Accept: quando a banda renasceu com Mark Tornillo em "Blood of the Nations" (vídeo).
Por Tchelo Emerson
Postado em 05 de abril de 2022
O canal Metal Musikast está publicando uma série especial com resenhas em vídeo de todos os álbuns da banda Accept. Semelhante ao que é feito com músicas e letras do Iron Maiden no especial "Explicando Iron Maiden - Senjutsu", a série traz comentários, curiosidades e análises de cada álbum da grande banda alemã.
O vídeo inédito fala sobre o álbum "Blood of the Nations", lançado em 20 de agosto de 2010.
Você pode ver o vídeo completo no player a seguir.
Em 2009, após mais de treze anos fora do cenário musical, Wolf Hoffmann (guitarrista) e Peter Baltes (baixo) se encontraram para uma jam num estúdio em New Jersey (EUA). Como bons amigos de infância se encontravam com frequência para tocar alguns clássicos do Accept, sem qualquer compromisso além da diversão. Porém, naquele dia algo diferente estava prestes a acontecer.
Enquanto Baltes e Wolf tocavam com um baterista convidado, começaram a achar que aquilo estava chato sem vocalista. O dono do estúdio, amigo de Peter Baltes, contou que tinha um amigo que morava próximo ao estúdio e que cantava "parecido com o Udo" (Dirkschneider, vocalista original do Accept).
Os caras concordaram em receber o vocalista convidado no estúdio. Quando ele chegou, tirou a camisa (comportamento que Baltes e Wolf acharam engraçado e estranho), se colocou diante do microfone do vocalista e soltou a voz logo nos primeiros acordes dos clássicos da banda alemã.
Os alemães curtiram muito o vocal do sujeito, um tal de Mark Tornillo, que havia tentado (e não conseguido) o sucesso com a banda TT Quick.
Depois de alguns telefonemas para o empresariamento e para outros caras que já tinham passado pelo Accept, Wolf e Baltes resolvem convidar Mark Tornillo para uma reencarnação da lendária banda alemã. Mark diz que pensou por dois dias e aceitou.
Importante mencionar que o vocalista original, Udo Dirkschneider, havia sido convidado para a reunião, mas as negociações não prosperaram e ele continuou com sua carreira solo.
Wolf e Baltes tinham aproximadamente 40 músicas para serem desenvolvidas e começaram a ensaiar visando um disco novo. A ideia não era fazer uma nova formação para tocar apenas os clássicos, mas sim para produzir material inédito.
Neste momento, entra na história um outro sujeito que se tornou fundamental para colocar o Accept de novo no cenário da música pesada: o produtor Andy Sneap.
O produtor inglês se mostrou um grande fã e conhecedor de todo o material do Accept e logo ganhou a confiança de Wolf e Baltes, a ponto de ser voz ativa nas escolhas das músicas que entrariam no que veio a se tornar o álbum do retorno: "Blood of the Nations", gravado no estúdio Backstage, em Derbyshire, Inglaterra. com lançamento pela Nuclear Blast Records.
Completam a formação na ocasião o guitarrista Herman Frank (que já havia tocado na turnê de promoção do "Balls to the Wall" e Stefan Schwartzman (que já tinha tocado no Accept quando o Stefan Kaufmann ficou impossibilitado de tocar em razão de problemas de saúde na coluna vertebral).
A capa é uma foto foi tirada por Wolf Hoffmann (lembrem-se que ele é fotógrafo profissional) e retrata a mão de Peter Baltes ( o mesmo já tinha acontecido no álbum "Objection Overruled").
O álbum já começa com uma música forte, "Beat the Bastards", alertando com sua sonoridade que a banda buscava referência em sua própria história, mas queria dar um passo adiante, conseguindo se inserir no cenário do metal mundial de 2010.
Na sequência vem um verdadeiro hino do Accept, "Teutonic Terror', com tudo o que caracteriza o som da banda: riffs nervosos de heavy metal tradicional aliados a melodias nas guitarras, baixo marcante de Peter Baltes, coros parecidos com cantos de guerra e letra com referência na guerra e nos temas militares.
"The Abyss" mostra toda versatilidade do vocal de Mark Tornillo.
A faixa-título tem letras homenageando os soldados que lutam por liberdade e é mais uma música épica.
"Shades of Death" tenta dar uma acalmada na sequência de músicas pesadas e é seguida por "Locked and Loaded", um heavy metal rápido com ótimos solos de guitarra.
Na versão brasileira do álbum, lançado em CD pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast Records, há a música bônus "Time Machine", uma das melhores do "track list", com sua abordagem épica, quase progressiva, mas muito pesada, com destaque para o talento de Tornillo.
"Kill the Pain" traz as influências de música clássica que Wolf Hoffmann tanto admira e incorpora no som do Accept.
"Rolling Thunder" é excelente, com destaque para as linhas de baixo de Peter Baltes.
"Pandemic" é uma usina de riffs de metal tradicional "old school".
"New World Comin" e "No Shelter" mantém o alto nível do disco, especialmente esta segunda.
"Bucket full of Hate" é uma das preferidas da banda, tendo entrado no "set list" com frequência.
E a versão brasileira do álbum traz mais uma faixa bônus que encerra o trabalho: a excelente "Land of the Free".
"Blood of the Nations" tem sido aclamado pelos fãs de Accept desde o seu lançamento, tendo em vista que honra a história da banda, garantindo que os caras ainda têm muita criatividade e inspiração para permanecer no cenário da música pesada mundial.
Você pode ver o vídeo completo no player a seguir
O vídeo é o décimo segundo da série chamada "ACCEPT - DISCOGRAFIA COMENTADA", que vai abordar curiosidades sobre todos os álbuns da banda que desbravou a cena musical dos anos 70 e 80 para inaugurar um circuito para o heavy metal na Alemanha.
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