A relação conturbada e lucrativa do Barão Vermelho com o poderoso André Midani
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de setembro de 2023
André Midani foi uma figura icônica na indústria musical brasileira e internacional. Sua carreira teve início em 1952, quando entrou na gravadora Decca, na França, inicialmente como apontador de estoque e, posteriormente, vendedor.
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André Midani desempenhou um papel crucial no lançamento da bossa nova no mercado nacional, identificando-a como a música ideal para a juventude brasileira. Durante sua carreira, ele trabalhou com artistas renomados, como João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, entre outros.
Após deixar a Odeon, fundou sua própria gravadora, a Imperial, que teve sucesso no Brasil e em outros países latino-americanos. Mais tarde, ele ingressou na Philips (atual Universal Music), onde foi fundamental para o sucesso de artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Raul Seixas e muitos outros.
Midani também desempenhou um papel importante na Warner Music, promovendo a música brasileira e impulsionando o rock brasileiro, contratando bandas como Barão Vermelho, Titãs e Ultraje a Rigor. Ele fortaleceu a presença da Warner na América Latina e contribuiu para o crescimento da gravadora em diversos países.
Em entrevista ao Corredor 5, Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, relembrou sua relação com Midani na Warner.
"Vou compartilhar algo com você hoje, pela primeira vez, de algo que ninguém sabe. O Midani não gostava de mim. Passei 25 anos na Warner, em uma banda em que o presidente não tinha simpatia por mim. Tive algumas dificuldades com ele ao longo do caminho. Porém, essas dificuldades foram amenizadas pelo fato de o Barão também ter uma capa de proteção, com o Ezequiel e o Frejat.
Ele se dava muito bem com o Frejat, mas eu não tinha uma boa relação com ele, assim como ele não gostava de mim, assim como não gostava do Tim Maia. De repente, ouvi de um amigo meu que ele falava mal de mim pelas costas. Pensei que seria melhor se ele falasse na minha frente, mas não foi assim.
No início, eu implicava muito com a equipe de vendas por que o Barão não conseguia atingir as metas de vendas de discos. Quando o Barão finalmente ultrapassou um certo nível de vendas, eles colocaram o chefe da equipe de vendas para entregar o disco para mim. Essas são as coisas que acontecem em uma gravadora. No entanto, eu sempre quis mais do Barão, sempre pedi à gravadora para acreditar mais em nós.
A Warner era menor na época, e o Ultraje a Rigor tinha feito muito sucesso com o álbum 'Nós Vamos Invadir Sua Praia', foi um sucesso arrasador. Então, você acaba não sendo a prioridade, porque na gravadora as pessoas têm que entender como funciona. Quando você está vendendo muito, está pagando o salário de todos, mas quando não está, já não é tão importante. Chega um momento em que o cara que está vendendo mais é o mais entusiasmado, embora tenhamos amigos ali, é assim que funciona.
Hoje em dia, por exemplo, vejo que o Barão não teria interesse em assinar com uma gravadora, e acho isso uma grande burrice da parte dele. Primeiro, porque ele já tem um catálogo enorme conosco, e depois porque não sabem valorizar a qualidade da música. As gravadoras sempre querem um produto novo, algo fresco, e depois não querem mais. Elas querem uma novidade, querem uma novidade, querem uma novidade."
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