Brigas, granadas e overdose: o conturbado início do Machine Head
Por Mateus Ribeiro
Postado em 09 de março de 2023
A banda de groove metal Machine Head é um nome de muito respeito no universo da música pesada. Fundado pelo guitarrista, vocalista e compositor Robb Flynn no início da década de 1990, o Machine Head lançou grandes álbuns, como "Burn My Eyes", "Through The Ashes Of Empires" e "The Blackening".
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Além de ser uma banda muito competente em estúdios, o Machine Head manda muito bem em cima dos palcos e os seus shows invariavelmente contam com a presença de milhares de fãs.
Com mais de 30 anos de carreira, pode-se afirmar tranquilamente que o Machine Head tem uma trajetória vitoriosa. Porém, os primeiros dias da banda foram muito complicados, como Robb Flynn relatou durante entrevista concedida à Metal Hammer.
Brigas e granadas
As coisas ficaram difíceis para Robb quando ele ainda fazia parte da banda de thrash metal Vio-lence.
"Quando entrei para o Vio-lence, fizemos uma verdadeira turnê de van. Todas as nossas bagagens e equipamentos estavam amarrados no topo da van com uma corda e atravessamos a América [Estados Unidos].
A banda havia passado de shows com ingressos esgotados em casas de rock de Oakland para tocar para talvez 100 pessoas, e as pessoas jogavam moedas em nós. Eu brigava contra esses caras. O thrash estava morrendo. Entrei em uma briga, e uma gangue ameaçou jogar granadas no palco enquanto eu tocava. Eu dou risada agora, mas era real e assustador pra caralho na época", disse o músico.
Recomeço incerto
O próximo passo dado por Flynn foi fundar o Machine Head. No entanto, ele aparentemente não tinha muita certeza do que estava fazendo.
"Eu comecei o Machine Head quando eu tinha 24 anos e me senti como se estivesse acabado, tipo, ‘estou velho’, mas continuei avançando porque adoro tocar música. O Machine Head não era uma aposta certa, nós não tínhamos nem baterista e só tínhamos algumas músicas. Foi um momento muito incerto na minha vida, então continuei escrevendo".
Overdose quase colocou um ponto final em tudo
Apesar de todas as incertezas, Robb Flynn seguiu firme em seu propósito e conseguiu um contrato para sua banda. Porém, no mesmo dia em que assinou o compromisso, o músico passou por uma situação que poderia ter cobrado um preço muito alto: sua própria vida.
"Na noite em que o Machine Head assinou com a Roadrunner Records, tive uma overdose de heroína. Um grande amigo meu teve uma overdose do mesmo lote de heroína ruim e morreu. Alguns dias depois, eu estava no funeral deste amigo e pensei: ‘Poderia ter sido eu’. Isso me abalou profundamente. Foi algo como ‘O que diabos estou fazendo?’. Se as coisas tivessem acontecido de maneira diferente, não haveria ‘Burn My Eyes’ [primeiro disco da banda, lançado em 1994], nem ‘Davidian’, nem nada disso".
Felizmente, Robb Flynn conseguiu superar todos os obstáculos e seguir em frente com o Machine Head, projeto de sua vida que continua na ativa até hoje. O grupo lançou dez álbuns de estúdio, sendo o mais recente "Of Kingdom And Crown", lançado em agosto de 2022.
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