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Summer Breeze
Samael Hypocrisy

Rygel: "Você faz metal porque, sem ele, seria um humano pior!", crava Wanderson Barreto

Por Vagner Mastropaulo
Fonte: IM Press&MKT
Postado em 08 de janeiro de 2022

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Vinte anos de carreira, respeito dos parceiros da cena, evolução sonora e pessoal, resiliência em meio a trocas no line-up e tudo isso sem perder alegria e foco. Pense em alguém gente boa! Este é Wanderson Barreto, vocalista e guitarrista do/da Rygel, completado/a (mais sobre o uso do artigo adiante!) por Tiago Lima (guitarra), Matheus Manhães (baixo) e Pedro Colangelo (bateria). Único remanescente da formação original, o cara esbanjou bom humor, encarou todas as perguntas e ainda teve a manha de dividir conosco uma receita de panqueca fit! Divirta-se com o que o músico tem a dizer, mas não perca de vista a seriedade em suas respostas:

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Vagner Mastropaulo: Olá, tudo bem? Antes de qualquer coisa, muito obrigado pela entrevista!

Wanderson Barreto: Opa! É um prazer estar aqui com a galera!

VM: Normalmente começo pelas raízes, mas o conceito por trás do webclipe de "A Blessing In Disguise" foi tão interessante que decidi inverter meu próprio padrão. Nele vocês retratam o cotidiano dos integrantes da Rygel combinando trechos de ensaios, sessão de fotos e edição de vídeos com imagens em meio a amigos e familiares e até dois gatos e dois cachorros aparecem brincando [risos]. De onde veio a idéia de fazer algo assim despojado dentro de um segmento musical e cena que às vezes se levam exageradamente a sério?

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WB: A idéia do webclipe surgiu exatamente pelo segmento ser sério demais sem necessidade e também para exaltar a importância de uma banda ser como uma família: quatro grandes amigos que, além de terem gosto musical e interesses profissionais em comum, se importam uns com os outros. O vídeo também tem uma relação com coisas pelas quais passamos e que nos levaram a ser a banda que somos hoje.

VM: Li um release sobre "Wasting Time" com a seguinte declaração sua a respeito da letra: "Ela fala daqueles momentos tristes em que nos sentimos mal por sermos injustiçados, subjugados e esquecidos, mas que, se não tivessem acontecido, não teríamos chegado aonde estamos!". Como funciona o processo criativo de vocês até chegarem à definição de um assunto assim elaborado?

WB: Uma música nunca sairá boa se você não for imerso pelo tema, ou seja, você deve tentar se aprofundar e pesquisar sobre o que está escrevendo para não soar vazio. A maioria esmagadora das músicas da banda tem temas do cotidiano, de coisas pelas quais qualquer ser humano passa, o que faz com que a galera se identifique com muitas das nossas letras. Já o processo de composição da parte do instrumental se inicia comigo ou com o Matheus trazendo um riff ou uma melodia e, a partir daí, vamos costurando a música.

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VM: No mesmo release, você afirma: "Existe um plano de ‘junção’ dos singles lançados no futuro, caso surja demanda para um disco". Com as pessoas não mais "consumindo" música em mídias físicas como o CD, muitos artistas têm apostado em singles pontuais, tendência acelerada em função do isolamento social imposto pela pandemia, sem a chance de poder promover um álbum ao vivo. Você acha que o caminho para o futuro da indústria musical e sobrevivência das bandas passa por aí?

WB: Exatamente! O mercado é alimentado por jovens que consomem produtos e a música é um deles. Porém, com a modernidade, os jovens estão querendo produtos cada vez mais fáceis de "digerir" e um álbum completo – com estória, início, meio e fim – é algo que infelizmente não tem mais o consumo que tinha vinte anos atrás. O jovem quer coisas rápidas e, dentro desse contexto, os singles se encaixam melhor do que um álbum inteiro. Somente bandas gigantes, com grande base de fãs, fazem um CD inteiro e têm um bom retorno. Bandas de pequeno porte não deveriam fazer um, pois não conseguem aproveitar todo o potencial do seu disco e acabam jogando dinheiro fora.

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VM: Logo, concluo que vocês seguirão produzindo novos singles a curto/médio prazo, ao invés de investirem do formato clássico do full length, certo? O que vocês têm em mente para 2022 e projetos mais adiante?

WB: Sim, nossa intenção é continuar lançando singles, novos produtos, artes, etc. A partir do segundo trimestre de 2022, esperamos voltar aos palcos (isso se a pandemia permitir) e seguir trabalhando para levar nosso som ao máximo de pessoas possível.

