As 3 melhores músicas do AC/DC de todos os tempos, segundo Brian Johnson
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de agosto de 2026
Brian Johnson assumiu os vocais do AC/DC em 1980, poucos meses após a morte de Bon Scott, e desde então participou de todos os discos da banda com apenas uma interrupção.
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Em entrevista a um programa de rádio britânico (via Far Out), em novembro de 2020, o cantor foi convidado a apontar suas faixas favoritas do próprio repertório. Escolheu três - e cada uma marca uma fase distinta da história do grupo.
A primeira é "You Shook Me All Night Long", de "Back in Black" (1980), justamente seu álbum de estreia com a banda. "A que eu mais lembro foi uma das primeiras músicas que a gente fez", contou. A história do título quase o assustou. "O Malcolm desceu e disse: 'Certo, Brian, essa é a base bruta dessa música. A gente quer chamar de You Shook Me All Night Long.' Aí eu pensei: 'O quê?' Fiquei um pouco preocupado."
A preocupação durou pouco. No dia seguinte, o produtor Mutt Lange o chamou para gravar. "Ele disse: 'Ok, vamos ver o que você tem.' Eu simplesmente cantei. Foi tão natural, as palavras que estavam escritas ali." A reação de Malcolm Young ficou marcada: "Ele olhou para mim, olhou para o Angus e para o Mutt e disse: 'Não sei o que dizer. Isso pode ser um dos melhores discos de rock and roll já ouvidos em muito tempo.'"
A segunda escolha é "Thunderstruck", faixa que abriu "The Razor's Edge" (1990) e devolveu a banda ao topo justamente quando o grunge começava a dominar o cenário. "Uma que eu sabia, desde o começo, que ia ser fabulosa era 'Thunderstruck'", disse Johnson. Ele descreve o efeito de ouvir a construção da música: primeiro a guitarra de Angus, depois os coros, depois a entrada do vocal. "Tinha tudo!"
A terceira é a mais recente e a mais emotiva. "Through the Mists of Time", do álbum "Power Up" (2020), foi escrita como despedida a Malcolm Young - que se afastou da banda em 2014 e morreu em 2017, vítima de demência - e também a Bon Scott.
O disco quase não aconteceu. Johnson havia se afastado dos palcos por causa de problemas auditivos e acreditava que não voltaria. "Depois do que aconteceu, eu realmente achei que nunca mais conseguiria subir num palco com uma banda por causa da perda auditiva. Felizmente, a tecnologia veio ao meu resgate."
O convite partiu de Angus Young, cerca de um ano e meio depois. "O Angus simplesmente disse: 'Topa fazer um álbum novo? Vou chamar o Cliff e o Phil.' Eu pensei: 'Ah, são os velhos. A banda de verdade.'" Cliff Williams, que havia se aposentado, respondeu que não poderia ficar de fora. Phil Rudd também estava em condições de voltar.
A gravação aconteceu em Vancouver, em 2018, e Johnson descreve o clima em termos quase físicos. "A eletricidade naquela sala - eu só posso te contar. Era algo que eu nunca tinha experimentado antes." A intenção ficou clara desde o início: "Como o Malcolm tinha morrido, a gente percebeu muito cedo que aquilo ia ser um tributo a ele. Dava para sentir que ele estava lá."
O material, aliás, era literalmente dele. "As músicas que o Angus trouxe eram músicas que ele e o Malcolm tinham feito por volta de 2006, 2007. Não estavam terminadas, mas os riffs estavam lá, o refrão, as ideias de verso."
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