Peter Frampton conta como faz para seguir se apresentando com doença degenerativa
Por João Renato Alves
Postado em 29 de janeiro de 2025
Em 2019, Peter Frampton anunciou que faria uma turnê de despedida. Ao contrário de outros músicos, o artista possuía um motivo forte para deixar os palcos: havia sido diagnosticado com miosite por corpos de inclusão, doença autoimune que causa enfraquecimento dos músculos, com ênfase nos braços e pernas.
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No entanto, após a primeira excursão, o guitarrista e vocalista se sentiu confortável para continuar na estrada. Atualmente, ele se apresenta sentado, concentrando forças no instrumento. Também se locomove com ajuda de bengalas.
Durante entrevista à Guitar Player, repercutida pelo Ultimate Classic Rock, Frampton reconheceu que a situação está cada vez mais difícil.
"A pior parte é quando estou solando, tenho que realmente me concentrar no que estou tocando. Não quero pensar, quero que venha do meu coração. É assim que eu sempre toquei. Mas agora preciso pensar um pouco, porque talvez os dedos não cheguem a tempo onde precisam. Então, faço um reagrupamento e uso um dedo para muitas notas onde costumava usar três."
Como exemplo de adaptação, Peter cita o violonista de jazz Django Reinhardt, que perdeu dois dedos em um incêndio em 1928 e teve que desenvolver uma nova técnica de tocar. "É isso que estou fazendo. Parece estranho; você está perdendo o poder de tocar... mas estou trabalhando — e gostando de trabalhar — uma maneira diferente de tocar."
Outra referência para o astro britânico está na própria história de vida. "As pessoas perguntam: ‘Você não está deprimido?’ Sabe, você tem que aceitar as coisas que não pode mudar. Aprendi isso no AA e em muitos outros lugares. O que tenho não é uma ameaça à vida, graças a Deus, mas é uma mudança e estou seguindo o fluxo."
Frampton finalizou revelando estar trabalhando em um novo álbum, que pretende lançar este ano e sucede o disco de covers "Frampton Forgets the Words" (2021). "Eu continuo dizendo: 'Ah, esse é o último; esse é o último.’ E então, é claro, eu digo: 'Podemos fazer de novo?' Então, vamos chamar este de ‘Let's Do It Again’."
Nascido em Beckenham, cidade da região metropolitana de Londres, Peter Kenneth Frampton começou a tocar aos 7 anos, após ter achado um banjo de sua avó no porão de casa. Foi autodidata na guitarra e piano, tendo posteriormente estudado música clássica.
Aos 12, começou a tocar na banda Little Ravens, que costumava se apresentar junto ao George and the Dragons, grupo de David Bowie, aluno do pai de Peter na escola de artes.
Também passou pelo Truebeats e o Preachers, empresariado por Bill Wyman, baixista dos Rolling Stones. Tornou-se fenômeno nacional com o The Herd, que emplacou singles na parada britânica.
Em 1969 se juntou a Steve Marriott no Humble Pie. Após quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, saiu da banda. No período, também gravou com Jerry Lee Lewis, Harry Nilsson e John Entwistle, entre outros.
Desde 1971, comanda sua carreira solo, que incluiu um dos discos ao vivo mais vendidos de todos os tempos, "Frampton Comes Alive!" (1976), que teve mais de 12 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo.
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