The Firm - Uma decepção ou dois grandes álbuns?
Por Rodney Costa
Postado em 02 de fevereiro de 2026
Em meados de 1984 Paul Rodgers e Jimmy Page, já estavam devidamente desligados de suas respectivas bandas, BAD COMPANY e LED ZEPPELIN. Haviam rumores de que Rodgers integraria uma banda com ex-integrantes do Lynyrd Skynyrd, porém, tal fato acabou não ocorrendo, inclusive em 1983 Paul lança Cut Loose, seu primeiro álbum solo, onde compôs tudo e tocou todos os instrumentos.

Page, por sua vez, após a morte de Bonham que culminou com o fim do Led, fez seu retorno aos palcos em um show de Jeff Beck em março de 1981 na lendária casa de shows londrina HAMMERSMITH ODEON, e posteriormente chegou a fazer um projeto com o baterista Allan White e o baixista Chris Squire do YES, nomeado de XTZ trocadilho que queria dizer ex-YES e LED, inclusive dessas sessões pelo menos uma música foi aproveitada no THE FIRM, a ótima "Fortune Hunter".
Após alguns shows para uma causa humanitária onde Page tocou com Steve Winwood e Paul Rodgers, tem início o embrião do THE FIRM. Originalmente eles queriam Pino Paladino no baixo e Bill Brufford na bateria, mas eles tinham compromissos profissionais que os impediam de fazer o trabalho, desta feita, recrutaram Tony Franklin (baixo) e Cris Slade (bateria).
Ambos os trabalhos do THE FIRM foram gravados no Estúdio de Page, o SOL Studio em Berkshire, Inglaterra.
O resultado? No mínimo polêmico...para quem na época nutriu uma expectativa de um crossover de LED E BAD COMPANY, o resultado pode ser até desolador, porém, um audição mais apurada dos trabalhos revelam grandes momentos, o timbre da guitarra é relativamente estranho, fruto dos sintetizadores utilizados, aliás, isso é uma tônica nos álbuns, fruto dos anos 80, eles serviram tanto para criar uma identidade quanto para datar o disco, principalmente na utilização do reverb na bateria, típico da época, o famigerado "gate reverb".
O primeiro álbum é considerado o melhor da Banda, a trinca de abertura é muito boa, hard rock muito bem feito e com a costumeira competência dos músicos, Tony Franklin surpreende, fez um grande trabalho (e se destacaria mais ainda no segundo disco), há a cover de "You' ve lost that lovin' feeling", muito boa por sinal, onde Paul brilha com vocais emotivos e muito bem feitos, e até uma canção que originalmente se chamava "Swan Song", que era oriunda de sessões do "Physical Graffity", e que se tornou "Midnight Moonlight", enfim, uma estréia muito boa, principalmente se o caro leitor ouvir o disco de mente aberta e sem expectativas acerca do passado dos músicos.
Mas o "hit" do álbum seria a ótima "Radioactive", Vocais no estilo Soul de Rodgers, uma bela melodia, pegada pop, e uma bateria bem sólida fariam dessa uma das melhores músicas do disco.
O segundo disco "Mean Business" trazia a mesma sonoridade, mas com maior abuso de sintetizadores no som, "Fortune Hunter" abre de forma maravilhosa o álbum, porém, é um disco mais arrastado, uma espécie de "Doom Pop" em algumas faixas (Cadillac, Live in peace), mas três delas valem o álbum, as ótimas "Fortune Hunter", "All The King's Horses" e a envolvente "Tear down the walls" com sua bateria, os vocais de Paul e seu groove de baixo maravilhoso.
O primeiro álbum foi mais bem sucedido comercialmente, diferente do segundo, que não teve sucesso comercial, alcançando tímidas posições nos charts, a banda fez uma curta turnê para promovê-lo e logo depois se separou, para muitos ficou a sensação de que o The Firm poderia ter feito algo bem melhor, eu até acredito que sim, mas não são discos ruins, ambos tem ótimos momentos, e seria até injusto querer que esses discos fizessem frente ao que Page e Rodgers gravaram com suas estreladas bandas.
Rodney Costa é Advogado, roqueiro, vocalista de banda de Classic Rock e um amante da boa música, vinhos e carros antigos.
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