O megahit de Cazuza que empresário odiou letra original: "Parece Titãs, muito chato"
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de janeiro de 2025
Composta em um apartamento no Canal do Leblon, no Rio de Janeiro, a música "Burguesia" é uma das faixas mais icônicas – e polêmicas – do último álbum de Cazuza em vida. A canção, que dá título ao disco duplo lançado em 1989, traz um retrato cru e provocador da sociedade brasileira. Porém, antes de ganhar o público, enfrentou críticas até de quem trabalhava com o cantor.
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Ezequiel Neves, produtor, empresário e parceiro de longa data, relembra no livro "Preciso dizer que te amo", que analisa as composições do saudoso roqueiro carioca, os bastidores da criação.
"Eu falei: 'Essa coisa está muito chata, você fala umas coisas que parece Titãs'. Faltava algo na letra. Foi então que sugeri: 'Enquanto houver burguesia/ Não vai haver poesia'. Depois, os críticos caíram de pau nessa frase."
Já debilitado pelo avanço da AIDS, Cazuza trabalhava com urgência para deixar suas últimas mensagens. O saxofonista e parceiro George Israel recorda o processo: "As músicas eram encomendadas para ontem. Ele me mandou a letra de Burguesia num fim de semana, com um recado dizendo que gravaria na segunda-feira. A letra era um verdadeiro tratado. Fiz a melodia com uma métrica bem diferente, e ele aprendeu tudo em dez minutos."
Gravado entre março e junho de 1989, o álbum foi produzido sob condições desafiadoras. Internado na Clínica São Vicente, Cazuza escrevia compulsivamente e recebia amigos músicos para finalizar as composições. Mesmo em estágio avançado da doença, comparecia diariamente ao estúdio. Algumas gravações foram feitas enquanto ele estava deitado ou em uma cadeira de rodas, devido à exaustão física.
Composto por dois discos – um voltado ao rock, outro à MPB –, "Burguesia" reflete a dualidade do artista em seus momentos finais. A faixa-título, carregada de críticas sociais, divide opiniões até hoje, mas tornou-se símbolo de resistência e autenticidade.
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