A polêmica ação de marketing com simulação de briga que impulsionou hit de Erasmo Carlos
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de fevereiro de 2024
Em mais um episódio do canal Enigmas do Rock, Fabrício Mazocco conta a história do hit "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo", interpretado por Erasmo Carlos.
"Era 1967 e o movimento conhecido como Jovem Guarda explodia, com programas de TV, rádio e vários artistas alcançando grande sucesso no rock brasileiro da época. Em uma noite deste ano, saindo da TV Rio, estavam os cantores Eduardo Araújo e Erasmo Carlos. Saíram de lá após fazer o programa e, na saída, encontraram umas meninas com quem já tinham amizade e convidaram-nas para ir à casa de Carlos Imperial, grande compositor que revelou vários desses artistas da Jovem Guarda e que morava em frente à TV Rio.
Erasmo Carlos foi junto com elas. No local, ele pegou a letra de uma música que iria gravar e partiu logo em seguida. Mais tarde, as meninas foram paradas pela polícia em Copacabana, perguntando sobre a festa na casa de Imperial com Eduardo Araújo e Erasmo Carlos, regada a sexo e álcool. Detalhe: essas meninas eram menores de idade. Isso resultou em um processo contra eles. Erasmo Carlos ficou um ano sem poder fazer shows no Rio de Janeiro, sem poder se apresentar na TV e com várias de suas músicas cortadas das rádios.
Foi um período sombrio para ele, que recebeu muita ajuda, principalmente de Roberto Carlos, seu parceiro no programa Jovem Guarda. Ele teve que sair da TV, mas a situação foi pior para Eduardo Araújo e também para Imperial, pois o Juizado de Menores os condenou à prisão. Ambos ficaram escondidos no Rio de Janeiro por um tempo, depois fugiram para Minas Gerais para evitar serem presos lá. Durante esse período, aproveitaram para compor várias músicas, incluindo "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo".
A letra da música expressa uma atitude desafiadora: ‘Se você quer brigar e acha que estou sofrendo, se enganou, meu bem. Pode vir quente que eu estou fervendo.’ Quando retornaram, estava decidido que Erasmo Carlos gravaria a música. Porém, Imperial, sendo um marqueteiro nato, queria que a música fizesse sucesso antes mesmo de ser lançada. Ele queria que a expressão "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo" já estivesse na boca das pessoas antes mesmo de ouvirem a música.
Assim, criou uma armação, combinando com Erasmo Carlos uma cena para que a letra da música se tornasse conhecida antes do lançamento oficial. O plano era criar uma cena que chamasse a atenção e garantisse que a música se tornasse um sucesso instantâneo. Então foram até o aniversário de um DJ, o Luiz Aguiar, na Bandeirantes. Vários jornalistas de rádio e revistas de São Paulo foram convidados, e foi anunciado que, durante a celebração do aniversário de Aguiar, Imperial faria uma revelação contra Erasmo Carlos.
Assim, criou-se uma expectativa e um clima de tensão em torno do evento, com os telefones não parando de tocar e tudo pronto para o que estava sendo planejado por Imperial. No dia da festa, no estúdio da Bandeirantes, estavam presentes jornalistas, artistas e, é claro, Erasmo Carlos. Tudo estava correndo bem até que Imperial apareceu e começou a gritar com Erasmo, acusando-o de querer usar o dinheiro dele e de não cumprir um acordo para gravar uma música de seu repertório, ‘Vem Quente Que Eu Estou Fervendo’, que ainda não tinha sido lançada.
O clima esquentou rapidamente, e a discussão escalou para uma briga física, com Imperial agredindo Erasmo verbalmente e fisicamente. Era tudo armado, mas o Erasmo percebeu que o Imperial estava batendo até com bastante força e resolveu revidar para entrar na onda. A situação se tornou caótica, com jornalistas e outros presentes tentando separar os dois. Roberto Carlos, que estava presente, tentou intervir, mas a confusão continuou. Naquela noite, até mesmo Erasmo ligou para Imperial, comentando sobre a intensidade da briga e levando a situação com bom humor.
A briga continuou nos dias seguintes pelos meios de comunicação, com Imperial ameaçando processar Erasmo e lançando ataques públicos contra ele, enquanto Erasmo respondia de forma irônica, citando a letra de sua música: ‘Fala pro Imperial que ele pode vir quente que eu estou fervendo’. O Imperial era um marketeiro nato. A música foi finalmente gravada por Erasmo Carlos e se tornou um grande sucesso, sendo regravada posteriormente por outros artistas do rock brasileiro, como Raul Seixas, Rita Lee e Barão Vermelho".

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-capitão da seleção inglesa é fã de heavy metal e já bateu uma bola com o Iron Maiden
Manowar tocará "Kings of Metal" e "Fighting the World" na íntegra em shows de 2027
Mark Wahlberg nem sabia que metal existia, revela Zakk Wylde
As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Mike Mangini fala sobre primeiro show como baterista do Godsmack
Sebastian Bach sobre Lzzy Hale no Skid Row: "Odeio aqueles caras, mas ela é f*da"
O maior riff de guitarra de todos os tempos, segundo Tony Iommi do Black Sabbath
Ex-guitarrista do W.A.S.P. sobre Trump: "Confiaram na pessoa errada"
O melhor álbum de pop punk de todos os tempos, segundo o Loudwire
Os dois melhores bateristas do rock de todos os tempos, segundo John Bonham
A música do Metallica que Jesse Leach (Killswitch Engage) adoraria regravar
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Por que o Led Zeppelin lançou seu quarto álbum sem nome na capa, segundo Jimmy Page
A banda que Chris Cornell integraria se convidassem; "Ele nunca me chamou"



O motivo pelo qual Erasmo Carlos recusou gravar música de Serguei nos anos 60


