Baterista acha que fase com Brian Howe nos vocais "queimou o filme" do Bad Company
Por João Renato Alves
Postado em 30 de novembro de 2025
Em 1982, após uma série de desavenças e os tradicionais excessos, Paul Rodgers deixou o Bad Company. A banda interrompeu atividades e voltou apenas quatro anos mais tarde, tendo outro frontman: Brian Howe, que lhes foi apresentado por Mick Jones (Foreigner). A sonoridade ganhou contornos mais americanizados, suprimindo quase por completo a influências blueseira.
Durante entrevista a Billy Corgan (Smashing Pumpkins) no podcast The Magnificent Others, o baterista Simon Kirke não apenas declarou não ter qualquer simpatia pelo período, como reconheceu considerar que ele queimou o filme do grupo, apesar do sucesso alcançado.

"Fui coagido a aceitar aquilo. Eu estava usando muitas drogas à época, bebendo bastante e queria fazer turnês. Queria dar continuidade ao nome do Bad Company. E conseguimos. Quer dizer, vendemos milhões de álbuns com o Brian, mas isso meio que manchou, acho que manchou um pouco a nossa reputação."
Kirke observou que Howe estava empolgado por trabalhar com a banda. No entanto, olhando para o passado, ele não se encaixou. "A direção musical meio que se desviou do blues e se tornou mais heavy metal... Foi um período do qual me arrependo. Admito que eu e Mick (Ralphs, guitarrista) tomamos uma decisão impulsiva ao contratarmos esse cara."
O baterista finalizou reconhecendo que o choque de personalidades esteve presente desde o início da colaboração. A situação só piorou quando Howe passou a usar o grupo como plataforma para suas posições políticas conservadoras – não à toa, cantou com Ted Nugent antes do Bad Company.
"Ele não se encaixou desde o começo e só piorou com o passar do tempo. Uma noite, entrei em seu camarim gritando: 'Não use essa banda como sua plataforma política!' Ele era meio redneck, digamos assim, e foi ficando cada vez mais. Em 1992, pedimos que saísse. Ele dizia que havia saído por conta própria, mas nós o mandamos embora. Sei que tinha boas intenções, mas não funcionou. Uma pena."
O Bad Company lançou quatro álbuns de estúdio com Brian nos vocais: "Fame and Fortune" (1986), "Dangerous Age" (1988), "Holy Water" (1990) e "Here Comes Trouble" (1992). O terceiro foi o mais bem-sucedido, ultrapassando um milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Antes da volta de Paul Rodgers, o grupo ainda teria Robert Hart nos vocais entre 1994 e 1998.
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