A banda clássica dos anos 70 que Noel Gallagher chamou de "uma merda"
Por Bruce William
Postado em 27 de junho de 2026
Noel Gallagher nunca foi exatamente um artista dado a diplomacias. Durante o auge do Oasis, nos anos 1990, bastava alguém colocar um microfone perto dele para sair alguma opinião cortante sobre outra banda, outro cantor, outro movimento musical ou qualquer coisa que estivesse passando pela calçada naquele momento. Às vezes era pose. Às vezes era convicção. Muitas vezes era as duas coisas juntas.
Essa franqueza agressiva fez parte da mitologia do Oasis. Noel podia falar sobre seus próprios excessos, defender seus ídolos e destruir colegas de profissão com a mesma naturalidade. No período do britpop, a rivalidade com o Blur ganhou combustível justamente porque os irmãos Gallagher sabiam dar manchete. A imprensa adorava, e eles pareciam entender muito bem o jogo.

Entre as poucas bandas que escapavam quase sempre da tesoura de Noel estavam os Beatles. A influência de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr no Oasis era tão evidente que o próprio compositor não fazia grande esforço para disfarçar. Dos arranjos às melodias, da postura aos cortes de cabelo, havia uma devoção assumida ao grupo de Liverpool.
Por isso, poderia parecer natural que Noel tivesse alguma simpatia pela Electric Light Orchestra, banda de Jeff Lynne frequentemente associada à ideia de continuar, em outro terreno, certas ambições pop e orquestrais dos Beatles. A ELO nasceu justamente com essa imagem de rock melódico, arranjos grandiosos, vocação radiofônica e uma certa herança do período mais elaborado dos Fab Four.
Mas, segundo a Far Out, quando essa aproximação apareceu em uma entrevista dos anos 1990, Noel não demonstrou muito interesse em seguir a linha Jeff Lynne. Ao comentar de onde o Oasis poderia tirar inspiração depois de usar bastante o repertório beatle, ele preferiu citar outros nomes do rock britânico. "Quando pararmos de roubar músicas dos Beatles, vamos pegar as dos Stones ou algo assim. E depois The Who."
A autodepreciação vinha com deboche, mas também com uma sinceridade meio insolente. Noel nunca pareceu muito constrangido pela ideia de absorver referências. Para ele, rock and roll sempre teve esse lado de roubo, adaptação, descaramento e reciclagem. O importante era transformar aquilo em canção forte o bastante para sobreviver fora do tribunal das influências.
Quando o assunto virou ELO, porém, a boa vontade acabou. "Eu não gosto de ELO. ELO era uma merda mesmo, não era?"
A frase tem a delicadeza de um tijolo atravessando uma janela. Também tem a cara de Noel naquele período: rápido, ofensivo e pouco preocupado em desenvolver uma tese. Ele não parecia interessado em discutir arranjos de cordas, produção ou melodias de Jeff Lynne. Apenas descartou a banda como quem tira um copo vazio da mesa.
A ironia é que a ELO tinha justamente uma ligação com parte do universo que Noel venerava. Jeff Lynne construiu uma obra cheia de melodias luminosas, camadas vocais, arranjos elaborados e um senso de pop grandioso que dialogava com a fase mais ambiciosa dos Beatles. Mais tarde, o próprio Lynne ainda trabalharia com George Harrison, produziria faixas dos Beatles nos anos 1990 e se tornaria uma figura importante nesse entorno.
Mas o Oasis dos anos 1990 vinha de outro lugar. A banda queria soar direta, popular, orgulhosamente britânica e mais interessada em guitarras de estádio do que em refinamento orquestral. Para Noel, talvez a ELO parecesse sofisticada demais, polida demais ou simplesmente distante do tipo de urgência que ele buscava naquele momento.
O tempo, como sempre, deixa essas declarações mais engraçadas. Em trabalhos posteriores de Noel Gallagher's High Flying Birds, não é impossível perceber ecos de um pop mais arranjado, mais amplo e menos preso ao formato cru do Oasis. Isso não significa que Noel tenha virado fã declarado da ELO, mas sugere que certas influências podem entrar pela porta dos fundos depois que a arrogância juvenil sai para fumar.
Mas se pensarmos bem, a declaração diz mais sobre Noel do que sobre a ELO. Ele precisava marcar território, deixar claro que sua linhagem passava por Beatles, Stones e The Who, mas não necessariamente por Jeff Lynne. Era uma escolha estética, mas também uma performance pública. Noel Gallagher sabia que uma frase grosseira viajava mais rápido do que uma análise equilibrada.
A Electric Light Orchestra sobreviveu muito bem ao insulto, claro. Seus clássicos continuam tocando, Jeff Lynne manteve respeito enorme entre músicos, e a associação com o pop britânico sofisticado segue firme. Noel, por sua vez, fez o que sempre soube fazer: transformou uma opinião atravessada em frase memorável. Mesmo quando exagerava, ele entendia o valor de uma boa pedrada.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O melhor baterista de todos os tempos, segundo David Gilmour do Pink Floyd
Os 20 piores discos da história do rock and roll, segundo a Classic Rock
A música do Pink Floyd que David Gilmour mais gostava de tocar ao vivo
11 bandas de metal que são carregadas nas costas por um único integrante
O hit do Nightwish com que Anette Olzon não concordava e virava as costas no palco
Soundgarden fará show do intervalo na abertura da temporada 2026/27 da NFL
O álbum de heavy metal preferido de Rob Halford, vocalista do Judas Priest
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
A faixa do Guns N' Roses em que Axl Rose atingiu a nota mais alta de sua carreira
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
O disco raríssimo que David Gilmour preferiu deixar enterrado; "Tenho tanta vergonha"
Eluveitie, Soilwork e Kanonenfieber se apresentarão no Bangers Open Air 2027
5 músicas de metal em que o baixo é mais legal do que a guitarra
Os 10 melhores álbuns de death metal dos anos 1990 segundo o Metal Injection

A grande banda que Liam Gallagher preferiria "comer minha própria m*rda" a ir a um show deles
O erro cometido pelo Pink Floyd e pelo Oasis em seu auge, que condenou o futuro de ambos
5 músicas que os próprios compositores consideram as piores que já escreveram
As 13 músicas de rock que passaram mais de 100 semanas nas paradas britânicas
A banda que acabou de superar os Beatles em ranking de vendas no Reino Unido
Justin Hawkins (The Darkness) considera história do Iron Maiden mais relevante que a do Oasis
Robert Plant: Ele desdenhou Liam Gallagher, do Oasis