VM: A propósito, alguns grupos nacionais começaram a voltar a se apresentar em São Paulo. Como está a agenda de shows de vocês? O que pode ser antecipado a esse respeito?

WB: Nossa agenda está aberta e estamos começando os contatos com as casas de espetáculos para, a partir do segundo trimestre, iniciarmos os shows. Anunciaremos quando as datas estiverem fechadas e, caso alguém tenha interesse, basta entrar em contato conosco pelo e-mail: [email protected]

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VM: Do futuro ao passado, agora sim, falemos sobre o começo da Rygel, fundada em 2000. Lá atrás, a proposta já era gravar material e excursionar ou, como para a grande maioria das bandas, tudo era "apenas" uma ótima desculpa para reunir os amigos e se divertir? E, se era um hobby, quando passou a ser algo mais sério?

WB: A banda começou com amigos de ensino médio que gostavam de metal. A parada começou a ficar séria depois de A Long Way To..., nosso EP de 2004. Foi um marco na minha vida como músico, pois, a partir dele, aprendi muitas coisas e a banda passou a ficar séria. Após isso, começaram a aparecer os shows e, a cada disco que gravamos, foi se intensificando esse lado mais "profissional" da coisa.

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VM: A Rygel vem de Santos, terra do cultuado e influente Vulcano, ainda na ativa, e do Shadowside e do Surra, porém o grande público imediatamente associa a cidade ao Charlie Brown Jr., que pouco tem a ver com a sonoridade metal. Ajuda ou atrapalha ser indiretamente associado à mega exposição e ao alcance obtidos pelo grupo dos falecidos Chorão e Champignon?

WB: Em termos de mercado do metal, o Charlie Brown Jr. foi praticamente irrelevante, pois os públicos são completamente diferentes. Como músicos, são incríveis e devem ser respeitados por isso. Inclusive, nosso single "Feel It (Bang Your Head)" foi gravado em Santos, no Electro Sound Studio, do Marcão Britto [nota: guitarrista fundador do Charlie Brown Jr.]. Um belíssimo estúdio com excelente estrutura e todo conhecimento do Marcão e do André Freitas, produtor musical, e ambos pilotaram esse trabalho. A Baixada Santista sempre foi um celeiro de bandas de metal, pois, além das que você citou, há Opus Tenebrae, Dark Witch e Usina, entre outras muito legais!

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VM: Expandindo a análise, sob a perspectiva do artista, como é nadar contra a corrente e ter de teimar, no melhor sentido do termo, para fazer metal no Brasil?

WB: Você faz heavy metal porque você ama; porque está dentro de você; porque, sem ele, você seria um ser humano pior; porque ele é a válvula de escape do seu lado obscuro e de suas tristezas; e também porque é seu motivo de muitas alegrias. Enquanto houver dez pagantes no meu show, permaneço de pé, erguido e fazendo o que amo!

VM: Sempre que possível, você destaca a amizade com Rodrigo Oliveira, baterista do Korzus e produtor responsável por algumas gravações de vocês. Como se iniciou essa aproximação e respeito mútuo entre vocês?

WB: Minha relação com o Rodrigo começou a ser desenhada em 2011, quando gravamos o Imminent, nosso segundo disco, no Mr. Som Studio, de Heros Trench e Marcello Pompeu, ambos do Korzus. Foi ali que os conheci, passamos a conversar e, dali em diante, sempre nos trombávamos nos rolês e ficávamos trocando idéia! Temos muitas coisas em comum e quando o Marcio Garcia entrou para a banda e sugeriu gravarmos o Darkened, nosso quarto álbum de estúdio, com o Rodrigo, nos aproximamos de vez e hoje somos grandes amigos.

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VM: Mais ou menos associado ao tópico, como vocês avaliam o fato de arrancarem elogios até dos mais veteranos da cena? Isso chega a inflar o ego ou somente dá aquela leve massageada a ponto de fortalecer a auto-estima e renovar a motivação?

WB: Tenho absoluto respeito e admiração pela "Velha Guarda" da cena: nomes como Korzus, Salário Mínimo, Vulcano, etc. Quando somos elogiados por essa galera, significa que, no mínimo, estamos fazendo um bom trabalho, porém isso não pode e nem deve ser suficiente para inflar o ego, algo que atrapalha o lado profissional da coisa. Eu mesmo já ouvi muitos bons conselhos dessa galera e alguém de ego inflado não consegue escutar nem os próprios companheiros de banda.

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VM: A conta oficial de vocês no Twitter já esclarece: "Batizada a partir da maior estrela da constelação de Orion". Mas qual a estória por trás desta escolha? Quem sugeriu o forte nome?

