A inesperada conexão entre tambores do Palmeiras e nascimento do Sepultura
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de setembro de 2023
A biografia "Sepultura: 1984 – 1998 – Os primórdios", lançada pela Estética Torta e escrita por Silvio "Bibika" Gomes e André Barcinski, joga luz em um fato curioso que ajudou a formação da banda.
Quando ainda eram garotos os irmãos Max e Iggor Cavalera já frequentavam estádios de futebol e torciam para o Palmeiras. Foi já nesses tempos que Iggor começou a desenvolver gosto pela percussão, papel que desempenharia muito bem no Sepultura até sua saída. Confira o trecho do livro abaixo.
"A família vivia bem. O pai Graziano tinha um ótimo emprego, que lhe permitia alugar um amplo apartamento em Higienópolis e viajar sempre com a família. A infância de Max e Iggor não foi diferente da de qualquer moleque: dividida entre futebol, praia e escola. Como bons italianos, os Cavalera torciam desesperadamente para o Palmeiras.
Foi na arquibancada dos estádios, aliás, que Iggor começou a se interessar por percussão: durante os jogos, ficava com um olho no campo e outro na charanga, virado no ritmo da batucada". Graziano adorava música e tinha um gosto eclético. Ouvia canções folclóricas italianas, ópera, MPB e até rock pesado do Black Sabbath e Uriah Heep. Os filhos, no entanto, pareciam mais interessados no Palmeiras. O pai até tentou incentivar a estudar música. Chegou a presentear Iggor com um tambor de fanfarra e matriculá-lo num curso de bateria, mas o filho odiava as aulas teóricas e preferia mesmo tocar samba com a molecada do prédio".
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Sepultura e o começo da banda
Em outra ocasião, em entrevista ao Delfos, Andreas Kisser comentou sobre sua entrada na banda e o início dos trabalhos com essa formação.
Andreas Kisser revelou que sua entrada no Sepultura não foi exatamente um convite formal. Naquela época, por volta do final de 1986, havia uma forte conexão entre as cenas de música pesada em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Bandas como Dorsal Atlântica, Sepultura e Vulcano eram conhecidas por todos. Foi nesse contexto que Andreas teve a oportunidade de conhecer o Sepultura.
Ele compartilhou que o Sepultura frequentemente visitava São Paulo, e durante uma de suas viagens a Belo Horizonte, onde estava de férias após um show do Venom, ele teve a chance de se encontrar com a banda. Andreas participou de um ensaio com eles, tocando covers de bandas como Kreator. Nesse período, o guitarrista Jairo, que estava na banda anteriormente, estava prestes a sair.
Andreas expressou seu interesse em fazer parte da banda, e os membros do Sepultura também estavam interessados em tê-lo como membro. Eles começaram a trabalhar juntos fazendo uma demo, que incluiu a primeira música que Andreas escreveu com eles durante um ensaio. Em seguida, gravaram o álbum completo no mesmo estúdio onde o "Bestial Devastation" foi gravado, em Belo Horizonte, em apenas um mês.
Andreas também mencionou que, até aquele ponto, a banda não tinha um produtor experiente para lidar com seu som. Os dois primeiros discos do Sepultura tinham uma qualidade de gravação ruim, e o terceiro, "Schizophrenia", era um pouco melhor, mas ainda não estava no mesmo nível das gravações de bandas estrangeiras da época.
Eles conseguiram trabalhar com Scott Burns, que estava envolvido com bandas como Death e Morbid Angel nos Estados Unidos. Mesmo com limitações financeiras, conseguiram trazê-lo ao Brasil, e isso resultou em uma melhora significativa na qualidade de gravação. O álbum "Beneath The Remains" foi um grande sucesso e, na época, foi comparado a clássicos como "Reign in Blood" do Slayer e "Kill 'Em All" do Metallica.
Para a banda, foi uma grande honra, e a partir desse ponto, o Sepultura começou a ganhar mais reconhecimento no cenário brasileiro, conquistando fãs que anteriormente não haviam prestado tanta atenção ao seu som, principalmente aqueles que faziam parte da cena "underground" no Brasil.
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