O hit que virou hino da Copa sem jabá nem marketing, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de julho de 2026
A relação entre futebol e rock sempre produziu momentos memoráveis, mas poucos foram tão espontâneos quanto o que aconteceu durante a Copa do Mundo de 2026. Sempre que a seleção da Inglaterra vencia uma partida, milhares de torcedores entoavam "Wonderwall", do Oasis, transformando o clássico de 1995 em uma espécie de hino da campanha inglesa. Para o jornalista e crítico musical Regis Tadeu, o fenômeno está longe de ser uma coincidência.
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Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Regis afirma que a música reúne características que poucas canções conseguem combinar. Segundo ele, o sucesso nas arquibancadas não foi resultado de uma ação de marketing ou de uma tentativa de impor um novo cântico aos torcedores. "O que aconteceu agora com a torcida inglesa, a seleção e 'Wonderwall' jamais poderia ter sido forçado", afirma. Para o crítico, trata-se do resultado de uma longa relação entre a música popular britânica e a cultura do futebol.
Regis lembra que, desde a década de 1960, torcedores ingleses adaptam sucessos do rádio para cantar nos estádios. Na avaliação dele, "Wonderwall" encontrou o momento perfeito para ganhar uma nova dimensão justamente durante a campanha da Inglaterra na Copa. "Quando essa música ganhou raízes e se fundiu a um momento de tremenda carga emocional, ganhou vida própria", explica.
O crítico também destacou a ironia envolvendo Liam Gallagher. Antes do fim do Oasis, em 2009, o vocalista chegou a dizer que estava cansado de cantar "Wonderwall" e reclamava do excesso de versões feitas por músicos amadores. Anos depois, com a reunião da banda, voltou a interpretar o clássico diante de multidões. Já Noel Gallagher, autor da canção, reconheceu que ela acabou se tornando um patrimônio do público inglês, apesar de sua conhecida distância da seleção nacional.
Outro ponto abordado por Regis é a origem do título da música. Segundo ele, "Wonderwall" nasceu após Noel Gallagher conhecer o filme homônimo de 1968, cuja trilha sonora foi composta por George Harrison. Originalmente, a composição se chamaria "Wishing Stone", mas a mudança acabou criando um dos títulos mais famosos da história do britpop.
Para Regis Tadeu, o verdadeiro segredo do sucesso da música nos estádios está em sua capacidade de representar sentimentos opostos. "Ela se tornou a tradução em notas musicais da própria essência do futebol, que é uma mistura delirante de euforia e melancolia", resume. Na visão do crítico, essa combinação explica por que uma canção lançada há mais de 30 anos conseguiu embalar uma nova geração de torcedores no maior palco do futebol mundial.
Confira o vídeo completo abaixo.
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