A crucial contribuição do Angra para revolucionar o power metal, segundo ex-guitarrista
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de julho de 2022
"Nos anos 1990, muito guitarrista virtuose ia para o instrumental com uma pegada hard rock, tipo o Steve Vai. Quando se observa o power metal, não tinham virtuoses. Ninguém fazia semicolcheia na velocidade que o Kiko começou a fazer".
O guitarrista Andre Bastos concedeu entrevista ao jornalista musical Gustavo Maiato e, durante a conversa, o músico foi questionado sobre sua visão entre o power metal produzido na década de 1990 e atualmente.
O guitarrista acabou de lançar o álbum "For a Better World", com sua banda Twilight Aura, que na verdade foi idealizado lá na década de 1990 e, por isso, apresenta elementos justamente daqueles tempos.
Hoje em dia, segundo Andre Bastos, os grupos do gênero são diferentes do que naquela época. Para ele, essa mudança tem a ver com a forma com que o Angra revolucionou o cenário.
"No auge do Helloween com o Michael Kiske eles tinham um baterista fenomenal, que era uma metralhadora! Tinham um baixista fenomenal, que era o Markus Grosskopf, mas as guitarras nunca foram fenomenais. Elas faziam aquela "base helicóptero" quando precisava. Os duetos não eram tão difíceis de tocar, tinham bends desafinados! O Queensryche fazia bem isso, com menos velocidade, mas com bastante duetos. Isso era característico dos anos 1990.
O Gamma Ray, quando começou, era assim também. Tinha uma bateria forte, mas as guitarras eram apenas bem tocadas, mas nada demais. A primeira vez que ouvi um power metal com guitarras que não dava para tocar foi quando o Kiko Loureiro entrou no Angra! Na verdade, quando o André Zaza entrou, logo depois de mim, já não dava para tocar, mas depois piorou. Foi naquele momento que mudou muita coisa dentro da estética do power metal. As guitarras começaram a ser virtuose também. Muito guitarrista virtuose começou a ir para esse lado.
Nos anos 1990, muito guitarrista virtuose ia para o instrumental com uma pegada hard rock, tipo o Steve Vai. Quando se observa o power metal, não tinham virtuoses. Ninguém fazia semicolcheia na velocidade que o Kiko começou a fazer. O Rafael também, pois eles faziam as coisas em dueto. Eu sabia que nunca ia conseguir fazer aquilo no Angra. Dali para frente, veio muita banda que faz isso, que tem essa parte virtuose, como o Northtale. Tentar tocar aquilo não é para qualquer um. As coisas atuais do Angra não dão para tocar. Agora, o Stratovarius não é assim. Dá para tocar.
Quando fizemos as músicas do Twilight Aura, éramos daquela época. Não tínhamos os duetos com um monte de nota difícil. Acho lindo, mas não é para qualquer um. Nossos duetos são muito mais parecidos com os do Helloween. Mantivemos isso. Essa é nossa essência. Fazemos um power metal, mas daquele jeito. Acho que o estilo evoluiu, mas cada um tem espaço para ter sua personalidade. A nossa tem essa influência dos anos 1990. Falando sobre o Edu Falaschi, por exemplo, tocar o que eles tocam hoje em dia é complicado! Não só o Roberto Barros, que é um monstro, mas o Diogo Mafra também. Como faz para tocar nessa velocidade? (risos). As guitarras evoluíram muito, mas nós quisemos manter o estilo que lembra mais como era no começo dos anos 1990", concluiu.
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