A música do Foo Fighters que Dave Grohl disse que não conseguiria cantar ao vivo
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de agosto de 2026
Dave Grohl já admitiu que não se imaginava tocando "Home" diante de uma plateia. A declaração foi resgatada pela revista britânica Far Out Magazine nesta quinta-feira, 27, e trata da faixa que encerra "Echoes, Silence, Patience & Grace", álbum lançado pelo Foo Fighters em 2007. O motivo não tem nada a ver com dificuldade técnica.
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"Fico realmente emocionado quando penso em todo o tempo que passo longe das coisas que são importantes para mim", disse o vocalista. Ele explicou que é duro estar fora em turnê e que até falar sobre a saudade da família já pesa. Sobre levar a música ao palco, foi direto: é o tipo de canção que ele não consegue imaginar cantando ao vivo, porque seria demais.
A escolha de encerrar o disco daquela forma foi deliberada. "Home" é construída apenas sobre piano e voz, sem uma única guitarra - algo impensável nos primeiros trabalhos de uma banda que se firmou como referência do rock de estádio. Ela chega logo depois de "But Honestly", uma das faixas mais explosivas do repertório, e funciona como aterrissagem forçada para quem ouviu o álbum inteiro.
O caminho até ali começou antes. Já em "One by One", de 2002, o grupo havia flertado com o violão em "Come Back", mas foi o segundo disco de "In Your Honor", lançado em 2005, que marcou a virada: um álbum duplo em que metade era puro peso e a outra metade, baladas acústicas que jamais caberiam ao lado de "Monkey Wrench". O trabalho de 2007 foi a primeira tentativa de reunir os dois lados sob o mesmo teto.
Grohl sempre resistiu ao rótulo de banda de uma nota só. Ao lado de canções feitas para tocar em rádio, como "Best of You" e "Everlong", o Foo Fighters foi acumulando faixas que testam a paciência do público de estádio - de experimentos longos como "The Teacher" ao peso quase metálico de "Stacked Actors". "Home" é o extremo oposto desse arco, e a exceção mais radical da discografia.
Nada impede, porém, que a música ganhe versão ao vivo algum dia. A banda conta desde 2005 com o tecladista Rami Jaffee em sua formação de estrada, o que resolve o problema instrumental, e Grohl já mostrou disposição para se expor emocionalmente no palco - como fez nas homenagens ao baterista Taylor Hawkins, morto em março de 2022. A resistência, portanto, nunca foi de estrutura, e sim de estômago.
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