A música que Jim Carrey põe pra tocar quando quer "transformar o inimigo em sopa de sangue"
Por Bruce William
Postado em 27 de junho de 2025
Quem assistiu ao clássico "Ace Ventura: Um Detetive Diferente" provavelmente lembra da cena em que Jim Carrey aparece em uma casa de shows, batendo cabeça no meio do público. A banda que toca é o Cannibal Corpse, e a escolha não foi um capricho da produção: foi o próprio Carrey quem pediu que eles estivessem no filme. A cena, aliás, foi cortada da versão exibida nos cinemas, mas pode ser encontrada na edição estendida em VHS - e hoje circula fácil na internet.
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O detalhe é importante para entender que o gosto musical de Jim Carrey nunca foi exatamente convencional. Em uma conversa com a emissora Fox 5 (via Far Out), ele contou como o metal entrou de vez na sua vida. Estava indo de carro para um show em San Diego quando colocou um disco do Pantera para tocar. "Foi a primeira vez que ouvi Pantera. Eu e meu empresário colocamos o som no carro e, cara, eu comecei a rir descontroladamente. Era um nível de estímulo tão absurdo que eu não conseguia parar", lembrou.
A história fica ainda mais curiosa: logo depois, ao chegarem ao hotel, quem estava na fila para fazer o check-in era justamente o Pantera. "A gente virou e falou: 'Não é possível'. Era surreal demais. Foi tipo uma confirmação do universo", disse o ator, que na época estava em plena ascensão com seus personagens exagerados e hiperativos - exatamente o tipo de energia que o som da banda representa.
Apesar de ter esse lado barulhento e explosivo, Carrey revelou que seus hábitos musicais são bem variados. "Quando acordo, meus gostos estão por toda parte. Tem dia que ouço Count Basie, no outro é rap. Mas quase sempre eu sento na varanda com meu café e escuto canto gregoriano", contou. Segundo ele, o efeito é imediato: "Os pássaros começam a cantar, tudo parece ganhar vida. É como se eu deixasse de ser só um corpo e virasse o quintal inteiro".
Mas quando a vibe do dia pede algo mais caótico, Jim Carrey vai direto para o grunge. E escolheu uma música do Nirvana que, na opinião dele, merecia mais reconhecimento: "'Breed' é uma das faixas mais incríveis da história. Acabou sendo ofuscada por outros sucessos da banda, mas é maravilhosa". A faixa faz parte de "Nevermind", lançado em 1991, o disco que não apenas explodiu a carreira do Nirvana, mas também definiu o grunge como um dos maiores movimentos da década.
A maneira como Carrey descreve o efeito da música é fiel ao seu estilo exagerado: "'Breed' é um dos meus hinos pessoais. Coloca ela pra tocar e imagina que você tá esmurrando o rosto do seu inimigo até virar sopa de sangue". A frase, ainda que divertidamente bizarra, ilustra bem como a música pode funcionar como válvula de escape emocional, e como Carrey sempre encontrou no som pesado um tipo de energia que dialoga com sua intensidade como artista.
Mesmo com um repertório que vai do metal extremo ao jazz, Jim Carrey parece entender como poucos o poder que certas músicas têm de provocar sensações físicas. Seja para rir como um louco, acalmar o espírito ou imaginar cenas dignas de quadrinhos violentos, ele parece ter uma trilha sonora pronta para cada estado de espírito. E se depender dele, "Breed" segue sendo o som ideal para quando o mundo pede por um pouco de caos.
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