Bolsonaro.
Kiko Loureiro - Mais Novidades
O assunto foi pautado quando Kiko comentou sobre seu mais novo livro, "Negócios para Criativos". Lançada pela Editora Gente, a obra busca ajudar todo tipo de artista, não só da música, a aproveitar as oportunidades ao seu redor e tornar-se um empreendedor, vivendo de sua própria arte.
Em suas próprias palavras, Kiko destaca que o livro "fala da mentalidade do artista, de se dar valor, valorizar a música, valorizar a arte". "No Brasil, ficou uma m***a com o Bolsonaro, ainda pior, com toda a desvalorização da arte, da cultura... tudo isso é muito ruim pro país. Mesmo que o cara seja pró-Bolsonaro e pense mais em economia, não dá pra entrar nessa conversa de jogar contra a cultura", afirmou.
Na visão do guitarrista, "quem bate na cultura, está batendo na essência do povo". "A gente venera estar tocando nos Estados Unidos, tomar café do Starbucks, comer no McDonald’s, assistir à Netflix... e isso também é cultura. Um país sem cultura não é nada, é um pedaço de terra", declarou.
Heavy metal, cultura e confiança
Ainda de acordo com Kiko Loureiro, em trecho da entrevista liberado exclusivamente ao Whiplash.Net, mesmo a presença do heavy metal em outros países na comparação ao Brasil é uma demonstração de como a cultura se manifesta de formas diferentes em cada local.
"Na Finlândia tem um monte de bandas de metal, rapidamente contamos 10 que fazem turnê internacional, com certeza tem pelo menos umas 15. No Brasil tem quantas? Estamos falando da Finlândia, um país de 5 milhões de pessoas. Isso acontece porque lá tem aula de música na escola, o governo valoriza a cultura, dá incentivo de imposto e de empréstimo.... é um país que as pessoas confiam", disse.
O ponto da confiança também interfere na parte dos negócios ligados à arte. "Se um cara está em dúvida entre contratar uma banda finlandesa e uma brasileira, ele escolhe a finlandesa, por causa de toda a desorganização, toda a desvalorização da cultura que tem no Brasil. Mas se disser 'sou brasileiro, mas moro nos Estados Unidos', aí o cara pensa diferente, e nem é porque você está geograficamente mais próximo, é porque você está inserido numa cultura que valoriza e respeita os profissionais, uma cultura que todo mundo conhece, aí o cara diz: 'beleza, vamos fazer negócio'", comentou.
"Ninguém perguntava sobre music business"
Também durante o bate-papo com a Guitarload, Kiko Loureiro revelou que a ideia de escrever "Negócios para Criativos" surgiu a partir de eventos em sua vida que começaram ainda em 2014. Na época, ele começou a fazer palestras sobre music business e passou a oferecer um curso na área.
"Nos meus workshops de guitarra, ninguém perguntava sobre music business: só sobre escala pentatônica, madeira de guitarra, captador. Todos querem estar em um ônibus de turnê, mas ninguém quer saber como funciona o mercado para fazer uma turnê. Com quem se fala, por exemplo? Não dá pra achar que você está no seu quarto e uma hora vão ligar pra sua casa. Tem que se construir algo pra chegar lá", afirmou.
A edição 117 da Guitarload pode ser lida no site oficial. A revista online é gratuita e fica disponível para acesso por tempo limitado.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As quatro melhores músicas do Led Zeppelin, segundo Robert Plant
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
O maior álbum do Queen para Chad Smith; "Eu sempre aumento o volume"
Com ex-Nirvana na bateria, Sleep anuncia nova formação
Hellfest restringe álcool e desaconselha levar crianças no fim do festival
O maior baixista de todos os tempos, de acordo com Lemmy
A música do Slayer que soa como Iron Maiden em alta velocidade, segundo a Kerrang!
Alissa White-Gluz mantém Blue Medusa como prioridade mesmo no Dragonforce
Tom G. Warrior sente falta de rebelião no metal atual e quer mais anarquia
Ofertas selecionadas com até 69% de desconto em vinil, CDs, acessórios e celulares na Amazon
Erik, do Watain, sobre o metal atual: "Não me sinto parte dessa cena"
Silenoz explica por que prefere subir ao palco sóbrio no Dimmu Borgir
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
Por que Nina Simone dizia que os Beatles tiveram sorte; "não são excepcionalmente talentosos"
O significado irônico de "Somos tão jovens", verso que encerra "Tempo Perdido"
Veja diz que David Coverdale só passa vergonha nas redes sociais
Como foi ver de perto o surgimento dos Mamonas Assassinas, segundo Edu Falaschi
Túmulos: alguns dos jazigos mais famosos do Metal nos EUA

As diferenças entre os baixistas do Megadeth, segundo Kiko Loureiro
Para ex-guitarrista do Megadeth, álbum com Kiko Loureiro representa essência da banda
Kiko Loureiro terá Mauro Henrique como convidado nos últimos shows da turnê "Theory of Mind"
A troca de afagos entre Kiko Loureiro e Angra nas redes sociais: "Agora eu quero mais"
A redação de Kiko Loureiro que fez mãe chorar e escola achar que ele precisava de psicólogo
A reação de Kiko Loureiro após Mike Terrana postar vídeo tocando hit de Roberto Carlos
Angra era hippie e Megadeth era focado em riffs, explica Kiko Loureiro
"Kiko Loureiro não era realmente um cara do Metal", afirma Dave Mustaine



