Atomic Rooster ganha edição brasileira de seu primeiro álbum de inéditas em 42 anos
Por Bruce William
Postado em 26 de agosto de 2026
Quarenta e dois anos depois de seu último álbum de estúdio, o Atomic Rooster voltou a apresentar material inédito com "Circle The Sun", lançado originalmente em outubro de 2025 pela Esoteric Antenna, selo ligado à Cherry Red. Agora o trabalho também ganha edição brasileira em vinil pela Melômano Discos, incluindo uma versão splatter que chama atenção logo de cara pelo visual.

A formação atual reúne Steve "Boltz" Bolton na guitarra e voz, Adrian Gautrey nos teclados e vocais, Shugg Millidge no baixo e Paul Everett na bateria. Bolton é o elo direto com a fase clássica do grupo: integrou o Atomic Rooster no começo dos anos 1970, período de "Made in England", e décadas mais tarde participou da retomada da banda. A Cherry Red apresenta Circle The Sun como o primeiro conjunto completo de gravações de estúdio do Atomic Rooster em mais de quatro décadas.
A volta do nome não aconteceu simplesmente por decisão unilateral. Em entrevista ao Outsider Rock, Bolton contou que, quando surgiu a ideia de reativar o Atomic Rooster em 2016, uma das primeiras providências foi procurar Jeannie Crane, viúva do fundador Vincent Crane. "Precisávamos da autorização da esposa do falecido Vincent Crane, e conseguimos. Ela nos deu permissão total para usar o nome, seguir em frente, manter a música viva e fazer material novo", explicou.
Esse material novo acabou demorando alguns anos para chegar, mas a banda não quis simplesmente reproduzir artificialmente um disco dos anos 1970. "Circle The Sun" tem dez músicas e conserva elementos imediatamente associados ao Atomic Rooster, como Hammond bastante presente, riffs pesados e uma atmosfera sombria, ao mesmo tempo em que tenta colocar essa identidade dentro de uma produção atual. A própria Cherry Red faz referência ao espírito de "Death Walks Behind You", clássico lançado em 1970.
Parte dessa atmosfera veio do próprio lugar escolhido para as gravações. Em entrevista ao Louder, Bolton contou que o álbum foi registrado em uma cabana de madeira situada no meio de uma floresta em Lincolnshire. Com exceção das vozes, praticamente tudo foi gravado ao vivo. "Era o lugar perfeito para gravar", afirmou o guitarrista.
Bolton acredita ainda que Vincent Crane aprovaria o resultado. "Acho que Vince adoraria. Espero que sim. As pessoas dizem que o disco aponta para a frente e ao mesmo tempo olha para trás. Abraçamos todo o lado sombrio e gótico do Atomic Rooster", disse ao Louder. O músico admitiu também que a banda esperava alguma resistência dos fãs diante da nova formação, mas afirma ter encontrado reação muito mais positiva do que imaginava.
O título também carrega uma ligação com o passado. Bolton explicou ao Outsider Rock que "Circle The Sun" foi concebida liricamente como uma espécie de resposta a "Black Snake", uma das músicas antigas do grupo. Enquanto aquela composição carregava imagens muito mais escuras, a nova faixa foi pensada como movimento em direção à luz e à vida.
A edição brasileira da Melômano Discos mantém as dez músicas do lançamento original e está disponível em vinil, incluindo a versão splatter. Assim, um grupo cuja história parecia encerrada havia décadas não apenas voltou aos palcos, mas conseguiu fazer algo bem mais raro entre bandas veteranas: lançar um disco novo tentando preservar sua identidade sem simplesmente viver de repertório antigo.
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