A opinião de Augusto Licks sobre obra dos Engenheiros do Hawaii após sua saída
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de abril de 2023
Augusto Licks, guitarrista clássico dos Engenheiros do Hawaii, deixou a banda em 1993. Mas qual a opinião do músico sobre o som do grupo após ter deixado seu cargo? Em entrevista ao Pitadas de Sal, ele comentou um pouco sobre o assunto.
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"Seria muita pretensão minha dizer que o aconteceu depois que eu saí da banda não foi bom. Encontrei outra vez o Fernando Deluqui, sei que ele tocou nos Engenheiros do Hawaii depois de mim. O processo não está em mim. Eu participei de um processo e aquele foi meu depoimento. Não está em mim determinar se foi bom ou ruim.
Cada disco tem uma identidade própria. Nada se repete enquanto sonoridade. O ‘Revolta dos Dândis', por exemplo, tinha uma pureza. Eu não sabia onde estava me metendo e foi uma guinada muito forte. Ele é imperfeito tecnicamente. A mixagem deixou coisas mais altas e outras mais baixas. Para chegar ao ‘Várias Variáveis’, já sabíamos exatamente o que fazer dentro do estúdio. Esse foi um disco de maior convicção, ficou próximo da sonoridade da banda ao vivo. Para mim, é o que tem a melhor sonoridade da nossa discografia. Já o disco ‘GLM’ não é ressonante com a banda ao vivo.
Ele foi trabalhado muito individualmente, não havia sentido de banda. Não ensaiamos para gravar, coisa que sempre fizemos. Claro que estávamos maduros para entrar no estúdio nessa época, mas não tinha maturidade de banda. Fizemos o melhor possível nesse disco e ele tem qualidade. Algumas coisas saíram bem, outras nem tanto. Não tenho problema com ele, mas o clima em que ele foi gravado não era o mesmo do ‘Várias Variáveis’. Lá era algo mais participativo. Eu gravei praticamente sozinho as guitarras, sem a presença de ninguém".
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