O único segredo de Keith Richards para a longevidade no rock, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 27 de agosto de 2026
Aos 82 anos, Keith Richards é uma anomalia estatística ambulante, e a pergunta sobre como conseguiu chegar até aqui o persegue há décadas. A resposta que ele costuma dar frustra quem espera fórmula: não existe segredo nenhum. A declaração foi recuperada pela Far Out Magazine, que resgatou entrevista concedida pelo guitarrista à revista Guitar Player. Logo depois de negar a existência de um segredo, no entanto, ele acabou entregando um.
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"O segredo é que não existe segredo", disse Richards. Em seguida, apontou o que enxerga como a explicação real para a permanência dos Rolling Stones: encontrar pessoas que não apenas toquem bem com você, mas com quem seja possível conviver. Nada de disciplina, dieta ou abstinência - a receita, segundo ele, é companheirismo. A banda dura porque os integrantes se suportam.
O guitarrista detalhou o raciocínio citando os colegas pelo nome. Não há briga constante sobre quem manda, explicou, e reencontrar os companheiros depois de algumas semanas afastados vira motivo de prazer. Ele mencionou Charlie Watts e Bill Wyman nesse contexto e lembrou que Ronnie Wood costuma dizer que os Stones são seus amigos mais próximos. "Acho que esse é o único segredo", concluiu.
Há um detalhe que dá outra camada à história: a entrevista foi concedida em 1983. Naquele momento, a formação citada por Richards estava intacta, o que faz a fala soar quase profética. Wyman deixaria o grupo dez anos depois, em 1993, e Watts morreria em 2021, aos 80 anos. A teoria da amizade como combustível, porém, sobreviveu às duas baixas.
O ponto que a Far Out levanta é que Richards passou a vida acumulando exatamente o que os manuais de saúde desaconselham: privação de sono, uso pesado de drogas e uma cidade diferente a cada noite. A publicação pondera que 82 anos não é idade extraordinária nos dias de hoje, sobretudo para alguém que nunca trabalhou em mina de carvão e se manteve fisicamente mais ativo do que a média dos octogenários. Ainda assim, o histórico dele desafia qualquer curva de expectativa de vida.
A tese segue rendendo. Em 10 de julho deste ano, a banda lançou "Foreign Tongues", seu 25º álbum de estúdio, novamente produzido por Andrew Watt e gravado em um mês concentrado no estúdio Metropolis, em Londres. O disco traz "Hit Me in the Head", faixa com bateria registrada por Charlie Watts pouco antes da morte, além de participações de Paul McCartney, Steve Winwood e Robert Smith. Em sua resenha, a Louder lembra que os Stones vendem ingressos de supostas despedidas desde pelo menos 1976 - e continuam sem chamar o táxi.
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