O disco injustiçado dos anos 90 do Iron Maiden, de acordo com Regis Tadeu
Por Bruce William
Postado em 14 de outubro de 2026
Lançado em maio de 1992, "Fear of the Dark" chegou em um momento complicado para o Iron Maiden. O heavy metal tradicional enfrentava mudanças no cenário musical, Bruce Dickinson se aproximava de sua primeira saída da banda e o álbum acabaria dividindo opiniões entre os fãs. Mais de três décadas depois, porém, Regis Tadeu continua ouvindo o disco com o mesmo entusiasmo de quando foi lançado.
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Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, o jornalista e crítico musical contestou a ideia de que ele seja um trabalho irregular ou represente uma banda em decadência. "O 'Fear of the Dark', para mim, ainda hoje soa como um disco maiúsculo, um disco refinado e com uma personalidade imensa", afirmou, acrescentando que o álbum atravessou as transformações musicais dos anos noventa sem perder sua força.
Regis destacou especialmente o trabalho de produção de Martin Birch e Steve Harris, que, em sua avaliação, resultou em um som pesado, orgânico e menos carregado de reverberação do que alguns discos da década anterior. Também elogiou a interpretação mais agressiva de Dickinson e as guitarras de Dave Murray e Janick Gers. Sobre este último, fez uma ressalva: considera Gers um excelente guitarrista e compositor, embora ache que suas apresentações ao vivo não demonstrem todo esse talento.
Entre as músicas que continuam impressionando o crítico está "Be Quick or Be Dead", apontada como uma de suas favoritas de toda a discografia do Maiden. Regis também elogiou "From Here to Eternity", "Afraid to Shoot Strangers" e duas composições que considera particularmente injustiçadas: "The Fugitive" e "Fear Is the Key", cuja letra aborda o medo e a paranoia associados à epidemia de AIDS no início dos anos noventa.
Outras faixas receberam elogios, incluindo "Judas Be My Guide", que Regis colocou entre as melhores músicas curtas já gravadas pela banda, e "Weekend Warrior", frequentemente desprezada pelos fãs mais puristas. Ele também defendeu a balada "Wasting Love" e a mais acessível "Chains of Misery". Mas existe uma exceção em seu entusiasmo: "The Apparition", que considera pouco inspirada e que, segundo ele, parece ter entrado no repertório apenas para preencher espaço no CD.
A capa também entrou na avaliação. Fear of the Dark marcou a primeira vez que um álbum de estúdio do Iron Maiden recebeu uma ilustração de Melvyn Grant em lugar de Derek Riggs. Para Regis, a imagem de Eddie integrado a uma árvore sob a luz da lua conseguiu renovar a identidade visual da banda. Grant, por sua vez, explica em seu site oficial que procurou criar uma atmosfera de medo psicológico, sem depender de imagens explicitamente violentas.
Na avaliação de Regis, o disco encontrou um equilíbrio entre a agressividade exigida pelo início dos anos noventa e as características melódicas tradicionais do Iron Maiden, incorporando ainda elementos de hard rock. "É realmente um disco vibrante, é um disco corajoso, variado, cheio de detalhes técnicos, muito rico em termos de performances individuais", resumiu. É por essas qualidades que, aos 66 anos, ele continua reservando um lugar especial para "Fear of the Dark" em suas audições.
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