O único nome realmente genial do "Clube dos 27", segundo Sérgio Martins
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de janeiro de 2026
A chamada "maldição do Clube dos 27" segue alimentando debates. A lista de artistas que morreram aos 27 anos - transformados em símbolos de rebeldia, excesso e genialidade precoce - costuma ser tratada quase como um panteão intocável. Mas nem todo mundo compra essa narrativa sem questionar.

Durante uma live recente no canal de Regis Tadeu, em conversa que acabou repercutindo no Cortes Crimson, o jornalista e crítico musical Sérgio Martins foi direto ao responder quem, para ele, pode ser considerado um verdadeiro gênio dentro do chamado Clube dos 27.
A pergunta era simples, mas a resposta veio carregada de nuance. Martins fez questão de separar talento, importância histórica e genialidade - conceitos que, segundo ele, costumam ser misturados quando o assunto envolve ícones mortos jovens demais.
"Apesar de você discordar, Regis, o Jimi Hendrix para mim era um gênio", afirmou Sérgio Martins, colocando Jimi Hendrix em um patamar diferente dos demais nomes associados ao grupo. Para ele, Hendrix não apenas se destacou entre seus contemporâneos, mas alterou de forma definitiva a linguagem da guitarra elétrica e a própria noção de performance no rock.
Na sequência, o jornalista fez uma avaliação mais contida dos outros integrantes mais lembrados do Clube dos 27. Sobre Brian Jones, foi direto: reconheceu o talento, mas sem colocá-lo no mesmo nível de ruptura artística. Já Janis Joplin foi definida como uma grande cantora, dona de uma entrega vocal rara, ainda que não necessariamente uma figura revolucionária no campo da composição.
O tom mudou ao falar de Jim Morrison. Sérgio Martins deixou claro que nunca comprou totalmente o endeusamento em torno do vocalista do The Doors. Para ele, Morrison foi um compositor talentoso, mas não um gênio no sentido pleno do termo, tampouco alguém que justificasse a aura quase mística criada após sua morte.
Martins ainda criticou a construção midiática em torno da figura de Morrison, lembrando capas de revistas e produtos culturais que romantizaram excessivamente sua imagem. Segundo ele, havia uma distância enorme entre o personagem público e a convivência real com o cantor. Para o jornalista, existia "o Jim Morrison que todo mundo conhecia" e aquele que as pessoas tinham que encarar no dia a dia - alguém que ele classificou como "insuportável".
A fala de Sérgio Martins dialogou diretamente com a discussão proposta por Regis Tadeu na mesma live, que defendia uma distinção conceitual entre "gênio" e "artista genial". Enquanto Régis tende a classificar Hendrix como genial - alguém que reorganizou influências de forma inédita -, Martins sustenta que o guitarrista ultrapassou esse limite e entrou no território da genialidade plena.
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