Como o Pink Floyd se sacrificou financeiramente para criar uma obra-prima
Por Bruce William
Postado em 20 de outubro de 2026
Quando o Pink Floyd lançou "The Dark Side of the Moon", em março de 1973, já tinha quase uma década de experiência, vários álbuns lançados e uma reputação consolidada entre os admiradores do rock. Mas o disco levou a banda a um patamar muito diferente, e ao mesmo tempo se tornou um dos maiores sucessos comerciais da história da música. O que pouca gente sabe é que, para gravá-lo com a liberdade desejada, os quatro músicos aceitaram um acordo que acabaria custando uma boa quantidade de dinheiro.
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A decisão envolveu a EMI, gravadora responsável pelos lançamentos do grupo. Na época, os estúdios da companhia, posteriormente conhecidos como Abbey Road, estavam entre os mais importantes do mundo. O Pink Floyd queria aproveitar toda aquela estrutura sem a preocupação de terminar as gravações dentro de um prazo apertado. Para conseguir isso, concordou em receber uma porcentagem menor sobre as vendas de seus discos.
Em entrevista ao jornal britânico The Irish Times, em 2011, o baterista Nick Mason explicou a negociação: "Sabíamos que 'The Dark Side of the Moon' nunca seria o tipo de álbum que você conseguiria gravar em um mês. Renegociamos nosso contrato com a gravadora para conseguir mais tempo de estúdio, mas ao custo de uma porcentagem menor de royalties sobre as vendas do álbum".
A liberdade conquistada era considerável. Em outra entrevista, concedida à VH1 em 1998, Mason afirmou que o acordo garantia tempo ilimitado de estúdio, permitindo ao grupo trabalhar pelo período que julgasse necessário. Em 2011, ao conversar com a revista Guitar World, ele voltou ao assunto e lembrou que o Pink Floyd não sofria grandes pressões da EMI para lançar material novo. Segundo o baterista, apenas os Beatles haviam conseguido um acordo semelhante naquela época.
Mas "The Dark Side of the Moon" não surgiu de repente. Desde a saída de Syd Barrett, em 1968, Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason vinham desenvolvendo uma identidade musical própria. Discos como "Atom Heart Mother" (1970) e "Meddle" (1971) ajudaram a aperfeiçoar a combinação de longas passagens instrumentais, experimentações sonoras e composições mais estruturadas. "Echoes", que ocupava todo o segundo lado de "Meddle", já antecipava algumas características do trabalho seguinte.
O novo repertório começou a ser apresentado ao vivo em janeiro de 1972, mais de um ano antes do lançamento do álbum. As músicas passaram por alterações durante os shows, enquanto a banda experimentava diferentes arranjos e efeitos. As gravações começaram em maio daquele ano, com a participação do engenheiro de som Alan Parsons. Os equipamentos de 16 canais de Abbey Road, os experimentos com fitas e sintetizadores e o trabalho de mixagem supervisionado por Chris Thomas contribuíram para o resultado. Clare Torry, cuja participação em "The Great Gig in the Sky" se tornaria uma das mais famosas do disco, gravou seus vocais somente em janeiro de 1973.
O álbum ficou pronto em fevereiro de 1973, depois de meses de trabalho intercalados com apresentações e outros compromissos. A aposta financeira do Pink Floyd produziu o resultado artístico esperado, mas teve uma consequência irônica: como "The Dark Side of the Moon" venderia dezenas de milhões de cópias nas décadas seguintes, a redução dos royalties acabou representando uma quantia considerável que os músicos deixaram de receber. Como o próprio Mason reconheceu, eles ganharam muito dinheiro com o álbum, mas poderiam ter ganhado ainda mais. A liberdade para criar uma das obras mais celebradas do rock teve seu preço.
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