WB: Escolher o nome para uma banda é sempre muito difícil e conosco, há vinte anos, não foi diferente. Nosso primeiro nome havia sido Sweet Silence, porém tivemos que trocá-lo, pois o "SS" não nos deixava confortáveis devido à suástica nazista e coisas assim – logo, resolvemos mudá-lo. Após muitas pesquisas, nosso primeiro baterista, Vagner Silva, foi quem trouxe "Rygel" e acabou ficando.

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VM: Já são quatro álbuns no catálogo: Realities... Life As It Is (07); Imminent (12); Revolution (15); e Darkened (18). Excluindo-se o EP A Long Way To... (16), como vocês enxergam a evolução da sonoridade na banda de um lançamento para o próximo?

WB: Natural e planejada, pois se percebe uma mudança no caminho musical que a banda teve ao longo dos anos. Se você reparar, os primeiros discos são um pouco mais progressivos e melódicos. Já a partir do Imminent, as coisas começam a ficar um pouco mais pesadas. Quando assumi os vocais de vez, foi decidida essa guinada para algo mais moderno e pesado que acabou sendo natural devido à forma de se pensar nas músicas que estavam rolando naquela época. Hoje em dia, nossa única preocupação é sermos nós mesmos sem nos prendermos a rótulos, entendendo que a música evolui.

VM: Hora de dar uma descontraída... Pesquisando, me deparei com uma rápida chamada sobre vocês no "G1 em 1 minuto". Se, por um lado, aparecer no portal da Globo não se trata de um feito para qualquer um, por outro, há um erro de pronúncia no nome da banda e o link divide a atenção de quem o acessa com o "caso do homem picado por uma cobra em São Vicente" e "o jogo da Briosa pela decisão da Série A3", finalíssima de 28/04/18 entre Atibaia e Portuguesa Santista. Sem querer parecer folclórico de minha parte, como vocês analisam a obtenção deste tipo de espaço mais localizado?

WB: Bandas de rock/metal não têm espaço algum na grande mídia e, quando têm, devem se dar por satisfeitas em dividir a notícia com outras coisas bizarras locais. Afinal de contas, o público do Rygel deve ser o mesmo que assiste ao jornal local e se interessa por picada de cobra! [gargalhadas]

VM: Evidentemente, depois encontrei o conteúdo voltado apenas à banda no próprio site do G1 numa entrevista com você de 26/04/18 a respeito do lançamento de Imminent, mas ainda não me recuperei do curiosa divisão de assuntos acima [risos]... Tentando voltar à seriedade, se você reparou, todas as vezes que me referi à banda, fiz questão de dizer "a Rygel", no feminino, pois foi como li na maioria das matérias recentes sobre vocês, além da impressão de soar mais natural do que o masculino, por puro achismo. A questão estava resolvida em minha cabeça, até chegar ao perfil no site oficial de vocês e ler "o Rygel" e você mesmo, na resposta acima, acaba de dizer "o Rygel". Enfim, como vocês se referem a si mesmos? Existe consenso entre os quatro membros? E quanto à imprensa, fãs e amigos?

WB: Nunca parei para pensar nisso! Chame como quiser, o importante é curtir o som… O heavy metal é unissex! [gargalhadas]

VM: Cara, muito obrigado pela paciência. Agora o espaço é seu para as considerações finais: pode deixar receita de bolo, vender carro usado e falar mal da sogra. Fique à vontade [risos]...

WB: Muito obrigado pelo espaço! Sigam-nos nas redes sociais (Instagram, Facebook, YouTube e Spotify) e fiquem ligados, pois em breve teremos mais singles sendo lançados! Agora uma receita e reflexões sobre automóveis e sogras:

- misture uma banana amassada e dois ovos, bata com um mixer, frite numa frigideira untada e você terá uma panqueca fit;

- sobre vender carro usado, você é fera se conseguir despachar um Marea, pior do que gripe, que você ainda pode passar para alguém;

- e a sogra ideal é aquela que mora na Coréia do Norte porque lá, nem pela internet você consegue falar direito!

Valeu galera!!! 😎

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Sobre Vagner Mastropaulo

Bacharel em Letras Inglês/Português formado pela USP em 2003; pós-graduado em Jornalismo pela Cásper Líbero em 2013; professor de inglês desde 1997; eventualmente atua como tradutor, embora não seja seu forte. Fã de música desde 1989 e contando... começou a colaborar com o site como as melhores coisas que acontecem na vida: sem planejamento algum! :)

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