Como Bruno Sutter compensa cantores quando "rouba" suas bandas para tocar Iron Maiden
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de abril de 2025
Comediante, cantor do Massacration e hoje também artista solo, Bruno Sutter encontrou uma solução inusitada e engenhosa para viabilizar shows por todo o Brasil: viajar sozinho e se apresentar com bandas locais tocando Iron Maiden com seu outro projeto de covers. A ideia nasceu no período mais incerto para os artistas: a pandemia.
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Durante participação no podcast Is We, Sutter explicou como chegou ao modelo de turnê atual, que o fez — segundo ele próprio — ser hoje "o músico de metal que mais viaja no Brasil".
"Veio a pandemia e eu perdi todo meu fluxo de caixa. E pensei: quando voltar, como é que eu faço caixa? Os contratantes também iam estar quebrados… Como fazer pra rodar o Brasil todo fazendo show?"
Com o custo de uma banda tradicional (passagens, hospedagem e alimentação), a conta não fechava. "Se for um power trio, são três passagens, três hotéis... Mas Iron Maiden são cinco, porque são duas guitarras e o vocalista não vai tocar baixo e cantar", disse. A solução? Usar bandas covers de Iron Maiden já formadas nas cidades por onde passa, reduzindo drasticamente os custos.
"Por coincidência, Iron Maiden é uma das bandas mais consumidas no Brasil. Toda cidade, mesmo no interiorzão, tem uma banda cover. Então pensei: viajo sozinho, passo o repertório pra banda, e o contratante local encontra os músicos. Eu só levo minha equipe."
150 shows depois, sem erro
Segundo Bruno, a ideia — nascida da necessidade — já resultou em mais de 150 apresentações com formações locais, e surpreendentemente, nunca teve problemas com qualidade técnica. "No começo eu desconfiava. Pedia vídeos das bandas. Mas vi que não precisava. O Brasil tem excelentes músicos. Nunca toquei com uma banda ruim."
O projeto se chama "Bruno Sutter executa Iron Maiden" e, além de permitir uma logística eficiente, tem outra vantagem: gera conexão real com fãs e músicos locais. "Eu tô sempre tocando com gente animada, que sonhava em estar ali comigo. E tô sempre conhecendo pessoas novas. Não tem desgaste", contou.
E o vocalista da banda?
Mas e quando Bruno chega numa cidade para cantar, e a banda já tem um vocalista de Iron Maiden? Como ele lida com isso? "É tipo: o cara olha e pensa, ‘Pô, tô comendo a mulher do cara na frente dele’. Aí o cara fica ali no canto..."
Para evitar constrangimento e, ao contrário, gerar envolvimento, Bruno teve outra sacada brilhante: dividir o show com o vocalista local. "Chego pro cara e digo: escolhe cinco a sete músicas que você vai cantar — e eu vou pra bateria."
Sim, Bruno realiza um sonho pessoal e ainda presenteia o colega de palco: durante uma parte do show, ele assume a bateria — instrumento que sempre quis tocar — e o vocalista da cidade assume o microfone. "No final do show, dividimos os maiores clássicos. O vocalista acaba virando meu melhor amigo na banda. É uma troca. Os caras ficam gratos."
Shows por todo o Brasil — até no Amapá
Graças a essa estrutura, a turnê de Bruno atinge lugares onde poucos artistas de metal chegam. "Esse ano vai ter show no Amapá, em todo lugar. Por isso consigo essa proeza de rodar o Brasil inteiro."
O show inclui cerca de 20 músicas, com repertório que cobre todas as fases da carreira do Iron Maiden. "Peguei um setlist que representa a banda como um todo. Iron Maiden é cinquentenária. É especial. Hoje eu vivo colhendo os frutos dos meus sonhos de adolescente, que era ser cantor de rock. E hoje vivo isso na maior plenitude", conclui.
Além do sucesso com o público, Sutter também recebeu retorno dos próprios músicos. Em alguns casos, as bandas locais o contrataram para novas apresentações. "Teve banda que disse: ‘Pô, foi tão legal tocar com você que queremos repetir.’"
Confira a entrevista completa abaixo.
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