A participação de Tina Turner na reviravolta que mudou o destino do AC/DC
Por Bruce William
Postado em 21 de junho de 2026
Tina Turner não entrou em estúdio com o AC/DC, não gravou com Angus Young e não participou diretamente de "Back in Black". Mesmo assim, uma música escrita e cantada por ela acabou aparecendo num dos momentos mais decisivos da história da banda australiana. Sem saber, Tina virou parte da reviravolta que levaria Brian Johnson ao posto deixado por Bon Scott.
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Quando Johnson recebeu o chamado para fazer um teste com o AC/DC, sua vida já parecia estar indo para outro lugar, relembra a Far Out. O Geordie havia passado por bons momentos nos anos 1970, mas não tinha transformado o vocalista em astro. Aos 32 anos, ele já se via velho demais para apostar tudo novamente numa banda de rock.
A situação do AC/DC também era delicada. Bon Scott havia morrido em fevereiro de 1980, deixando a banda sem sua voz mais reconhecível justamente quando começava a romper a barreira entre culto e grandeza mundial. Angus e Malcolm Young precisavam de alguém que não imitasse Bon, mas que tivesse energia suficiente para entrar naquele motor sem desmontar a engrenagem.
O nome de Johnson apareceu por caminhos diferentes. O produtor Robert John "Mutt" Lange o recomendou, e os irmãos Young também lembravam que o próprio Bon Scott havia ficado impressionado com ele nos tempos do Geordie. Ainda assim, uma recomendação não resolvia tudo. Era preciso entrar na sala e cantar.
Segundo relatos lembrados ao longo dos anos, Johnson chegou ao ensaio em Londres e recebeu uma garrafa de Newcastle Brown Ale, gesto simpático para o cantor vindo do norte da Inglaterra. Quando perguntaram o que ele queria cantar, a resposta não foi uma música do AC/DC. Ele escolheu "Nutbush City Limits", clássico de Ike & Tina Turner lançado em 1973.
A escolha podia soar estranha para uma audição com uma das bandas mais diretas do hard rock. Mas fazia sentido para Johnson. "Nutbush City Limits" exige entrega total. Não é uma música para cantar pela metade, nem para atravessar no piloto automático. Tem ritmo, nervo, repetição hipnótica e uma voz que precisa entrar como faca.
Johnson lembraria aquele momento como uma virada completa. "Foi mágico, foi alguma coisa", disse. "É por isso que é importante para mim; mudou minha vida naquele dia em 1980. Por isso se tornou algo muito pessoal para mim."
A audição não ficou apenas em Tina Turner. Johnson também cantou material do próprio AC/DC, incluindo "Whole Lotta Rosie". Mas "Nutbush City Limits" teve um papel especial porque mostrou algo que a banda precisava ouvir: aquele homem podia pegar uma música alheia, cheia de personalidade, e atravessá-la com a própria voz sem pedir licença.
Pouco tempo depois, Johnson estava no AC/DC. Em seguida, viajaria para as Bahamas com a banda para gravar "Back in Black", álbum que transformou uma situação de luto e incerteza em um dos maiores fenômenos comerciais da história do rock. A aposta que parecia arriscada virou uma das substituições mais bem-sucedidas de todos os tempos.
É curioso pensar que tudo poderia ter ido para outro lado. Johnson quase havia desistido da carreira, o AC/DC ainda avaliava opções, e uma música de Tina Turner ajudou a fechar o encaixe. "Nutbush City Limits" não virou canção do AC/DC, mas participou, de forma indireta, da virada que mudou para sempre o destino da banda.
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