Fleshgod Apocalypse supera tragédia pessoal e atinge o ponto alto da sua carreira com "Opera"
Por Mário Pescada
Postado em 19 de novembro de 2024
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"As melhores histórias sempre vêm da dor. É uma verdade amarga, mas inegável".
A frase acima poderia ser atribuída a um filósofo, um pensador ou mesmo algum inspirado pessimista, mas ela é de uma pessoa que por muito pouco não teve a chance de escrevê-la: no caso, Francesco Paoli, vocalista do FLESHGOD APOCALYPSE.
Enquanto em 2021 boa parte da população mundial estava confiada em suas casas por causa da pandemia do Covid-19, Francesco sofria no dia 21 de agosto daquele ano um grave acidente ao escalar as montanhas Gran Sasso ("Pedra Gigante"), em Abruzzo, Itália.
O resultado do acidente foram ossos quebrados, músculos rompidos e anos para se recuperar - a coisa toda foi tão feia, que mesmo após descartado o risco de morte, havia a hipótese de que ele não pudesse mais tocar alguma instrumento por conta das possíveis sequelas.
Entre muitas cirurgias e sessões de fisioterapia, o músico compartilhava sua rotina de recuperação e chegou a montar um pequeno estúdio em seu quarto. E dessa dura rotina que surgiu "Opera" (2024), sexto disco do FLESHGOD APOCALYPSE.

"Mais um disco inspirado em experiência de quase morte...", alguém pode logo dizer, mas imagine ser a SUA experiência de quase morte e como isso te afetaria.
Obviamente, todas as letras abordam o acidente e seus impactos físicos e mentais sobre Francesco, gerando reflexões sobre a vida, família, futuro, etc. O acidente é narrado em detalhes em vários trechos, mas dá para perceber que algumas músicas foram feitas mais no começo do processo de recuperação devido sua abordagem mais pessimista de como tudo aquilo terminaria e outra parte mais ao final do processo, devido, aí sim, por uma visão positiva de tudo que a vida dali em diante ofereceria para ele e para a banda.
E a melhor forma de se narrar tantos medos, esperança e outras dualidades tão intensas só poderia ser mesmo pela ópera (acompanhada de um metal bem pesado). Como se fossem atos, as faixas podem ser separadas em três grandes partes: a grandiosidade de tudo, o drama vivido e a bravura em lutar, sendo as faixas dramáticas, minhas favoritas: "Pendulum" tem uma obscura e cativante atmosfera; o rolo compressor "At War With My Soul" traz muito peso, mesmo com andamento mais lento; "Matricide 8.21" tem uma pegada mais de metal melódico do que death metal e "Till Death Do Us Part" é quase toda cantada por Veronica Bordacchini, velha conhecida da banda desde seus três primeiros discos participando em faixas esporádicas, mas que aqui assumiu um papel crucial no disco com seus vocais belos dinâmicos, alternando entre a fúria, o cantado e o operístico.

"Conseguimos transformar uma das piores coisas da vida em uma obra de arte, que incorpora nosso crescimento pessoal e artístico e leva os ouvintes a uma montanha-russa de emoções, onde eles podem vivenciar o que eu passei, lado a lado comigo. É um pesadelo acordado, mas é assim que a vida é às vezes, simplesmente assustadora", resume Francesco.
Toda essa orquestração e complexidade musical exigem uma caprichada produção, outra etapa superada. Gravado em Roma, no Bloom Studios a sonoridade do disco é impecável, outro ótimo trabalho de Marco "Cinghio" Mastrobuono, mesmo produtor dos então dois últimos trabalhos do grupo, "King" (2016) e "Veleno" (2019) e mixagem e masterização do nomeado ao Grammy desse ano, Jacob Hansen (ARCH ENEMY, THE BLACK DAHLIA MURDER, HEAVEN SHALL BURN, PRIMAL FEAR).
E como a ópera pede grandiosidade também no quesito visual, a parte gráfica é o outro destaque do disco. A bela capa, retratando a vitória da vida sobre a morte, é obra de Felicita Fiorini. O encarte como um todo é muito bonito, cheio de cores fortes, sobretudo o vermelho e o negro contrastando, ainda que algumas letras estejam impossíveis de serem lidas ali, mas nada que uma busca rápida não as revele.
Lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Records, "Opera" (2024) é provavelmente o ponto alto da carreira do FLESHGOD APOCALYPSE - ainda que tenha surgido de uma forma (quase) trágica.
Já que "Curta é a vida e longa é a arte", então aproveite esse baita disco!
Formação:
Francesco Paoli: vocais, guitarra, baixo
Francesco Ferrini : piano, orquestração
Eugene Ryabchenko: bateria
Fabio Bartoletti: guitarra
Veronica Bordacchini: vocais
Faixas:
01 Ode to Art (De' Sepolcri) (intro)
02 I Can Never Die
03 Pendulum
04 Bloodclock
05 At War With My Soul
06 Morphine Waltz
07 Matricide 8.21
08 Per Aspera Ad Astra
09 Till Death Do Us Part
10 Opera (instrumental)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A humildade de Regis Tadeu ao explicar seu maior mérito na formação da banda Ira!
Confira os vencedores do Grammy 2026 nas categorias ligadas ao rock e metal
O rockstar dos anos 1980 que James Hetfield odeia: "Falso e pretensioso, pose de astro"
Polêmica banda alemã compara seu membro com Eloy Casagrande
Novo disco do Megadeth alcança o topo das paradas da Billboard
Mike Portnoy admite não conseguir executar algumas técnicas de Mike Mangini
Veja Andreas Kisser de sandália e camiseta tocando na Avenida Paulista de SP
A música pesada do Judas Priest que não saía da cabeça do jovem Dave Mustaine
O nome do rock nacional que não colocaria o próprio álbum nem no Top 20 dos anos 1980
Músicos do Angra encontram Bruce Dickinson gravando novo disco em estúdio de Dave Grohl
O maior cantor de todos os tempos, segundo o saudoso Chris Cornell
As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
O guitarrista americano que sozinho ofuscou todos os britânicos, segundo Carlos Santana
Produtor descreve "inferno" que viveu ao trabalhar com os Rolling Stones




